DESENCARNAÇÃO COLETIVA: uma visão espírita

A morte coletiva é tão natural quanto a morte individual, apenas que a primeira nos chama mais atenção e nos causa mais comoção. Se a morte fosse percebida com a naturalidade que ele merece, não teríamos tantas indagações e espanto quando deparados com os desastres de variada ordem onde dezenas ou centenas de vidas são perdidas, segundo a concepção materialista.

O que causa espanto nas mortes coletivas é também o fato dela nos lembrar a nossa própria mortalidade. Se o homem tivesse a certeza da sua imortalidade não haveria tal espanto diante de tragédias coletivas e pensaria que, no fundo, não são tragédias. Todos retornamos ao plano espiritual pelo fenômeno da morte e morrer de forma rápida não nos parece ser uma forma ruim de se morrer. Muito mais trágico é a morte que se dá aos poucos como no caso de doenças incuráveis, onde o indivíduo tem um sofrimento indescritivelmente maior que os causado por acidentes aéreos ou tipos semelhantes.

Temos muitas vidas e essas vidas guardam relação entre si. Ninguém imagine que o passado fique no passado como a nossa ignorância espiritual permite supor. Não é preciso remoer o passado ou ficar lembrando coisas desagradáveis, o passado se lembra de nós através de nós mesmos. O erro cometido no passado retorna na forma de duras experiências da vida presente.

A pessoa cruel e destruidora de sonhos, podera ter em próxima encarnação  os seus sonhos destruídos e sentir em si mesma a crueldade que reservava aos outros. Não é uma vingança de Deus ou a consciência que a si mesma se julga. São as próprias leis de Deus que dirigem os destinos onde esse destino foi recusado de ser dirigido pelo homem. Não podemos fazer de nós aquilo que sempre quisermos e por tempo indefinido. Um dia chega em que a própria dor se revolta contra aquele que a patrocina.

Pessoas que causaram mortes violentas podem vir a sofre morte violenta em futura encarnação a fim de por experiência pessoal ( não teórica) aprendam a viver conforme a vida deve ser vivida. Claro que muitos, através do amor, resgatam débitos do passado pagando com a moeda do amor o que fizeram de errado. O problema é que muitos continuam a afundar, vítimas de si mesmos, e se recusam a deixar desabrochar o germe do amor que todos temos. No final, às vezes, de muitas encarnações resolvem sentir a dor que causaram, para que a dor lhes ensine o que eles próprios se recusaram a aprender com o amor.

As pessoas que sucumbem em mortes coletivas resgatam seus débitos perante a própria consciência e perante Deus. Devemos mesmo admirá-las muitas vezes por terem a coragem de se submeterem a tal expiação. Quem sabe amanhã não serã a nossa vez? Quem poderá dizer o que nos reserva o futuro?

Muitos estranham que os espíritas falem de resgates coletivos, mas se existem resgates individuais, por que não poderia haver os resgates coletivos? Se a lei humana determina que o criminoso pague sua pena e achamos isso justo, por que estranhamos quando tal medida é instituída por Deus? Certamente que uma vida poderia não ter relação alguma com a próxima vida, ficaria tudo apagado e começaríamos do zero. Perguntai a Deus por que fez o mundo dessa forma e não da forma que muitos gostariam.

Quantos não se uniram a muitos outros e ainda se unem para promover a crueldade, para enganar o povo, para trair corações? Como o espírito iria se melhorar se encontra-se sempre a estrada florida e as glórias após cometer infrações abomináveis contra o seu próximo? Não é por azar que muitos desencarnam em desastres coletivos e não é por milagres sobrenaturais que muitos se salvam. Se todos são filhos de Deus, por que o milagre não ocorre com todos? Por que o idoso doente se salva e o jovem saudável retorna violentamente ao mudo espiritual?

Qual a atitude esperada do espírita diante das grandes tagédias? A oração pelos que partiram e por seus parentes. A solidariedade em pensamento, sentimento e ação. Se muitos podem comentar suas mortes, se podem se espantar e divulgar a morte dos outros como se essas mortes dissesse respeito a eles, se podemos fazer tudo isso, então, podemos também orar e torcer por eles.

DEFININDO O QUE É SER: uma abordagem espírita

Um dos problemas mais fascinantes da filosofia é o ser. Parmenides afirma que o ser é, o não ser não é. Heráclito afirmava: tudo muda, o ser é o vir a ser. Observemos o quão complexa é a proposta de apenas definir o que é o ser, imaginem estudar este ser, seja o que for, e comprendê-lo em sua significado, caso tenha um significado.

