PENSANDO MELHOR A RELIGIÃO

Ninguém, ou quase ninguém, acharia justo confundir médico com medicina, medicina com hospital, cozinheiro com culinária, professor com educação. O mesmo não ocorre em relação à religiao. Muitos, ou quase todos, acreditam que instituição religiosa e religião são a mesma coisa.  Afirmam, sem medo de estarem errados, que todos os religiosos são místicos ou que para ser religioso é obrigatório deixar a razão de lado.

Ninguém, bem orientado intelectualmente, declara que todo filósofo vive com a cabeças nas nuvens, não afirmam que todo professor gosta de acordar bem cedo para dar aula, mas em relação aos religiosos e às religiões não dispensam generalizações que vão da credulidade ingênua, passando pela ignorância e culminando com a simples falta de inteligência ou honestidade.

kardec declara na Revista Espírita ( mês de dezembro de 1868) ser o Espiritismo uma religião no sentido filosófico e vai mais longe ao dizer que sentia júbilo em declarar isso. Afirma que, se muitas vezes, declarou que o Espiritismo não era uma religião, o fez em consideração a um conceito errôneo que as pessoas fazem do real significado da religião. Não poderia usar o termo religião devido a ter um significado distorcido na mente de quase todas as pessoas. O codificador afirma que uma reunião de caráter religioso se caracteriza pela comunhão de pensamentos voltados para Deus e o bem do próximo, sendo esta uma característica de uma reunião espírita.

Se observarmos bem, veremos que em uma palestra espírita temos um componente filosófico (argumentação do tema abordado), poderá existir aspectos científicos, mas reunião não se esgota nisso. Existe a oração, a comunhão de todos no desejo sincero de fazer o bem.

Se formos sinceros e coerentes não podemos dizer que a oração e o desejo de fazer o bem surjam espontâneos como sendo uma consequência filósófica do Espiritismo ou se originem de uma experimentação científica. É algo que cada um construirá ou não em si mesmo, esse é o papel fundamental do Espiritusmo, não é nos tornar filosóficos ou científicos, embora, isso seja ótimo.

Por que Kardec declara ser o Espiritismo uma religião no sentido filosófico? Simplesmente porque ele  nos aproxima de Deus com um sentimento de reverência e ao próximo com o propósito de amá-lo. Se o Espiritismo fosse apenas uma ciência ou filosofia, nunca teria tal força ou propósito. A ciência oficial, das universidades, institutos e laboratórios poderá mostrar que a reencarnacão é uma lei biológica, que Deus é a melhor explicação para o universo e tudo o que nele existe, mas poderá nos levar a amá-lo acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, como nos recomenda o Espiritismo?

Quem ler O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo O Espiritismo perceberá que não se trata apenas de filosofar ou fazer ciência, mas acima de tudo é uma proposta de transformação moral. A ciência descreve e explica mecanismos e processos, mas não propõe nada para a vida de ninguém. A filosofia pode defender várias posturas, mesmo antagônicas entre si, mas nunca nos pedirá um definição do que devemos ser ou fazer. A religião é que nos propõe tais coisas. Nunca será demais repetir que o Espiritismo é formado por relogião, ciência e filosofia e pode, se desejarmos, se transformar em alavanca inigualável do nosso progresso espiritual.

Certamente, as religiões poderão ter rituais, dogmas e hierarquias e a maior parte delas assim se constitui, mas significa que não poderá existir religião se todas as velas forem apagadas e todas as imagens retiradas das igrejas? Se tal acontecer a fé irá desaparecer? Jesus será menor ou deixaremos de segui-lo se tais coisas deixarem de existir? As pessoas acendem velas em sinal de respeito e olham com amor para a imagem dos santos, mas este é um jeito de se praticar religião, que o Espiritismo não pratica sem que isto signifique que o condene e não o entenda.

É necessário que compreendamos que instituição religiosa e religião não são sinônimos. Não podemos condenar a religião pelos desmandos ou equívocos das instituições religiosas que, muitas vezes, se afastaram de Deus para se aproximar de César. Rituais, dogmas e hierarquia são formas de se manifestar a religiosidade, mas não são a essência de nenhuma religião. Não são características essenciais e inamovíveis da religião.  Jesus ensinou à mulher de Samaria que chegaria um dia que Deus não seria mais adorado em templos de pedra, ou altares, mas em espírito e verdade. Esse dia já chegou.

joão Senna

POR QUE O ESPIRITISMO É UMA REVELAÇÃO?

