MORTE ENCEFÁLICA: VISÃO ESPÍRITA

O Espiritismo esclarece que a morte é o retorno do espírito ao plano espiritual. Não temos, portanto, de temê-la ou dar a ela uma dimensão maior que aquela que possui. A vida é um aprendizado, o corpo é uma veste de que nos utilizamos.

O nosso retorno ao mundo dos espíritos decorre de vários fatores. Antes de reencarnar, fazemos planos que contribuem para o nosso aprimoramento intelecto-moral. É dado a cada um determinado período para que possa cumprir seus objetivos. Esse tempo se estende de meses a mais de um século na dependência da necessidade evolutiva de cada um. Nem todos os espíritos tem tal planejamento reencarnatório,os espíritos mais inferiores em termos evolutivos, podem ter a reencarnacão como processo automático e compulsório, sem estarem conscientes do próprio retorno ao mundo.

Temos um tempo certo para desencarnar? Sim, temos. Esse tempo poderá ser reduzido ou ampliado? Certamente podemos reduzi-lo ou aumentá-lo na dependência do bom ou mau uso que fazemos do corpo. Os bons espíritos poderão aumentar nossa permanência na terra a depender de necessidades específicas ou abreviá-la na dependência do nosso comportamento. Não somos senhores absolutos de nossas vidas. Somente Deus pode avaliar com real e absoluta justiça o que é melhor para cada um de seus filhos.

A interrupção da atividade do tronco encefálico é denominado de morte cerebral. Cessam todas as atividades cognitivas relacionadas ao organismo do ser preso ao corpo. Nesse estado, o espírito desencarnará em tempo muito curto, mesmo com toda tecnologia médica disponível. Não é mais possível ao espírito a sua ligação com o corpo, é impossível a continuidade da vida como espírito encarnado.

Ao espírita, mais que a qualquer outro, cabe a ação de doar os seus órgãos para que outros espíritos possam se beneficiar. É o seu último gesto de amor nessa encarnação. Não deve temer ficar preso ao corpo, mesmo porque, seu corpo se desligará do seu espírito devido à morte cerebral. Queira o doador ou não, nada valerá ao espírito ter todos os seus órgãos no cemitério.

O gesto de amor, que é a doação dos órgãos, atrai o auxílio dos bons espíritos. Estes facilitarão o desligamento do espírito a fim de que seja muito mais fácil o desligamento do corpo. Os espíritos que se recusam a doar seus órgãos, mesmo após a morte encefálica, apresentam muito maior dificuldade de desligamento que aqueles que, generosos e movidos pelo amor ao próximo, doam seus órgãos.

Na morte cerebral cada espírito ficará consciente ou não na dependência de seus valores morais e do grau de entendimento que tenha alcançado em relação à vida, ao próximo, a Deus e a si mesmo. O fato de o cérebro estar morto não implica em as faculdades mentais do espírito também estarem suspensas. Não podemo, entretanto,  generalizar. Cada caso é um caso. Cada um morrerá conforme viveu para despertar alegre com a consciência tranquila ou encontrar as dificuldades que cultivou.

joão Senna

5 pensamentos em “MORTE ENCEFÁLICA: VISÃO ESPÍRITA”

  1. Muitos familiares tem dificuldade de doar os órgãos dos seus familiares porque nós não lhes informamos que o corpo morre mas continuamos vivos em espírito.O corpo morto não necessita desses órgãos mas nossos irmãos que estão nas filas aguardando um transplante sim.Vamos nos manifesta a favor a doação enquanto ainda podemos .

    1. É compreensível esta dificuldade devido ao corpo ser identificado com o indivíduo, mas o esclarecimento espiritual auxilia. Outro grande motivo é a dificuldade de se. Inovar no lugar do outro. E se fosse alguém da minha família que precisasse do órgão?

  2. Eu tenho uma dúvida!
    Quando há apenas a morte encefálica, ou seja, os outros órgãos estão funcionando, e o médico diz que não é reversível o quadro e decide por desligar os aparelhos, podemos dizer que houve homicídio? O que acontece com o espírito?Ele fica desligado do corpo já quando há a morte encefálica?

    1. Dependerá da condição espiritual de cada espírito. Geralmente o espírito está ligado aquele corpo mesmo que não haja o cérebro. Do ponto de vista espiritual não deveríamos abreviar a existência dos embriões anencéfalos. O problema é que a medicina nada sabe sobre esse aspecto.

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