Acredito que a definição do ser exige que ele tenha sido criado. Quando falamos algo sobre alguma coisa, supomos que este algo tenha uma utilidade, que exista não só em função de si mesmo, mas que esteja integrado ao que lhe rodeia. Observe que quando tentemos definir, por exemplo, o que é um cachorro, o que fazemos? Falamos que é um mamífero, um animal, que late, etc… Tudo o que falamos tem relação com outras coisas. Existe o mamífero por que existem outros seres que se alimentam de leite. Experimente definir algo sem atribuir a este algo uma função, uma relação com outros seres e situações.

Algo para ser algo deve ter um significado que não dependa somente de si mesmo. Não posso dizer que sou um homem e ao mesmo tempo atribuir a mim características ou propósitos que não existam ou possam existir em outros homens. Quando afirmo que sou homem porque gosto de matar ou roubar, não parece que tenha definido o homem, pois, não necessito roubar ou matar para ser um homem.  Se digo, por exemplo, que atravesso paredes, então, devo ser um espírito e não um homem encarnado. Pessoas não atravessam paredes. O ser sempre existe em função de algo que lhe é exterior e que atribui ao homem uma finalidade superior. Um leão pode matar, um homem também pode, mas somente o homem pode amar e ter senso moral.

Se existimos com um significado exterior a nossa individualidade, então, este algo algo deve ter ele mesmo um significado mais efetivo que nós mesmos. Isso é intuitivo. Um problema de matemática, por exemplo, só poderá ser resolvido por um ser inteligente. É natural que se admita que toda solução e propósito tenha uma finalidade, que tenha como objetivo algo maior que o problema. O homem só poderã ser definido em função de algo que não seja fruto do acaso, que não lhe seja totalmente alheio.

O materialismo defende a idéia de que a existência é anterior à essencia. O homem não tem função alguma, ele inventa para si mesmo uma função e um significado. Ora, se isso fosse verdade, o ser que somos seria apenas um desejo, uma concepção alheia ao mundo, uma desculpa para dar a nós mesmos a ilusão de sermos algo, quando na verdade somente seríamos mais um objeto no mundo. Seríamos como um sapato com comportamento diferente.

Nessa concepção do ser e, por extensão, do homem, não existe muito espaço para o respeito ao outro, exceto, se for o respeito que damos a nós mesmos ou ao mais forte. É fácil defender o aborto dentro da concepção materialista, pois, se o homem inventa a si mesmo, se a sociedade é que nos modela e cria, o embrião nada mais é do que um projeto do homem, não um homem. Observemos que as pessoas favoráveis ou que pelo menos admitem o aborto, não consideram o aborto um assassinato, pois, não consideram o feto ou embrião uma pessoa. Nessa perspectiva, nada mais natural que abortá-lo caso se deseje, afinal, ele ainda nada é.

O espiritismo entende que somos seres espirituais não somente por que nossa essência difere de tudo o que chamamos matéria, mas por termos um significado na existência. Certo que este significado deva existir de fato e não ser inventado por forças sociais que se manifestão pelo elemento cultural. Não podemos ser o resultado aleatório de conceitos construídos pela cultura e reforçados pelo hábito. Se quisermos ser algo que realmente tenha significado, devemos fazer parte de algo maior.

O espiritismo afirma que esse algo é Deus, este ser que fornece o significado ao próprio homem, fazendo que o mesmo não esteja na existência como um ser alheio a si mesmo, como sendo apenas uma invenção mais ou menos feliz de sua vontade. O ser não se faz a si mesmo, ele descobre o seu significado, significado que existe e subsiste numa mente eterna que denominamos Deus.

O ESPÍRITA E A FILOSOFIA

O Livro Dos Espíritos é o fundamento teórico do Espiritismo. Encontramos nele toda a doutrina espírita no que diz respeito aos seus postulados, sua estrutura, sua visão de mundo, a definição de seus termos. Em sua página inicial lemos: filosofia espiritualista. Apenas isso revela a importância da filosofia e a necessidade que todo espírita tem em pensar filosoficamente ou, ao menos, comprender o pensamento de natureza filosófica e sua importância.

É a filosofia que permite ao homem perceber a adequação do seu pensamento em relação ao que esta pensando. Aprendemos com ela a indagar a respeito de nós mesmo, o que somos, qual a nossa finalidade existencial, quais as nossas possibilidades. Qual a relação que existirá entre o que penso de  mim mesmo, o que sou ou poderei vir a ser.

