RELAÇÃO AFETIVA NA VISÃO ESPÍRITA

O relacionamento afetivo tem sentido existencial para a doutrina espírita, significa dizer que damos ao mesmo um significado que não se restringe a meros valores biológicos como comportamento da espécie e outras característica atribuidos ao organismo.

Não se trata apenas de fatores culturais ou hábitos reforcados pela sociedade o que determinará a dinâmica dos relacionamentos afetivos. Claro que o Espiritismo reconhece os fatores sociais e biológicos como participantes na afetividade, mas não lhes dá a supremacia sobre o perfil dos relacionamentos afetivos.

A doutrina espírita reconhece no ser imortal  o fator que dá origem, direção e sentido aos relacionamentos afetivos. É o espírito, como ser reencarnado com múltiplas experiencias e expectativas, que se relaciona afetivamente e efetivamente com outro ser, não é a cultura ou a espécie. A própria cultura e características biológicas estarão submetidas à estrutura psicológica do espírito que mergulha, superficialmente ou não, na relação afetiva.

Todo relacionamento entre dois seres será moldado em grande parte, não só pelos fatores objetivos que ocorrem na relação, mas será grandemente interpretado com a lente das expectativas de quem olha e participa deste processo. Natural, portanto, que antigos comportamentos se repitam em relacionamentos novos e que poderiam ser adequados à experiência vivenciada em outras vidas e não à atual existência.

Assim, alguém com grande autoridade política e poder econômico em vida anterior, irá representar a si mesma com estes valores, mesmo que tenha uma vida “humilde” nesta encarnação. Irá procurar para si uma pessoa com as qualidades que julga merecer, como se ainda fosse poderosa e rica. Percebe-se o conjunto de frustrações em que, provavelmente, viverá tal pessoa.

Outra pessoa se apresentará com inibições sexuais, não somente originadas de uma educação mais conservadora, mas ligada a uma situação do século dezessete, digamos. Certamente, poderá ter dificuldades em vivenciar comportamentos de uma época mais liberal em termos de sexualidade, como a nossa época.

Existirão pessoas com grandes traumas e decepções no setor da afetividade e que, não se libertando de antigas mágoas, irão ter um relacionamento frio e desconfiado com o novo parceiro, mesmo que este nada tenha com os antigos relacionamentos da pessoa amada. Obviamente, estes casos são de complexa solução, exigindo muita compreensão e renúncia de ambas as partes.

O Espiritismo percebe a relação afetiva de natureza sexual ou não, como um encontro de almas, não de sexos. Evidentente, a relação de natureza sexual restringe-se ao plano material em que vivemos, plano este em que a relação sexual é indispensável à procriação das espécies e contribui para a harmonia do ser quando bem orientada. Mesmo na situação de espíritos encarnados, quando a característica sexual prepondera enormemente em relação ao caráter “afetivo-romântico”, teremos sempre relações superficiais e, portanto, não satisfatórias do ponto de vista emocional.

Não foi sem motivo que os espíritos superiores disseram à Kardec que os espíritos não tem sexo,  mas possuem simpatia e afinidades. Isto ocorre porque o amor não necessita obrigatoriamente de órgãos sexuais, que os espíritos não possuem, como não possuem olhos ou ossos ou reumatismo.

A relação de amor não pode ser uma relação de negócios. Não podemos impor ao ser amado idealizado, qualidades ou possibilidades que ele não apresenta. Evidentemente, ninguém é obrigado a conviver com a humilhação sistemática, com o desprezo explícito ou com a violência física e emocional de grau extremo.

Não devemos, entretanto, buscar no outro aquilo que nos falta. Não terá bons resultados escolher o ser amado através de um escore de pontos onde calculamos os ganhos e prejuízos. Computamos a utilidade do relacionamento e concluímos que estando satisfatório, podemos nos relacionar. Essa é a fórmula do Principe Encantado ou da bela Adormecida, que são belas estórias, mas que nunca deram bons resultados em nosso mundo que, afinal, é um mundo de expiação e de provas, como nos ensina o Espiritismo.

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