Da leitura da codificacacão espírita nós informamos Que o Espiritismo é uma revelação. A palavra revelar significa retirar o véu a fim de que possamos ver o que estava encoberto. Se o Espiritismo revela, significa que não criou algo novo, que não se trata de uma doutrina nascida, simplesmente, através de consequências filosóficas de algum sistema elaborado apenas com os recursos da razão.

Certamente, na doutrina espírita, temos consequências filosóficas baseadas, por exemplo, na concepção de um Deus justo. A reencarnacão é defendida tendo por base a justiça de Deus. Não estamos negando o aspecto filosófico e científico do Espiritismo, o que seria ilógico e contrário ao próprio Livro dos Espíritos cuja página inicial temos escrito: filosofia espiritualista.

Se o Espiritismo é uma ciência, uma filosofia e uma religião no sentido filosófico, qual a necessidade de ser uma revelação? Sabemos que o Espiritismo foi elaborado pelos espíritos superiores, tendo Kardec como codificador. A pergunta que surge é: poderia ter surgido nas universidades ou através de um cientista ou filósofo? Poderia ter surgido sem os espíritos superiores? A resposta é não.

Se as melhores universidades confirmassem a reencarnacão, poderiam cientificamente afirmar que a reencarncão tem como finalidade a evolução espiritual?  Verificar a existência da reencarnacão nada nos informa sobre sua finalidade, poderíamos renascer  sem que isso implicasse um compromisso de evoluir. São os espíritos superiores que nos revelaram o objetivo da reencarnação, pois, somente quem se encontra adiante na estrada evolutiva pode dizer o que encontraremos no futuro.

A ciência, como existe na atualidade, não dispõe de recursos para responder questões que somente os espíritos superiores tem condições de nos oferecer. Não se pode demonstrar cientificamente a imortalidade. Qual o experimento científico capaz de nos trazer evidências desta realidade? Poderia alguém viver um bilhão de anos e, no fim, morrer ou dissolver-se no todo universal. Acreditamos na imortalidade porque esta nos foi revelada por espíritos de elevadíssima hierarquia, sob o comando de Jesus, espírito puro por ter atingido a perfeição.

kardec afirma que o Espiritismo não é da competência da ciência da terra, pois, esta não conhece a fenomenologia mediúnica, não admite a existência do espírito. O Espiritismo é, portanto, uma nova ciência, não apenas uma ciência nova. Tem bases próprias, metodologia apropriada ao seu objeto de estudo : o mundo espiritual e sua relação com o mundo dos espíritos encarnados.

Comprendemos que, apesar de nossa doutrina ter o tríplice aspecto de ciência, filosofia e religião, jamais poderia ter se originado em nosso mundo por nos faltar às bases conceituais, metodológicas, a estrutura mental e os sentidos físicos apropriados para descobrir e entender o plano espiritual sem o auxílio dos moradores deste plano: os espíritos. Tem portanto, o caráter de uma revelação por absoluta necessidade que seja assim.

joão Senna

COMO O ESPIRITISMO PODERÁ SER ACEITO?

Uma preocupação muito louvável é esta: como o Espiritismo será aceito no mundo? Muitos confrades acreditam que existiriam meios de melhor divulgar a nossa doutrina a fim de que houvesse o esclarecimento espiritual de que a humanidade tanto necessita e que o Espiritismo oferece. Existiriam meios mais eficientes para promover a ampla divulgação da doutrina Consoladora? Seriam as grandes universidades, com seus cientistas, o meio de a humanidade aceitar os postulados espíritas?

Se a ciência, de repente, comprovasse a reencarnacão e considerasse Deus a melhor explicação para o universo, verificasse ser a lei do carma uma realidade, se tudo isso acontecesse, teria o Espiritismo alcançado junto à humanidade o respeito e a consideração que qualquer verdade quando aceita possui?

Iremos analisar com calma essas perguntas para que não sejamos vítimas do pessimismo ou de uma postura excessivamente inocente em relação aos meios e possibilidades de que o Espiritismo dispõe para desempenhar a sua finalidade: melhorar o mundo, melhorando o homem. Não é função da doutrina espírita a mera divulgação de verdades espirituais, não é seu objetivo formar filósofos ou cientistas que o divulguem ou exaltem suas qualidades, outra é a função da Terceira Revelação, como dito acima.