Sinto-me bem quando estou sozinho ou preciso sempre estar sempre junto de muitas pessoas ou de alguém em especial? Sartre, filósofo existencialista, nos revela: se você se sente mal quando está sozinho é porque está em má companhia. Você gosta de estar ao lado de pessoas tristes? Então, se você está depressivo, não poderá estar bem consigo mesmo. O impulsivo sabe por experiência própria o quanto já perdeu por ser impulsivo. As palavras que não deveria ter dito, o que fez por impulso e, portanto, sem reflexão. Somente por sorte algo feito sem pensar pode dar certo

Se não pode se mudar de onde você está, mude a pessoa que você é. A fim de mudar quem você é, primeiro você deve se conhecer. Não basta apenas se conhecer, é indispensável comprender o que faz bem para você e o que faz mal. Se você já soubesse o que é bom para você ou se já estivesse claro o que lhe faz bem, certamente, não teria feito todas as coisas que lhe fizeram mal. A não ser que não goste de si mesmo. Isso é filosofia e a filosofia somente não terá importância para você quando você não se importar consigo mesmo ou acreditar em mágica de salão e facilidades inexistentes.

A questão de difícil solução é tornar o espírita, não um filósofo, mas alguém capaz de pensar ou perceber a coerência de um argumento. O espírita já não está na fase de pensar sem correção, fazer o que acha certo só por achar que é certo, gostar de algo somente porque esse algo lhe dá prazer. O achismo, o caminho exclusivo, a elevação do gosto ao critério de escolhas é bom para escolher o que se vai comer, não como se vai viver.

O problema é que o país mais espírita do mundo, também tem um dos piores sistemas de educação. Nossos professores são, em geral, despreparados, com condições desfavoráveis de ensino e o nosso currículo escolar é feito a toque de ideologia e por partidos políticos. Se não aprendemos a pensar corretamente na escola, não é o espiritismo que irá nos ensinar.

Qual uma possível solução para isso? Vamos a um exemplo concreto. Algumas igrejas evangélicas estimularam alguns de seus crentes a aprender a ler a fim de estudarem a Bíblia. Os grupos espíritas podem fazer algo semelhante estimulando a formação de grupos de estudo das obras da codificacão e outras obras que possam a trazer algo em acordo com a codificacão espírita. Devemos ter pessoas com conhecimentos um pouco melhor de filosofia ou com espírito crítico racional mais desenvolvido para facilitarem o entendimento do grupo.

Devemos ter o cuidado para não transportar o modelo acadêmico para dentro do movimento espírita. Nas casas espíritas não há professores de espiritismo e muito menos mestres. Não há alunos. Não se formam profissionais do espiritismo, não se fornece diploma ou certificado. Também não tem lista de presença porque ninguém deverá ser reprovado por falta. Trata-se de instruir pessoas, não de formar profissionais. É uma questão de foro íntimo, não uma demonstração de sabedoria ou inteligência. Ninguém está no grupo espírita para provar nada a ninguém, a não ser a si mesmo. Provar que se pode tornar-se melhor.

Deolindo Amorim, autêntico espírita e sociólogo, fundou o Instituto de Cultura espírita. Herculano Pires, filósofo formado na Universidade de São Paulo ( USP) e professor de filosofia foi o maior filósofo espírita que conhecemos. O maior defensor da codificacão e um dos maiores incentivadores do pensamento racional dentro do movimento espírita. Ambos são os grandes desconhecidos da maioria dos espíritas.

É indispensável valorizar pelo menos o que temos de melhor, inúmeros outros exemplos existem de escritores e livros que podem nos auxiliar a pensar filosoficamente. A maioria não são livros espíritas. O espírita não é o cidadão de um livro só. Kardec é um espírito de cultura universal, se não podemos por agora chegar a tanto, pelo menos que nos sirva de estímulo. Não nos perderemos em misticismos e crendices se soubermos pensar com acerto, porque outra coisa o espiritismo não é senão a crença apresentada com a correção.

 

A DOR DA MORTE DOS ENTES QUERIDOS

É comum acreditarmos que a dor que sentimos pela morte dos entes queridos seja a maior dor de todas. É natural que para aqueles que amam não exista perda maior que a vida daquele que é amado. Essa dor não é algo que se possa entender racionalmente, ou melhor, a dor não é algo que possa ser adequadamente compreendida pela razão. É tão verdade que aquele que nunca perdeu um ente querido não pode comprender essa perda, pode fazer suposições, mas a dor não é suposta, é sentida.

