A HARMONIA DO SER

Um aspecto importante da existência é a harmonia do ser. Em uma perspectiva materialista, não poderíamos usar o termo harmonia, porque surgiria a pergunta: harmonia em relação a que?  A um Deus, estranho a esta concepção do mundo? Harmonia em relação a um universo material estranho aos nossos desejos e boas intenções? Harmonia em relação a uma geração futura ou a um desejo generoso ( ecologia)?  Em termos materialistas poderíamos usar o termo equilíbrio ou adaptação ao meio, mas nunca harmonia.  Este é o motivo de estudarmos a harmonia na perspectiva espiritualista, a única possível do ponto de vista lógico.

Que é o ser? Um projeto de Deus, nos revela a codificacão espírita. Diferente da concepção espiritualista comum, a perpectiva espiritualista de natureza espírita define que o ser, que é espírito, é criado simples e ignorante. Significa dizer que não nasce pronto, não é luz ou trevas, mas um material a ser trabalhado pelo meio e por si mesmo a fim de alcançar a plenitude: a perfeição espiritual. Este ser irá adquirir luz ou trevas, caminhará em direção ao bem ou ao mal, atingindo por fim a condição de ser angélico. A caminhada evolutiva não é padronizada, embora, obdeça à leis que revelam a inteligência infinita, a bondade infinita e a onipotência de Deus. Através do livre arbítrio, este ser caminhará na busca de refletir em si mesmo a ordem e a beleza universal na harmonia do seu ser.

Aprendemos na mitologia grega que Harmonia é uma deusa, filha de Afrodite ( deusa do amor) e Ares ( Deus da guerra). Estranho casal que poderá nos ensinar o objetivo da harmonia em nós. A primeira indagação é esta: por que o amor escolheu a guerra para se casar? Não poderia ter escolhido a fé, a esperança, o trabalho, a liberdade? Certamente que sim, mas para que serviria a harmonia sem ter um trabalho a fazer? Assim como a calma serve para os momentos difíceis, a harmonia é útil para a conciliação dos contrários e nada mais contrário ao amor do que a guerra.

A harmonia nasce da aceitação do outro, não de situações favoráveis. Esperamos que tudo esteja do nosso gosto para alcançarmos a paz, mas a paz e a harmonia  são necessárias não somente na tranquilidade, mas sobretudo para nos manter tranquilos e em paz nos momentos difíceis. Se não estamos em harmonia, procuramos aquilo que nos faz mal e nos afastamos daquilo que nos faz bem. Jesus nos disse “a minha paz vos deixo, a minha paz vos dou”, mas também revelou: “no mundo tereis aflições” Esta é a função da harmonia, nos manter em equilíbrio em meio ao desequilíbrio reinante.

De fato, a harmonia é um instrumento para a evolução do ser, não um estado final do ser. Nascemos para a perfeição, a harmonia é um meio, o amor ao próximo é o fim. Este é o motivo de no Espiritismo valorizarmos a meditação e a prece, mas como meios e não fins. A vida contemplativa e em constante meditação ou oração sem exercer a caridade, é uma fuga egoísta para o prazer. Podemos favorecer a harmonia com meditações e preces que são instrumentos poderosos para o equilíbrio existencial, mas que não são suficientes para nos levar à verdadeira harmonia. É indispensável uma confiança ardente na bondade de Deus como revelado em O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Quando buscamos no outro o complemento daquilo que nos falta, quando exigimos do outro aquilo que não possuímos totalmente e que o outro ainda não pode nos dar, o que estamos fazendo? Muitos dirão estar procurando o amor, mas um amor mais parecido com um negócio. Amar não é colocar-se em uma situação de felicidade inalterável ou na conquista do que se procura, isso bem sabem as mães em relação a muitos filhos. O mesmo podemos dizer em relação à harmonia e à fé.

Esta perpectiva espírita revela o processo dinâmico da evolução espiritual, onde o mal se transforma no bem, onde a simplicidade é o ponto de partida da plenitude, onde a luz, o amor e a sabedoria eterna são alcançados  por um ser simples e ignorante, criado imortal a fim de que o Reino de Deus nele se instale de forma permanente e generosa, abrindo-se para vida  em frutos de caridade, sabedoria e fé.

 

 

RELAÇÃO AFETIVA NA VISÃO ESPÍRITA

O relacionamento afetivo tem sentido existencial para a doutrina espírita, significa dizer que damos ao mesmo um significado que não se restringe a meros valores biológicos como comportamento da espécie e outras característica atribuidos ao organismo.

Não se trata apenas de fatores culturais ou hábitos reforcados pela sociedade o que determinará a dinâmica dos relacionamentos afetivos. Claro que o Espiritismo reconhece os fatores sociais e biológicos como participantes na afetividade, mas não lhes dá a supremacia sobre o perfil dos relacionamentos afetivos.