É notório o desinteresse que os cientistas têm em relação aos temas espíritas. Muito raras são as pesquisas científicas que tragam evidências da reencarnacão, mais raras ainda as que estudam a mediunidade, desconheço qualquer trabalho realmente científico que trate da lei de causa e efeito. O século dezenove foi o que apresentou os melhores resultados com Bozzano, Charles Richet ( apesar de negar a tese espírita), Lombroso e outros. Em nossa época conhecemos alguns poucos cientistas como Ian Stevenson( desencarnado) e Tuker com seus estudos sobre reencarnacão e ainda temos os estudos de EQM ( experiência de quase morte). As Universidades, mesmo que não declarem abertamente, vêem seus trabalhos como uma excentricidade. São cientistas respeitados, mas não aceitos pela comunidade científica.

Por que a ciência não aceita a tese espiritualista? Acredito ser decorrente das próprias religiões tradicionais com seus sistemas muitas vezes contrários à razão e não passíveis de comprovação científica. Apesar deste fato, creio que o fator principal para se desconsiderar qualquer proposta espiritualista, seja a própria imaturidade espiritual dos cientistas e da sociedade.

Os cientistas, em sua maior parte, não acreditam na existência do espírito ou não possuem a disposição emocional para arriscarem seu prestígio junto às academias de ciência ao se interessarem por temas considerados sinal de incapacidade intelectual, crendice ou mesmo indício de desequilíbrio mental. Os cientistas, por imaturidade espiritual, acreditam ser o átomo o ser real, o “tijolo” com que se constrói a única realidade possível.

kardec afirma que a aceitação do espiritismo é decorrente da maturidade do senso moral. Não é por falta de provas ou evidências que o Espiritismo não é aceito. Trata-se da estrutura mental e emocional da humanidade em sua maior parte. Ir para o céu, merecendo ou não, parece muito razoável para a esmagadora maioria da humanidade. Não é popular ter que retornar à Terra, preferimos ir para o céu, sem fazer escalas. Ao cientistas, é aceitável que a vida seja resultado do acaso e que, por isso, não tenha sentido algum. Somos fruto do acaso e não existe finalidade real para o que surgiu por sorte do acaso.

À medida que espíritos mais evoluídos passem a se tornar maioria na humanidade, teremos cientistas que realmente irão se interessar por tornar objetiva a existência da imortalidade, da Rencarnação, do carma, de Deus e outros aspectos raramente abordados pelos cientistas atuais. Conforme os espíritos mais atrasados forem substituídos por espíritos com maior nível intelectual e, sobretudo, moral, teremos ampla aceitação das idéias espíritas.

Comprendemos, por fim, que o Espiritismo não será provado pela ciência oficial, pois, ele já foi provado pela ciência espírita. Não será aceito por propagandas mais criativas. Será aceito e praticado quando encontrar espíritos dispostos a aceitá-lo e a vivenciar seus princípios. Sem querer parecer óbvio demais, o Espiritismo será aceito por uma humanidade que queira aceitá-lo. Não é uma questão de racionalidade ou abundância de evidências, não será uma decisão das academias, mas uma decisão de espíritos amadurecidos intelectual e moralmente.

João Senna.

AS ORIGENS DA FÉ

A fé é o sublime sentimento que impulsiona o espírito para o futuro melhor. Da fé se estabelece a força necessária para a evolução espiritual, que é o encontro do ser com todas as suas potencialidade. Evoluir é somar em si mesmo amor, sabedoria, intelecto e cultura. É a plenitude do espírito.

Temos a fé em nós mesmos e em Deus, sendo o Criador a razão da nossa existência e o alvo para onde devenos nos dirigir com entusiasmo, respeito, amor e racionalidade. Em Deus existimos e nos movemos como ensina o apóstolo Paulo.

Allan Kardec declara no início de O Evangelho Segundo O Espiritismo que: ” Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade” O que significa essa frase? Significa que a fé surge da razão? Se fosse assim, os cientistas e grandes filósofos seriam contados entre os de maior fé, quando é frequente ocorrer o contrário.

Se a fé é racional, evidentemente, ela não se encontra em desacordo com a evidência dos fatos ou em contradição com uma argumentação lógica. Se não encontra a razão e os fatos para contradizê-la, por que seria abalada? Encarar a razão face a face é harmonizar-se com aquilo que a vida nos ensina e o universo revela. Percebemos, enfim, que a fé inabalável é a que está em acordo com a razão, mas não significa ter sua origem na razão. São coisas diferentes.

kardec ao dar à fé espírita o caráter de racionalidade, não desmere a fé das demais religiões, não declara a inutilidade da fé não racional. O Espiritismo inaugura a fé racional, mas a fé já existia antes da doutrina espírita e existe de forma exuberante em muitos religiosos não espíritas.

