MOTIVOS PARA SER ESPÍRITA

Creio que toda crença, seja ela de natureza religiosa ou não, tem na sua utilidade o seu principal motivo. O materialismo, por exemplo, é uma crença que além de não ser útil, é essencialmente nociva, daí não ser adequado para ninguém. A crença de natureza religiosa é útil na medida em que conforta na dor e nos revela o sentido da existência.

Existe uma diferença entre motivo e sentido. A tristeza, por exemplo, pode ser motivada por acontecimentos desagradáveis, este é o seu motivo. Ninguém fica triste por ficar triste, mas por um motivo. Naturalmente, a natureza humana poderia ser de tal forma que poderíamos não nos importar com nada, independente, da natureza do acontecimento. O homem poderia ser de tal forma que nada lhe afetaria. Poderia comportar-se frente à morte de um amigo da mesma forma que após o nascimento de um filho.

Somos espíritas porque a doutrina espírita foi codificada por Allan Kardec, a fim de que fôssemos espiritas, o Espiritismo precisaria primeiro existir. Muitos são católicos por tradição familiar, assim lhes foi ensinado. Outros são ateus por lhes faltarem um sentido para acreditarem em Deus. Em relação ao Espiritismo, pode se passar a mesma coisa. Muitos são espíritas sem mesmo entenderem seus fundamentos e propostas.

Qual o sentido de ser espírita? Não o seu motivo, mas o real sentido de se tornar espírita? Diferentemente das demais religiões, a doutrina espírita propõe uma visão de mundo e do homem radicalmente diferente do senso comum e das demais religiões. Primeiramente, o Espiritismo não é somente uma religião, mas uma ciência e uma filosofia. Claro que você não procurou o Espiritismo a fim de se tornar um cientista ou um filósofo, por isso, o aspecto religioso da doutrina espírita é o mais enfatizado. Entretanto, é sempre bom lembrar que o Espiritismo não trata apenas de consolação e cura, mas nos oferece uma visão global do universo e de nós mesmos.

Evidentemente, muitos procuram a religião com a intenção de serem salvos. Uma vez sendo salvos, estão dispensados de se importar com o próximo e até mesmo consigo próprios. Uma vez no céu, para que se importar com você e com o próximo? É certo que ninguém é obrigado a pensar assim apenas por já estar salvo, mas é necessário reconhecer que não existirão grandes motivos para você abandonar o céu da salvação para se envolver em problemas alheios.

No Espiritismo não existe esse tipo de céu oferecido por todas as religiões, o espiritismo fala de mundos melhores, que habitaremos após retornar à Terra inúmeras vezes. Aliás, um mundo é melhor devido ao fato de seus habitantes serem melhores. Se todos os habitantes da terra fossem transferidos para um mundo superior, este mundo em breve estaria muito parecido com a Terra. Todos vão para o céu, somente o espírita retorna para a terra.

Percebemos que o espírita se torna espirita a fim de se tornar melhor, embora, como todo mundo, também queira ser salvo. A salvação para o Espiritismo se encontra no exercício da caridade que consiste na benevolência para com todos, perdão das ofensas e amor aos inimigos. Evidentemente é natural amar o amigo, mas este é um amor incompleto. O amor verdadeiro e completo não pensa em retribuição ou em um sentir-se bem, mas em acolher a totalidade da vida, onde se incluem seres inanimados, a natureza e, evidentemente, os inimigos que fazem parte da totalidade da vida. Francisco de Assis chamava a lua de irmã e o lobo de irmão, seu amor erra total e irrestrito.

Os motivos para se tornar espírita são estranhos ao homem comum. No livro O Evangelho Segundo O Espiritismo, lemos que a felicidade não é deste mundo, exceto, para os que apenas desejam fazer os outros felizes. Se você tiver apenas esta preocupação, sem cogitar da própria felicidade, poderá ser feliz aqui mesmo. Raramente encontramos alguém que pense assim.

Ir para o céu não é motivo para se tornar espírita. Saber de onde viemos e para onde vamos é um estímulo para se tornar espírita, mas ninguém é espírita apenas por saber tais coisas. Tampouco, se é espirita por entender profundamente a ciência e a filosofia espírita. Um bom filósofo poderia fazer isso e mesmo um ateu ( embora nunca tenha visto um ateu que compreendesse o Espiritismo). O real motivo para se tornar espírita é ligar-se racionalmente a Deus, não somente para comprendê-lo de forma mais adequada, mas para amá-lo de forma adequada e não se pode amar à Deus sem amar ao próximo.

É uma proposta de transformação do homem e do mundo, o Espiritismo. É um processo longo e progressivo. Aperfeiçoasse à medida que a humanidade se melhora e a humanidade se torna melhor ao aceitar os ideais espíritas. É uma estrada de dupla via. A humanidade se torna melhor ao aceitar e praticar os postulados espíritas, o Espiritismo é melhor compreendido em uma sociedade de homens de bem.

joão Senna.

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