A doutrina espírita reconhece no ser imortal  o fator que dá origem, direção e sentido aos relacionamentos afetivos. É o espírito, como ser reencarnado com múltiplas experiencias e expectativas, que se relaciona afetivamente e efetivamente com outro ser, não é a cultura ou a espécie. A própria cultura e características biológicas estarão submetidas à estrutura psicológica do espírito que mergulha, superficialmente ou não, na relação afetiva.

Todo relacionamento entre dois seres será moldado em grande parte, não só pelos fatores objetivos que ocorrem na relação, mas será grandemente interpretado com a lente das expectativas de quem olha e participa deste processo. Natural, portanto, que antigos comportamentos se repitam em relacionamentos novos e que poderiam ser adequados à experiência vivenciada em outras vidas e não à atual existência.

Assim, alguém com grande autoridade política e poder econômico em vida anterior, irá representar a si mesma com estes valores, mesmo que tenha uma vida “humilde” nesta encarnação. Irá procurar para si uma pessoa com as qualidades que julga merecer, como se ainda fosse poderosa e rica. Percebe-se o conjunto de frustrações em que, provavelmente, viverá tal pessoa.

Outra pessoa se apresentará com inibições sexuais, não somente originadas de uma educação mais conservadora, mas ligada a uma situação do século dezessete, digamos. Certamente, poderá ter dificuldades em vivenciar comportamentos de uma época mais liberal em termos de sexualidade, como a nossa época.

Existirão pessoas com grandes traumas e decepções no setor da afetividade e que, não se libertando de antigas mágoas, irão ter um relacionamento frio e desconfiado com o novo parceiro, mesmo que este nada tenha com os antigos relacionamentos da pessoa amada. Obviamente, estes casos são de complexa solução, exigindo muita compreensão e renúncia de ambas as partes.

O Espiritismo percebe a relação afetiva de natureza sexual ou não, como um encontro de almas, não de sexos. Evidentente, a relação de natureza sexual restringe-se ao plano material em que vivemos, plano este em que a relação sexual é indispensável à procriação das espécies e contribui para a harmonia do ser quando bem orientada. Mesmo na situação de espíritos encarnados, quando a característica sexual prepondera enormemente em relação ao caráter “afetivo-romântico”, teremos sempre relações superficiais e, portanto, não satisfatórias do ponto de vista emocional.

Não foi sem motivo que os espíritos superiores disseram à Kardec que os espíritos não tem sexo,  mas possuem simpatia e afinidades. Isto ocorre porque o amor não necessita obrigatoriamente de órgãos sexuais, que os espíritos não possuem, como não possuem olhos ou ossos ou reumatismo.

A relação de amor não pode ser uma relação de negócios. Não podemos impor ao ser amado idealizado, qualidades ou possibilidades que ele não apresenta. Evidentemente, ninguém é obrigado a conviver com a humilhação sistemática, com o desprezo explícito ou com a violência física e emocional de grau extremo.

Não devemos, entretanto, buscar no outro aquilo que nos falta. Não terá bons resultados escolher o ser amado através de um escore de pontos onde calculamos os ganhos e prejuízos. Computamos a utilidade do relacionamento e concluímos que estando satisfatório, podemos nos relacionar. Essa é a fórmula do Principe Encantado ou da bela Adormecida, que são belas estórias, mas que nunca deram bons resultados em nosso mundo que, afinal, é um mundo de expiação e de provas, como nos ensina o Espiritismo.

O PERISPÍRITO TEM ÓRGÃOS?

Estou lendo um livro muito bom, Espirito e Matéria, de Cosme Massi. A vantagem deste autor sobre muitos outros é ser extremamente fiel à codificacão karceciana e ter uma postura de absoluta racionalidade  na defesa de seus argumentos.  Não é o livro um conjunto de achismos e especulações tão comuns para o estudo de temas transcendentes como é o espírito e a realidade do mundo espiritual.

Em O Livro dos Espíritos, aprendemos que o perispirito é semi-material. Significa que possui propriedades atribuídas à matéria e outras desconhecidas por nossa ciência e inconcebíveis ao nosso intelecto e sentidos. De natureza fluídica, possui extrema plasticidade. Significa dizer que a vontade do espírito o modifica profundamente.

O perispirito é constituído por materiais do ambiente onde se encontra o espírito. O espírito, seja qual for seu grau evolutivo, sempre se encontra unido ao perispírito e o contrário também é verdade: não existe perispirito sem espírito a ele associado. O corpo espiritual é sempre um efeito, um retrato da condição intelectual e moral do espírito.