Ser racional na fé significa não acreditar em algo errado. A fé deve dirigir-se ao verdadeiro, não pode degenerar em fanatismo ou irracionalidade. Se colocarmos nossa fé em uma inverdade, certamente teremos frustrações. Muitas crenças são verdadeiras, outras são falsas e a razão é o elemento necessário para distingui-las. É inadequado ter fé em algo errado.

A razão favorece o desenvolvimento da fé verdadeira, quando sabemos o motivo porque cremos naquilo que cremos, torna-se a fé algo natural em nossas vidas. Uma fé não envolta em mistérios, não imposta por medo, não aceita apenas por consideração ou respeito à autoridades, está é a fé sustentada pela razão. Não significa que esta fé seja o resultado da razão, mas que a razão a favorece.

Os primeiros cristãos, mártires do cristianismo, não possuíam as razões que possuímos e elevaram a fé a monumentos de fidelidade à causa de Deus. Certamente, não foram favorecidos com todos os esclarecimentos que o Espiritismo nos traz, não possuíam os recursos tecnológicos disponíveis ao aprendizado das questões espirituais, mas possuíam uma fé raramente alcançada nos dias atuais.

A fé surge das nascentes do espírito imortal. É a ânsia de Deus, a busca do amor que envolve o crente. Ao se ler os livros sagrados de uma religião, não devemos ter apenas a razão posta em ação, mas um sentimento de amor.

Ao ler O Livro dos Espíritos, não se pede que suspendamos a razão necessária a sua análise, mas que não esqueçamos o sentimento de gratidão aos espíritos superiores que o ditaram. É indispensável ler com amor para entendê-lo, para esquecermos velhos hábitos e concepções que tem nos acompanhado em nosso histórico de incontáveis reencarnações. O mesmo podemos afirmar em relação aos outros livros da codificação espírita.

João Senna.

A FÉ

As religiões diferem entre si em pontos secundários ou essenciais, porém, um aspecto permanece comum a todas elas: a fé. Toda religião tem na fé a sua base. Não é por simples escolha que as religiões se sustentam na fé, mas por ser a essência da religião. A fé é uma necessidade indispensável a toda crença, é de onde elas partem para demonstrarem a sua grandeza, a sua beleza e utilidade.

A própria ciência tem fé na razão e no método científico que, afinal, não podem ser demonstrados racional ou metodologicamente por serem os próprios pontos de partida da ciência. Acredita-se na razão, em uma ordem no universo, mas não se pode provar o valor da razão utilizando a razão, embora a mesma mostra seu valor pelos resultados que alcanca. Percebemos adequação do método científico pelos resultados satisfatórios que obtemos quando o utilizamos, mas não podemos demonstrar através do método científico o valor e adequação do mesmo.

Não se pode viver bem, sem fé. É um fato que vale para a ciência, para a religião e para nós mesmos. A maioria de nossas atitudes e desejos não são justificados por fontes racionais, embora, não devam ou precisem ser irracionais. Se você, por exemplo, casa  com alguém, nada lhe prova que o casamento dará certo ou que irá durar mais que um ano. É um sentimento que irá dar certo o que nos faz casar. O mesmo se aplica ao estudarmos para o vestibular, procurar um emprego, escolher uma profissão e mesmo sair para o trabalho esperando voltar para casa.

Não importa quão racional você seja, muitas coisas fogem da razão ou, pelo menos, da nossa capacidade racional. Claro que não devemos aceitar o que for irracional, mas nem tudo pode ser fundamentado apenas e sempre na razão. Racionalmente você não pode saber se seu casamento dará certo, se passará no concurso público, se viverá até os cem anos ou desencarnará amanhã.

Você não deve e não precisa ter uma fé contrária  à razão. Não se trata de falta de fé, mas de permanecer coerente com a razão e com o bom senso que jamais foram adversários da fé. Mesmo tendo fé, por que iríamos pular do vigésimo andar para demonstrar nossa confiança na proteção divina? Racionalmente, Deus não tem necessidade ou obrigação de proteger alguém que põe voluntariamente a vida em risco. Não podemos dar ordens a Deus.

Se não cremos em nós mesmos, ou seja, se não temos fé na pessoa que somos, como iremos propor a nós mesmos algo útil ou difícil de ser realizado? Ao não acreditar em mim mesmo, decido que não devo nem tentar seja o que for, mesmo que, no fundo, tenha plenas condições de êxito. A fé não resolve tudo, pois, existem coisas impossíveis: lembre-se do pulo do vigésimo andar. A ausência ou fraqueza na fé, entretanto, impede até mesmo o possível, o trivial e o facilmente alcançável.