Se o perispírito é um efeito, um resultado do ser espiritual, para que existe? Qual a finalidade de sua existência? Suponho que seja necessário para individualizar o espírito. Como um espírito reconheceria o outro se não existisse algo substancial para que pudesse ser identificado? É verdade que não sabemos a natureza íntima do espírito, mas sabemos que não é algo material. A matéria ou energia não tem consciência, não tem vontade ou inteligência. Sabemos, portanto, que o espírito não é matéria e não é energia. Certamente o espírito é algo, mas não temos condições mentais e sentidos que o possam compreender ou identificá-lo sem o auxílio do perispírito

O perispírito tem organização fluidica que reflete a ação mental e o automatismo alcançado na longa história evolutiva do ser espiritual. Não tem, entretanto, órgãos como nós entendemos. É fácil perceber por que é assim. Se existissem órgãos no perispirito, os mesmos poderiam sofrer danos como qualquer órgão pode sofrer. Se houvesse essa possibilidade, o espírito poderia ser modificado através da modificação do seu perispirito, quando na verdade, é o contrário que ocorre.

Nas cirurgias espirituais, a modificação do perispírito é um reflexo das modificações que estão ocorrendo no ser espiritual. Se assim não fosse, o perispirito poderia ser harmonizado e mesmo embelezado tornando-se luminoso, sem que houvesse qualquer transformação moral e emocional no espírito. Não é sem motivo que Jesus ao curar dizia: a tua fé te curou. Não existem técnicas avançados ou outros métodos que possam modificar a realidade do ser espiritual sem que este se modifique.

Quando dizemos que o perispirito não tem órgãos, não estamos afirmando que o mesmo não tenha uma estrutura ou seja amorfo. Queremos dizer apenas que é uma realidade fluídica de extrema plasticidade e modificável pela vontade do espírito. É um resultado, nunca a causa. Quem adoece ou é belo ou feio, não é o perispirito, mas o ser espiritual em equilíbrio ou não, vinculado à sua realidade de ser imortal ou ainda apegado à matéria.

COMO APRENDER ESPIRITISMO ?

Allan Kardec declara que o Espiritismo é a ciência do infinito e como toda ciência não se aprende por ouvir falar ou apenas lendo romances. Aquele que desejar penetrar seus princípios básicos e mesmo aprofundar conceitos deverá dedicar-se com frequência e método. Não é um trabalho que termina em alguns meses ou mesmo anos, pois, é fruto também do aperfeicoamento intelecto-moral daquele que se dedica a estudá-lo.

Aristóteles, filósofo grego, ensina que todo aquele que deseja dominar um conhecimento, seja religioso, filosófico ou científico, deverá começar pelos seus princípios. Onde se encontram os princípios do Espiritismo? Indiscutivelmente, na codificacão kardeciana, nunca nos cansaremos de lembrar esta obviedade. E por que assim o fazemos? Simplesmente porque é o que menos se faz, acreditando que a simples frequência ao grupo espírita ou a frequência a palestras doutrinárias seja o suficiente para nós tornar espíritas esclarecidos.

Parece contraditório, mas os espíritas dão muito mais atenção aos romances e, frequentemente, se esquecem dos livros básicos da codificacão. É como um médico que gostaria de aprender cirurgia sem estudar os princípios basicos de assepsia e sem saber os tipos de pontos adequados para cada sutura. Aprender só de olhar ou de ouvir. Não aprovamos tal procedimento para aquele que deseja se tornar um cirurgião competente, mas esquecemos de aplicar a nós mesmos este princípio ao querer entender o Espiritismo.

Ao afirmar que a base do Espiritismo se encontra na codificacão, não estamos afirmando que não se devam ler romances ou mesmo estudá-los. Queremos apenas ressaltar que o grau de certeza e verdade alcançado pela codificacão é incomparavelmente superior às demais obras espíritas. E por que afirmamos isso? O fazemos baseados na convicção de que foram os espíritos superiores que revelaram a codificão, não é obra pessoal de Allan Kardec, embora, tenha a sua inestimável contribuição. É uma obra de dupla autoria: de origem humana e de origem espiritual.

Some-se a isso o fato de a codificacso espírita contar com a participação de mediuns de cerca de quinze países e naquilo que possuíam de comum. A verdade nunca é apenas pessoal, as verdades espirituais nunca são patrimonio exclusivo de um médium ou grupo de médiuns ou de grupos privilegiados.

O aprendizado espírita exige não uma leitura descompromissada, leitura apenas por hábito. É indispensável parar em cada parágrafo a fim de analisar seus conceitos e consequências práticas e teóricas. É trabalho demorado, semelhante à restauração de uma antiga obra de arte. Devemos fazê-lo com disciplina, sem pressa, mas também sem demora. É indispensável recorrer à dicionários, a fontes externas e solicitar a orientação de pessoas mais experientes.

Um livro é como um amigo ou uma esposa. É preciso escolher bem, não importa se poucos ou muitos amigos, mas amigos verdadeiros. Devemos dar preferência aos clássicos do Espiritismo antes de nos aventurarmos em mares nunca antes navegados. Se não temos os fundamentos, como saber o que é certo e o que é errado? O que é fato e o que é especulação? O que é confiável e o que não passa de mistificação de espíritos zombeteiros ou francamente malévolos?

As casas espíritas tem se empenhado em formar grupos de estudos da codificacão espírita a fim de fornecer ao movimento espírita um número expressivo de pessoas esclarecidas. Serão os multiplicadores da racionalidade espírita, não os censores de opiniões alheias. Fornecerão a base para que o movimento espírita não se perca nos modismos e mistificações que podem corromper ou atrapalhar a semeadura das verdades imortais da terceira revelação, O Consolador prometido por Jesus.

joão Senna

A EXPANSÃO DO EU

Um tema muito abordado pela filosofia espiritualista é a expansão do eu. Fala-se em ampliar a consciência através de exercícios como meditação, oração e outros recursos. A questão é que pouco se fala sobre os motivos de expandir o eu ou os pressupostos que sustentam esta iniciativa ou desejo.

Falar em ampliar a consciência é supor que exista uma meta para onde esta consciência deva dirigir-se. Para onde a consciência deveria se dirigir? E por quê? Apesar de ser um tema complexo, temos de admitir que se a consciência deve ser ampliada, é por que existe uma finalidade para a existência. Esta finalidade ou motivo seria a justificativa existencial, não apenas para a existência de níveis mais elaborados do próprio eu, mas em um motivo para que ele deva ser expandido.

Muitos realizam meditação transcendental a fim de penetrarem o eu profundo, mas não encontram um sentido maior para suas existências. Outros recorem a substâncias alucinógenas com os mesmos motivos e retornam de suas experiências apenas com uma nova história para contar. Isto ocorre não por falhas de tais métodos, mas pelo simples fato do eu não participar conscientemente do significado de tais experiências. É como uma pessoa pouco sensível à arte depois de visitar um grande museu. A visita nada contribui para a sua cultura ou senso estético.

É indispensável da parte daquele que busca ampliar o eu um compromisso com a verdade. Nossa sociedade está imersa em um pensamento materialista onde a verdade não é vista como uma realidade a ser descoberta, mas como uma opinião e nada mais. O Espiritismo concebe a verdade como uma força espiritual por sustentar-se na realidade de um universo estruturado em beleza, justiça e finalidade.

Se o indivíduo percebe a verdade como simples opinião e não como uma realidade independente de gosto ou cultura, inevitavelmente, transformará qualquer experiência de natureza transcendental em uma simples afirmação de si mesmo, com os preconceitos e prejuízos que todos temos. É necessário estar aberto ao que a realidade nos revela para não reduzirmos a vida aos nossos pontos de vista. Encontrar a verdade é ser capaz de abandonar a si mesmo a fim de se tornar algo melhor.

Os espíritos superiores orientaram Allan Kardec a fugir de todo o espírito de sistema. Esta orientação tinha como objetivo não reduzir o novo ao velho. Não supor que o desconhecido deva sempre contribuir para confirmar nossos pontos de vista. A verdade deve ser aceita como é, não engessada a pontos de vista preconcebidos, a sistematizações que nos pareçam infalíveis. Se um fato novo contradiz nossas idéias, mudemos nossas idéias, não os fatos. Esta atitude em relação ao conhecimento, deve também ser exercida em relação a nós mesmos.

Quando ouvimos alguém dizer que a verdade não existe ou que toda verdade é relativa, ficamos a pensar o que conseguirá tal pessoa com esta perpectiva e o que a anima a comprometer-se com qualquer verdade, relativa ou não. Estar aberto a mudar de opinião é muito diferente de achar que toda opinião deva ser mudada, mesmo porque até por acaso alguém poderia encontrar uma verdade absoluta. Do ponto de vista lógico, uma verdade não tem necessidade de estar sempre mudando ou ter a absoluta necessidade de ser apenas uma opinião pessoal.

Se alguém busca expandir sua consciência, primeiramente deve saber qual a finalidade de sua existência e quais os critérios que usará para interpretar ou aproveitar de forma correta essa busca e os seus achados. Se o Cristo nos ensinou que conheceríamos a verdade e a verdade nos libertária, é porque a verdade tem a objetividade suficiente para ser uma força transformadora e jamais conseguiria tal coisa se fosse apenas uma opinião ou um conceito relativo.

Ao ter como objetivo a ampliação de conhecimentos, percepções e sentimentos, é indispensável que saibamos qual a nossa finalidade no universo, o que representamos para o próximo e para nós mesmos. O que somos e o que devemos ser. O que devemos querer de nós mesmos? Não existe caminho algum para aquele que não sabe para onde deve ir.