A fé é, portanto, o remédio para resolver todos os males que são possíveis de serem resolvidos. Coloca em ação as forças da alma e da inteligência. Fortalece o desejo de ser bom, de vencer através da honra e da verdade, do que é justo e nobre.  Ter fé é confiar e somente devemos confiar naquilo que é verdadeiro e bom.

Como iremos reconhecer o verdadeiro e o bom? Temos a razão como aliada, pois, sem a razão poderemos confiar em algo ruim ou em uma mentira. Nestes casos teremos a decepção como resultado de uma má escolha. Nada impede que uma fé seja racional, embora, razão e fé não sejam a mesma coisa. Outra forma de reconhecer o bom e o verdadeiro é através de resultados: se alguém o ajudou em momento crítico e não exigiu nada em troca, então, temos uma demonstração experimental da amizade. Nem sempre necessitamos da razão para perceber o bom e o verdadeiro, mas não significa que tal percepção seja contrária à razão, mas apenas que a razão não precisou ser acionada.

Fé é um sentimento de confiança que inunda o ser, uma força que o impulsionada para o futuro. Que o fortalece nos momentos de aflição. Surge, porém, uma questão: e se percebermos que realmente não temos força suficiente para alcançar os objetivos indispensáveis à existência ? A resposta é simples: buscaremos forças em algo maior e absolutamente confiável, em um ser que está disposto a nos ajudar, porque nos ama e se importa conosco. Esse ser é Deus.

Deus não é apenas um desejo, mas uma necessidade em nossas vidas. Sem a sua presença nada somos, senão sombras de nós mesmos destinadas à amargura e ao fracasso. Temos fé em nós mesmos, no nosso próximo, mas acima de tudo em Deus. Jesus nos alertou para essa necessidade ao nos dar o maior mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo cono a nós mesmos.

João Senna.

COMO E POR QUE SER FIEL AO ESPIRITISMO?

Todos ou quase todos já leram está frase: Deus é fiel. Ela pode ser lida em adesivos de carros e existe uma igreja com este nome. O que significa ser fiel? Significa ser confiável, cumprir o que prometeu e, naturalmente, devemos ser fiéis a quem, por todos os motivos, merece a nossa fidelidade.

Devemos ser fiéis em que confiamos. Confiar é obedecer, é colocar-se sob a proteção e orientação. Andamos de carro sobre uma ponte de concreto e não de barro e, por isso, confiamos nessa ponte. Temos argumentos racionais para tal, não é o resultado de um desejo confiar nessa ponte de concreto.  Em Deus nós confiamo ainda mais, de maneira absoluta. O mesmo se passa em relação ao Espiritismo.

O que é necessário para ser fiel a algo? Primeira temos de desejar ser fiel, mas isto não basta. Como ser fiel a algo quando não o conhecemos? Não basta desejar ser fiel. É indispensável entender o desejo daquele a quem devemos ser fiéis. O que Deus quer de nós? Estudamos o Novo Testamento para saber, pois, o representante maior de Deus é Jesus e a mensagem do nosso Mestre é mensagem de Deus aos homens. Da mesma forma estudamos a codificação espírita para sabermos o que o espiritismo propõe para nossas vidas.

O Espiritismo é a restauração e o desenvolvimento do Cristianismo na Terra. Encontra-se de forma completa na codificação espírita que é composta de cinco livros: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Céu E O Inferno, A Gênese, O Evangelho Segundo O Espiritismo. Todos os romances e demais livros são detalhamentos, são formas de nos fazer melhor entender a codificação. Nada trazem diferente da codificação, mas revelam particularidades do mundo espiritual. Não podemos chamar esses  livros espíritas de complementares à codificação, mas de desdobramento daquilo que a própria codificação já havia nos revelado.

Muitos poderão estranhar tal colocação alegando que os romances espíritas, muitas vezes, revelam novidades em relação à codificação. Daremos um exemplo: no livro Nosso Lar existe o bônus hora, uma espécie de moeda no plano espiritual. Ora, Jesus e a codificação já haviam nos revelado que a cada um seria dado de acordo com suas obras. O bem é algo objetivo e, por isso, pode ser quantificado. Evidentemente, quanto mais um mundo é superior, menos ele se parecerá com a Terra, mas a cidade Nosso Lar não é habitada por seres angélicos, embora, seja infinitamente melhor que qualquer cidade na Terra. Cada lugar será o reflexo do conjunto de seus moradores.