A SAÚDE NA VISÃO ESPÍRITA

O Espiritismo reveste-se de tal complexidade que não apenas é uma visão aprimorada da vida, como traz em si imensas possibilidades ontológicas, dentre os quais a saúde sirua-se como sendo a harmonia do ser, independente, de seu estado de saúde. Ninguém levou tão longe a máxima: não existem doenças, mas doentes.

Ser saúdavel significa estar em harmonia com as leis de Deus que representam para nós o aspecto formal da vontade e da ação de Deus no mundo. A lei de Deus é a própria vontade de Deus que atua no mundo. Percebemos que nesta visão não existem espaços legitimos para um caminho solitário na existência ou uma forma pessoal de ver o mundo.

Cada um terá a obrigação de descobrir o que o universo solicita deste ser chamado homem. Inutilmente procuraremos um sentido para o mundo que já não tenha sido estabelecido por Deus. Ser saudável é descobrir e harmonizar-se com este significado transcendente da existência.

O Espiritismo percebe a doença como uma forma de o ser voltar a harmonizar-se com o universo. É um alerta, não o problema real. Nesta perspectiva, a doença nunca é um mal em si, mas o remédio para a cura deste mal ou desta insuficiência. Poderá, a doença, revestir-se de força propulsora do reajuste moral ou da sublimação de virtudes. Esta visão não é compartilhada pela medicina ou pelas religiões.

Os exemplos irão nos fazer entender melhor as colocações acima.

Exemplo 1

Atendi um paciente de 36 anos em uma cadeira de rodas, nenhum exame revelava o seu problema. Perguntei se o mesmo ingeria álcool, ele disse que socialmente, mas a esposa revelou que o mesmo ingeria álcool em excesso e diariamente. Após uso de vitamina injetável, voltou a andar e retornou à ingerir álcool. A cura foi boa para este paciente? Aparentemente curar-se foi péssimo, pois, ao andar conseguia comprar bebida alcoólica. Irá, quem sabe, morrer de outra doença e prejudicará sua vida conjugal e todos os aspectos de sua existência. Do ponto de vista espírita, a cadeira  de rodas era o remédio para o seu caso.

Exemplo 2

Um senhor ao ficar deprimido, passou a falar menos e a perturbar menos seus familiares. Antes da depressão, tratava todos com prepotência e usava seu poder econômico para controlar a todos e a tudo. Ao sair da depressão com medicamentos, voltou a tornar insuportável a vida de todos ao seu redor. Seria necessário que no período da depressão houvesse um trabalho de esclarecimento sobre as causas espirituais, sobre o simbolismo da depressão para a existência do ser.

O que a depressão significa do ponto de vista espiritual? Não estamos falando do desequilíbrio dos neutransmisdores que atuam no cérebro, que para o Espiritismo, em geral, são apenas um reflexo da ação da mente sobre o corpo.

No Espiritismo, toda doença sinaliza uma necessidade espiritual a ser resolvida. A doença é apenas um símbolo, um sintoma do problema real que se esconde atrás da doença.

O grupo espírita ao atender casos de doenças orgânicas ou mentais deve estar atento para esta realidade. Nunca deve prometer a cura, pois, não sabemos se a cura é o melhor para o doente. Nunca estipular prazos para o restabelecimento do doente, pois, não sabemos se o processo é cármico, se a doença irá piorar ou não.

Não cabe ao grupo espírita substituir a medicina e seus recursos. O que seria mesmo uma ilegalidade, bem caracterizada como exercício ilegal da medicina, independente, do trabalho ser gratuito. Certamente, se houver o diagnóstico de processos obsessivos, cabe ao grupo espírita propor a terapêutica espírita, mas sem substituir a que o paciente já vem utilizando com orientação médica.

A terapêutica espirita é essencialmente de natureza moral. E por que ? Simplesmente porque o Espiritismo não veio tratar anemias ou verminoses, não trata fraturas ou casos cirúrgicos, embora, existam cirurgias espirituais. O Espiritismo destina-se ao ser imortal, não ao ser que morre. Propõe a harmonização do ser, para que o corpo reflita essa harmonia. O passe, a prece, a palavra amiga, são recursos que se destinam ao espírito, embora o corpo deles se beneficie. A saúde real nunca será o produto de comprimidos ou recursos tecnológicos avançados, mas um reflexo da harmonia do ser.

 

 

MOTIVOS PARA SER ESPÍRITA

Creio que toda crença, seja ela de natureza religiosa ou não, tem na sua utilidade o seu principal motivo. O materialismo, por exemplo, é uma crença que além de não ser útil, é essencialmente nociva, daí não ser adequado para ninguém. A crença de natureza religiosa é útil na medida em que conforta na dor e nos revela o sentido da existência.

Existe uma diferença entre motivo e sentido. A tristeza, por exemplo, pode ser motivada por acontecimentos desagradáveis, este é o seu motivo. Ninguém fica triste por ficar triste, mas por um motivo. Naturalmente, a natureza humana poderia ser de tal forma que poderíamos não nos importar com nada, independente, da natureza do acontecimento. O homem poderia ser de tal forma que nada lhe afetaria. Poderia comportar-se frente à morte de um amigo da mesma forma que após o nascimento de um filho.

Somos espíritas porque a doutrina espírita foi codificada por Allan Kardec, a fim de que fôssemos espiritas, o Espiritismo precisaria primeiro existir. Muitos são católicos por tradição familiar, assim lhes foi ensinado. Outros são ateus por lhes faltarem um sentido para acreditarem em Deus. Em relação ao Espiritismo, pode se passar a mesma coisa. Muitos são espíritas sem mesmo entenderem seus fundamentos e propostas.

Qual o sentido de ser espírita? Não o seu motivo, mas o real sentido de se tornar espírita? Diferentemente das demais religiões, a doutrina espírita propõe uma visão de mundo e do homem radicalmente diferente do senso comum e das demais religiões. Primeiramente, o Espiritismo não é somente uma religião, mas uma ciência e uma filosofia. Claro que você não procurou o Espiritismo a fim de se tornar um cientista ou um filósofo, por isso, o aspecto religioso da doutrina espírita é o mais enfatizado. Entretanto, é sempre bom lembrar que o Espiritismo não trata apenas de consolação e cura, mas nos oferece uma visão global do universo e de nós mesmos.

Evidentemente, muitos procuram a religião com a intenção de serem salvos. Uma vez sendo salvos, estão dispensados de se importar com o próximo e até mesmo consigo próprios. Uma vez no céu, para que se importar com você e com o próximo? É certo que ninguém é obrigado a pensar assim apenas por já estar salvo, mas é necessário reconhecer que não existirão grandes motivos para você abandonar o céu da salvação para se envolver em problemas alheios.

No Espiritismo não existe esse tipo de céu oferecido por todas as religiões, o espiritismo fala de mundos melhores, que habitaremos após retornar à Terra inúmeras vezes. Aliás, um mundo é melhor devido ao fato de seus habitantes serem melhores. Se todos os habitantes da terra fossem transferidos para um mundo superior, este mundo em breve estaria muito parecido com a Terra. Todos vão para o céu, somente o espírita retorna para a terra.

Percebemos que o espírita se torna espirita a fim de se tornar melhor, embora, como todo mundo, também queira ser salvo. A salvação para o Espiritismo se encontra no exercício da caridade que consiste na benevolência para com todos, perdão das ofensas e amor aos inimigos. Evidentemente é natural amar o amigo, mas este é um amor incompleto. O amor verdadeiro e completo não pensa em retribuição ou em um sentir-se bem, mas em acolher a totalidade da vida, onde se incluem seres inanimados, a natureza e, evidentemente, os inimigos que fazem parte da totalidade da vida. Francisco de Assis chamava a lua de irmã e o lobo de irmão, seu amor erra total e irrestrito.

Os motivos para se tornar espírita são estranhos ao homem comum. No livro O Evangelho Segundo O Espiritismo, lemos que a felicidade não é deste mundo, exceto, para os que apenas desejam fazer os outros felizes. Se você tiver apenas esta preocupação, sem cogitar da própria felicidade, poderá ser feliz aqui mesmo. Raramente encontramos alguém que pense assim.

Ir para o céu não é motivo para se tornar espírita. Saber de onde viemos e para onde vamos é um estímulo para se tornar espírita, mas ninguém é espírita apenas por saber tais coisas. Tampouco, se é espirita por entender profundamente a ciência e a filosofia espírita. Um bom filósofo poderia fazer isso e mesmo um ateu ( embora nunca tenha visto um ateu que compreendesse o Espiritismo). O real motivo para se tornar espírita é ligar-se racionalmente a Deus, não somente para comprendê-lo de forma mais adequada, mas para amá-lo de forma adequada e não se pode amar à Deus sem amar ao próximo.

É uma proposta de transformação do homem e do mundo, o Espiritismo. É um processo longo e progressivo. Aperfeiçoasse à medida que a humanidade se melhora e a humanidade se torna melhor ao aceitar os ideais espíritas. É uma estrada de dupla via. A humanidade se torna melhor ao aceitar e praticar os postulados espíritas, o Espiritismo é melhor compreendido em uma sociedade de homens de bem.

joão Senna.

A OBSESSÃO E SEUS DISFARCES

A obsessão é a influência negativa que um espírito exerce sobre outro. Comumente, é entendida como a ação de um espírito desencarnado sobre um encarnado, mas nem sempre é assim. A perturbação pode se originar de um encarnado para um desencarnado através da influência mental. A obsessão é sempre um processo que se mantém por influência mental, e esta é atraída de acordo com a semelhança de propósitos, sentimentos e convicções entre os dois espíritos.