Poderão ser reveladas, no futuro, informações não contidas na codificação espíritas? Certamente que sim, pois, o espiritismo evolui como tudo no universo. Essas revelações serão o resultado do amadurecimento moral e intelectual da humanidade e se dará por iniciativa dos espíritos superiores e nunca através de médiuns isolados, em grupos também isolados do restante do movimento espirita do Brasil e do mundo, com mensagens sem racionalidade e contrárias à codificação. Complementar a codificação kardeciana não é destruir o que está correto por ser verdadeiro.

Como Allan Kardec colocou em livros ( codificou) o Espiritismo? Ele o fez através da mensagem de espíritos superiores que trabalharam sob o comando e orientação de Jesus. Cada mensagem nos livros da codificação não representa apenas a opinião pessoal do espírito que a escreveu, mas revela o resultado de milhares de comunicações em cerca mil grupos espíritas, por centenas de médiuns. Kardec colocou as mensagens que, por seu conteúdo filosófico, moral e racionalidade, foram dignas de exemplificar o ensino dos espíritos superiores.

A codificação espírita não é o resultado de opiniões pessoais, de simples confiança em determinados médiuns. Não é, tampouco, fruto de uma cultura e época. Não é o resultado de forças históricas e sociais. Não é uma novidade, pois, no passado podemos encontrar a doutrina espírita em filosofos e sábios, embora, não com a racionalidade e certeza reveladas na codificação. É, a codificação, o resultado do ensino dos espíritos superiores que a revelaram ao mundo. Se não fosse por Allan Kardec, o Espiritismo teria sido revelado por outro grande e fiel espírito como Kardec o foi.

Acreditamos e somos fiéis ao Espiritismo devido a sua beleza, justiça e racionalidade. Por que apresenta-se como um monumento em homenagem a mais sólida lógica e ao melhores anseios de justiça e amor ao próximo, a nós mesmos e a Deus. Como sabemos que o Espiritismo foi revelado por espíritos realmente superiores? Kardec o fez e nós também podemos fazer através da análise racional das mensagens contidas na codificação. A beleza e grandiosidade moral, o senso superior de justiça, revelam ser o resultado do ensino de espíritos realmente superiores.

Uma doutrina revelada por médiuns desconhecidos entre si, em vários países não pode ser fruto da imaginação, da cultura e muito menos uma mentira. Somos fiéis ao Espiritismo, sobretudo, pelo amor que nos inspira, pelo respeito e admiração que impõe a todos os que o estudam e refletem sobre seus ensinos. Não poderíamos desejar ou querer algo melhor ou diferente.

joão Senna.

ESPÍRITA É APENAS UM RÓTULO?

Uma questão de vital importância é sabermos se a qualificação de espírita não passaria de um rótulo. Se existiria realmente algo importante na existência, algo que tornaria irrelevante o qualificativo espírita em nossas vidas. Primeiro necessitamos saber o que é um rótulo. Creio que rótulo poderia ser entendido como algo colocado em nós pelos outros, pela cultura ou circunstâncias alheias aos nossos desejos, algo que em nada ajudaria a dizer o que, de fato, somos.

Se você gosta de vinhos e lhe dão de presente um vinho francês, de nada adiante estar escrito no rótulo que o vinho procede da França se, no final, o vinho for ruim. Não importa o que está no rótulo, mas o conteúdo da garrafa. O vinho é, de fato, francês como está especificado, mas é um francês ruim, como se diz aos que gostam de vinho.

O ser espírita estaria no mesmo nível do vinho? Certamente que não, pois, ninguém colocou um rótulo em você. Eu e você somos espíritas porque queremos, porque acreditamos que é uma verdade libertadora e quando posta em prática traz resultados maravilhosos. O Espiritismo tem a capacidade de nos tornar melhores, mais compreensíveis e bondosos. Oferece uma paz e segurança não alcançada por nenhum religião ou filosofia. Quem é que nos prova a imortalidade da alma e nos explica os motivos de nossas dores, quando nossas dores não parecem ter motivos?

Ser espírita é um compromisso assumido diante de Deus, do próximo e de nós mesmos. Ele só se tornará um rótulo quanto unido à hipocrisia ou quando nos deixamos levar pelos modismos não confirmados pela razão e pelo senso de justiça. Quando somos realmente espíritas temos na caridade a tarefa a ser realizada todos os dias. Somos a palavra amiga e os braços que ajudam sem perguntar a quem, a que horas ou como.