No fundo, a obsessão é sintonia e sintonia é união de propósitos ou sentimentos. Se desejo o mal, é natural que espíritos que também o desejam se liguem a mim. Se sou culpado de algo e tenho consciência do erro, é mais que esperado que àqueles a quem devo venham em minha direção. Afinal, a dívida é cobrada junto ao devedor.

Não se imagine, porém, que a causa da obsessão seja a culpa, pois, não é. A perturbação que um espírito exerce sobre o outro decorre da falta do perdão, nos casos de desejo de vingança. Onde existe o perdão, não existe a obsessão, mesmo que persista a culpa. O erro somente é extinto com a sua correção. Certo espírito escreveu através de Chico Xavier: perdão não apaga a culpa, quando o remorso crucia, mas é remédio de Deus que abençoa e anestesia.

Ocorrem processos obsessivos por vários motivos. A simples dedicação ao bem gera inveja e despeito em muitos espíritos. Muitos são os adversários gratuitos do bem. O Espiritismo tem adversários em número incalculável no plano espiritual, como também amigos e fiéis protetores.

As obsessões de maior gravidade, geralmente, decorrem de graves erros cometidos em vidas anteriores, nós não lembramos, mas os espíritos à quem prejudicamos se lembram perfeitamente. É o desejo de vingança que não se extingue apenas porque se passaram muitos anos ou séculos.

Não devemos confundir obsessão com perturbação de natureza espiritual. Na obsessão, o espírito exerce uma maior influência em nossas atitudes e sentimentos, na perturbação ele apenas nos confunde e atrapalha, sem conseguir dominar nossa vida. Os espíritos não vinculados ao bem ou francamente maus, sempre nos perturbam, embora, nem sempre consigam promover a obsessão. É preciso haver a comunhão de pensamentos, sentimentos e atitudes para que se instale o processo obsessivo.

Quais os disfarces da obsessão? Essencialmente, os espíritos perturbadores utilizam os nossos vícios, desequilíbrios emocionais e nossos desvios intelectuais, mas sobretudo nossa indigência de ordem moral. Eles estimulam nossos defeitos como ciúmes, vaidades, intelectualismo, preconceitos, etc… Existe uma ampliação  dos mesmos através de um bombardeia mental continuo. Perturba-se através da lembrança constante daquilo que gostaríamos ou deveríamos esquecer.

Se um homem ou mulher são ciumentos, os espíritos irão utilizar essa insegurança emocional ou desejo de dominação. Imaginemos um marido ciumento que visita sua esposa no trabalho ou encontra o chefe de sua esposa em um restaurante. No encontro, o chefe elogia a esposa do marido ciumento, tece comentários positivos sobre a mesma, qualifica-a como funcionária exemplar, insubstituível.

O marido poderá ficar lisongeado, mas instala-se um pequeno germe de ciúmes. Em uma sexta feira a esposa chega atrasada e diz que teve que permanecer um tempo a mais no trabalho. O marido pergunta porque e ela responde: estava com meu chefe resolvendo um problema de documentação. Outras vezes, o problema se repete em outros dias, pois, a empresa está realmente precisando do trabalho extra de sua funcionária. Temos aí o início do desentendimento familiar podendo chegar à separação.

imaginemos um homem violento e com um grande estresse emocional no trabalho. Justamente no dia em que é demitido, o mesmo é “fechado” por um carro no trânsito. O motorista grita com o outro e quer tirar satisfação. Descem do carro e começam a brigar. Não vemos até morte decorrentes de brigas no trânsito? O mesmo ocorre em bares. Os espíritos podem influenciar ambos os motoristas a fim de gerar o desentendimento.

Outros são expostos a situações onde poderão lucrar financeiramente por meios ilícitos e, quando são materialistas e ambiciosos em demasia, acabam por se envolver em crimes financeiros por encontrarem “por sorte” uma situação muito favorável. Muitas vezes, são espíritos obsessores que promovem os tais acasos e “facilidades”.

E por que os bons espíritos não nos influenciam para que façamos o bem? Por que não emitem ondas mentais com idéias de realizarmos trabalhos voluntários, campanhas em benefício dos necessitados e outras atividades promotoras do bem comum? Na verdade, os bons espíritos nos influenciam continuamente, mas não tem tanto sucesso como os maus espíritos. E por que isso ocorre? Tal se deve ao nosso egoísmo, vaidade e sentimento de superioridade. Simplesmente não lhe damos ouvido, como se diz sobre uma pessoa que não acolhe e obedece os bons conselhos que lhe dão.

Deus permite que exista a obsessão a fim de que cada um desenvolva sua fortaleza moral e emocional junto à situações onde as mesmas precisarão se desenvolver. O orai e vigiai não é apenas um preceito moral destinado somente às pessoas religiosas, mas se estende para todos os seres conscientes da necessidade de perseverarem no bem.

João Senna.

 

 

DISCUSSÃO X DISCORDÂNCIA NO MOVIMENTO ESPÍRITA

O Espiritismo não possui dogmas ou hierarquia. Não há representantes oficiais ou iluminados que possam ser os seus intérpretes. Evidentemente, existem os que se destacam pelo caráter, inteligência, cultura e dedicação à causa do bem, mas tal fato não os torna oráculos infalíveis da interpretação dos textos espíritas. Tais pessoas são indispensáveis e revelam o poder transformador da doutrina espírita, mas o Espiritismo é de livre interpretação.

Essa característica de nossa doutrina é um remédio contra o espírito de dominação que tem acompanhado a psicologia dos seres humanos. Gostamos não apenas de estar certos, mas de que todos pensem como nós pensamos. É uma atitude infantil de difícil erradicação e creio que anime a todos em menor ou maior grau. Esta é uma das vantagens do movimento espírita, somos livres pensadores ou, diria melhor, pensadores livres. Esta característica desejável como princípio, poderá permitir o surgimento de concepções contrarias à razão e ao bom senso dentro do movimento espírita. Precisamos estar atentos para tal fato a fim de não sermos, sem o querer, elementos de perturbação ou franca dissidência no meio espírita.

O comportamento de muitos companheiros de doutrina, valorosos obreiros do bem, muitas vezes se desvia do bom senso ao tentarem defender a codificacão espírita de forma intempestiva. Da simples discordância sobre temas espíritas, passam a fazer reparos à médiuns e instituições. Certamente é dever de consciência defender o bem e os princípios espiritas, mas na justa medida em que respeitamos o livre direito de expressão do nosso próximo, mesmo que suas idéias sejam claramente absurdas e carreguem o germe da permissividade e de desvios doutrinários graves. Não podemos fugir da urbanidade e do espírito de fraternidade que é a essência mesma do cristianismo, sob pretexto de defender a verdade ou  aquilo que julgamos ser o correto.

Toda vez que observarmos textos que desmereçam médiuns ou instituições através de ataques pessoais, podemos estar certos que algo muito ruim esta ocorrendo. Se um médium se rende à vaidade e ao personalismo, se patrocina mesmo a permissividade moral e vulgariza a comunicação com os bons espíritos, se transforma a palestra espirita em um show de gosto duvidoso, que podemos fazer? O público que vai e concorda com tal espetáculo é tão ou mais culpado que aquele que o patrocina. Não nos cabe ir em cruzada contra tais comportamentos, embora, devamos esclarecer a quem nos recorre sobre a inadequação de se deixar envolver por certos comportamentos e idéias.

Existe muita diferença entre discordar de uma idéia e discutir com a pessoa que a representa. Discordar é um fato inevitável, discutir é plenamente evitável.

A discordância é essencialmente diferente da discussão. A primeira é o resultado da diferença de nível intelectual e moral alcançado pelas individualidades. Pode ser também decorrente de levarmos em conta diferentes aspectos de uma questão ou tomarmos tal aspecto como algo absoluto.

Platão em, O Evangelho Segundo O Espiritismo, afirma que a maioria das discussões surge devido a palavras diferentes usadas para o mesmo conceito, ou melhor, palavras iguais identificando conceitos diferentes sem que os interlocutores se deem conta. É a guerra de palavras na expressão de Platão.

É natural que, não tendo atingido niveis idênticos ou mesmo semelhantes de compreensão, cada um de nós não tenha a mesma opinião sobre o mesmo assunto. Aprender a conviver com a diversidade é uma arte e também um sinal de maturidade emocional.

A discussão é o ego tentando impor seu desejo. É o ser que, saindo da esfera das idéias e dos nobres ideais, se dirige ao outro para desqualificá-lo. É caracterizada, a discussão, pelo excesso de adjetivos e pela pobreza de argumentos racionais. Ao presenciá-la lemos e ouvimos termos como: você é radical, não tem uma visão mais ampla, é conservador, é racionalista demais ou emotivo. Convenhamos que ninguém é racionalista demais ou honesto demais, chamar alguém de racionalista apenas indica o nosso desejo de que esta pessoa não seja racional ou emotiva a depender daquilo que achamos inadequado. Onde estão os motivos lógicos ou morais para a divergência de opinião? Claramente, a pessoa não os tem ou não soube torná-lo claro.

Allan Kardec declara que a fé inabalável seria somente aquela que pudesse encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade. Esta afirmação nos coloca bem distante de opiniões ou desejos, gostos literários ou partidarismo por uma causa que defendemos somente por que gostamos, porque aprendemos antes ou por admirar médiuns, personalidades e instituições. Não que não possam e devam existir respeito e admiração de nossa parte, mas porque  na busca da verdade são elementos muitas vezes inadequados e nunca servem para um diálogo produtivo entre aqueles que, realmente, estão dispostos a ouvir o outro.

João Senna