Se te perguntarem se você é espirita, responda com um sim ou com um não, mas não desqualifique a doutrina que tanto te auxilia e auxiliará a pretexto de parecer moderno, de mente aberta e muito acima daquilo que você  imagina ser uma mera convenção  humana. Nunca devemos desmerecer a opurtunidade imerecida de sermos espíritas. Milhões de espíritos antes da reencarnacão solicitaram a graça de nascerem em um lar espírita e não o conseguiram.

João Senna.

 

 

VOCÊ MERECE SER FELIZ?

A maior busca da humanidade é a felicidade. Muitas instituições recentemente criaram critérios para quantificar a felicidade de um povo. Acreditamos que o único objetivo de um governo é a felicidade de todos. Tudo Que um governo faz, promove e acredita devem estar subordinados a tal conquista. É, em princípio, algo elogiável, mas analisaremos em que ponto, como e até onde tal anseio é justo e realizável.

Necessitamos avaliar o que a felicidade é na perspectiva do ser imortal que somos. Usaremos de analogias para compreendermos o que é a felicidade. Se estamos com fome, devemos, comer. Se estamos com saudades de alguém, procuramos entrar em contato. Ao querer algo mais caro, devemos acumular  o montante necessário, conseguir por empréstimo ou doação o dinheiro para comprá-lo.

Tudo que queremos exige algo mais para conseguir, nada pareçe completo em si mesmo. Ao estarmos cansados precisamos descansar, mas com a felicidade não é assim. Se estou feliz, isso basta. Ninguém fica enjoado em ser feliz, a felicidade nunca cai na rotina. Nunca nos cansamos dela ou mudamos de idéia passando não mais desejá-la. Muitos odeiam o amor, mas ninguém odeia a felicidade.

Por que a felicidade é assim? Provavelmente por ser um resultado, a soma de muitas conquistas do Espirito em evolução. É um efeito a felicidade e, como todo efeito, exige a existência de causas anteriores para que possa surgir. Iremos enumerar algumas condições indispensáveis para a felicidade.

Ser feliz começa tendo esperança na felicidade. Se você não acredita ser possível a felicidade, então, não pode se queixar por não ser feliz. Algo tão belo como a felicidade não poderia surgir da mágoa, do ciúmes, da ansiedade, da revolta, da inveja, da maledicência, do apego aos bens materiais, da falta de perdão, a falta de caridade e compreensão para com as faltas e defeitos alheios. Se temos algum desses defeitos, então, a felicidade plena não poderá surgir.

Claro que poderemos ter momentos de felicidade, mas não a felicidade que desejemos. Ninguém procura por momentos, procuramos por um estado estável, que faça parte de nossas vidas, não uma circunstância ou breve período como as férias ou nosso aniversário.

Se não somos caridosos, como teremos a estima e o amor das pessoas? Se não sentimos satisfação em ser o que somos, pois, ninguém consegue amar a si mesmo se não ama o seu próximo, como seremos feliz em ser o que somos? Você deve primeiro admirar a si mesmo, acreditar que é útil à sociedade. É impossível amar a si mesmo de forma adequada quanto não se tem amor ou quando se ama com reservas.  Não é possível um amor classe econômica.

A Terra é um mundo de expiação e de provas. Todos os que aqui residem tem compromissos cármicos e defeitos que impedem a plena conquista da felicidade. Uns mais, outros menos, todos somos espíritos endividados perante Deus e o próximo. Seria justo solicitar uma felicidade imensa e absoluta? É razoável ao que deve muito dinheiro ao amigo, que não paga o empréstimo há muito tempo, que prometeu pagar e não pagou, perguntamos: é razoável pedir um novo empréstimo a quem já muito devemos? Solicitar felicidade a Deus sem conquistar créditos é o mesmo que contrair novas dívida já estando muito endividado.

Se procurássemos na promoção da felicidade alheia à nossa felicidade, poderíamos ser feliz neste mundo, agora mesmo. Se nos esquecêssemos  de nossos desejos de felicidade e de conquistas, a felicidade entraria triunfante em nossas vidas. Esqueça a sua felicidade e procure os meios de facilitar e promover a felicidade do outro. Observe e verá que as pessoas mais  felizes são exatamente as mais bondosas. E as mais caridosas são as que menos se preocupam com a própria felicidade, pois, abandonaram carreiras, a felicidade de um lar com filhos a fim de que pudessem melhor servir. Não possuem a plenitude da felicidade, mas já se encontram mais próximos da mesma e, algumas delas, já a alcançaram neste mundo. Lembremos de Chico Xavier, de Divaldo Franco, de irmã Dulce, de Madre Teresa de Cálcuta, de Sai baba.

Merecenos ser feliz? Depende do que fizermos. A felicidade foi feita para o homem neste Mundo? Não, nosso mundo tem como finalidade nos auxiliar na conquista de nosso aperfeiçoamento moral e intelectual. Não fomos feitos para a felicidade? Claro que fomos, mas a felicidade plena nos aguarda após a conquista de muitas virtudes que não temos, da extinção de defeitos, vícios e comportamentos inadequados. A felicidade não é deste mundo, mas é o objetivo do espírito imortal que somos. Como podemos perceber, é simples ser feliz, mas não é tão fácil e rápido como acreditávamos ou como nos ensinaram.

joão Senna

EU VEJO VOCÊ

Um dos mais respeitáveis aspectos da cultura africana é a humildade. Certamente existem imensos problemas e desigualdades sociais, mas nenhum desses aspectos poderão ser creditados à humildade deste povo. Sua sabedoria vem da própria vida, de seu contato imediato e, às vezes, duro com a natureza. Poderemos dizer sem exagero que na África a expressão de seu povo nasce das raízes profundas do seio da Terra.

Uma saudação tradicional em algumas tribos da África do Sul: sawubona ou eu vejo você.  E o outro responde: ngkhona ou sikona que significa: eu estou aqui. Outra resposta é: yebo sawubona ( eu também vejo você ). Que poderemos aprender quando nos dispusermos a aprender com aqueles que julgamos menos favorecidos?

Percebemos que, apesar dos imensos problemas econômicos, o povo africano está sempre sorrindo.  Na abertura das olimpíadas deste ano percebemos que os povos mais ricos materialmente são os mais sérios, quase não sorriem. Os africanos, ao contrário, são efusivos em sua alegria. Não estão em uma festa? Não é uma conquista para um atleta participar da olimpíada?

À medida que se evolue materialmente, corremos o risco de cair em uma armadilha. E qual seria está armadilha? A de acreditar que, se você está bem materialmrnte, significa ser um vencedor. Sua vida deu certo. O problema é que ter bens materiais é algo que se acostuma e todo costume gera rotina e toda rotina pode originar tédio. Ter bens materiais nada significa se você não tem a si mesmo. Se um adolescente rico ou da classe média  ganha uma viagem para o exterior, ele quase não vibra, acha que sempre mereceu e não existe nada de mais nisso. Se está em uma ótima escola, acredita que isso nada mais é que obrigação de seus pais. A maior taxa de suicídio encontra-se nos países mais desenvolvidos economicamente e com maior bem estar social.

Mas o que querem dizer os africanos ao se cumprimentarem? Por que dizem: eu vejo você  e não dizem bom dia? Pensemos um pouco: ao dizer bom dia você o faz maquinalmente, não quer dizer que o dia está bom. Pode ser que você deseje um bom dia para a outra pessoa, mas você não tem controle sobre a vida da outra pessoa, não tem poder de determinar como será o dia desta pessoa.

Eu vejo você significa que sinto a sua presença, você não é um objeto diluído na paisagem. Percebo a sua importância, noto a sua alegria ou a sua tristeza. Nada pior que conversar com alguém que não nos olha. Claro que existem pessoas tímidas, que não conseguem contato visual direto. Falo dos que, de fato, não olham por não se importarem.

A maioria dos seres humanos não vê o outro. Se estando em nosso carro uma criança pede esmola ou quer vender um doce, o que fazemos? Podemos dizer que é um problema social, que é estímulo a uma vida irregular, que os pais exploram os filhos. Que uma mãe não deveria engravidar e ter uma criança sem poder dar a ela melhores condições. Poderemos dizer que o governo deveria cuidar melhor das crianças e que nossos impostos deveriam ser revertidos em saúde, educação e trabalho.  Percebam quanta coisa podemos ver: problema social, uma vida irregular e de risco nas ruas, uma gravidez não planejada, exploração dos pais, mal uso dos impostos, ineficiência do serviço social governamental. Tudo isso vimos. Uma coisa não conseguimos ver: a criança.

Ninguém é responsável direto pela paz mundial, pelo bom uso dos impostos, por planejar a família de outra pessoa. Que importa rezar pela paz mundial se não  rezamos pela paz do vizinho ou de nosso lar? Somente somos responsáveis por ver o próximo. Ver o outro é amá-lo. Amar o próximo como a nós mesmos é conseguir ver o outro da mesma forma que já nos vemos. Eu vejo você.

João Senna