Se não podemos comprender a dor em seu sentido existencial, ou seja, como ele é para quem a sente, uma coisa podemos comprender: os motivos que possam levar a essa dor e parece-nos que o maior de todas é a falta de esperança. É possível superar a maior dor, os períodos de grande aflição desde que saibamos que existe um motivo útil ou uma solução para eles. O sentimento que surge dessa compreensão chama-se esperança. O contrário desse sentimento é o desespero.

Se pensarmos melhor, a perda de um amigo ou familiar não é uma perda. Podemos perder um documento ou um celular, eles se perderam. Alguém pode achar aquilo que perdeu, faz parte do significado de perder. Mas não se pode perder uma pessoa. Se uma pessoa pudesse deixar de existir, você não poderia encontrá-la ou trocar essa pessoa por outra, como trocamos um celular ou relógio roubado ou perdido. A inexistência do ser amado não é uma perda, é um desespero, é o fim de qualquer sentido ou significado.

Em velórios todos os que amam, sofrem. Os espíritas, dentre todos os religiosos, são os que geralmente mantém maior tranquilidade. Isto não ocorre por serem insensíveis ou mais fortes, mas por saberem que a morte não mata ninguém. Os espíritas sabem que a morte é apenas a transição necessária para outra vida.

O verdadeiro espírita fala da morte de familiares e da própria morte como se falasse de uma viagem. Comenta o que fará depois de sua morte, quem deverá encontrar no mundo espiritual. Planeja o que gostaria de fazer na próxima encarnação. Promete receber a mãe ou o pai que retornará sob novo corpo se houver oportunidade. Se for jovem planeja receber sua avó ou mãe como sobrinhos ou filhos ou filhas quando retornarem para o ambiente familiar. A reencarnacão permite que se pense e que se sinta de forma diferente.

Aquele que realmente crê na imortalidade não se importa se morrerá com sessenta ou noventa ou cem anos, porque sabe que viverá aqui ou no mundo espiritual. Se importa, isso sim, em tornar a sua existência útil para os demais e para si mesmo. Em verdade não se pode ser útil apenas para si mesmo. O importante é a caridade, não importa se você está neste mundo ou em outro mundo qualquer.

A dor da morte é insuportável quando se ama e não se crê na imortalidade. Deus não criaria uma dor insuportável para seus filhos. Os que sofrem essa dor, o fazem por não aceitarem aquilo que o instinto ou a intuição sabem existir: a imortalidade. Em todas as culturas acredita-se que os mostos vivam. Os índios, os africanos, os europeus sempre acreditaram na existência dos mortos, somente na era atual essa convicção foi diminuída. A partir do século XIX a dúvida a respeito de Deus e da alma começam a se popularizar.

Junto com o homem livre e racional, surgiu também o homem confuso e descrente. É certo que o homem tem livre arbítrio e pode decretar o fim de sua esperança, mas não é livre para não trilhar o caminho que decidiu seguir. Se resolvemos caminhar por uma estrada é natural que encontremos as facilidades e as dificuldades dessa estrada. É impossível tornar uma estrada tortuosa e cheia de buracos em uma estrada agradável de se percorrer, mas você pode mudar de estrada quando desejar.

Cada pensamrnto ou crença  traz inevitáveis consequências e, por isso, cremos naquilo que cremos. Cada crença carrega consigo um conjunto de vantagens reais ou imaginárias. O materialista acredita ter muitas vantagens em não crer em Deus, mas o que separa o mundo real da imaginação é o resultado daquilo que se acredita. Ninguém sofre mais que o ateu, pois, para ele a morte representa o fim dos que ama, mas não o fim do seu amor. Como algo tão grandioso como o amor poderia se extinguir apenas  ao toque de algo tão falso como o materialismo? E o que fazer com um amor que não se extingue mas que também é sem esperança, um amor desesperado?

Não existe nada mais reconfortante que a crença que a religioso possui. Mesmo que as religiões, em geral, não expliquem a vida espiritual ou a relidade do intercâmbio com os mortes. Ainda que não expliquem os motivos da dor e da desigualdade entre os homens, ainda assim nos dão a convicção na imortalidade. Isto é profundamente consolador.

O espiritismo veio preencher essa falta ao nos demonstrar a imortalidade da alma e as causas e utilidade do sofrimento. Por isso é o consolador maior da dor da morte, a morte foi morta pela verdade da imortalidade gloriosa. O homem já não precisa sofrer como sofria antes. Agora podemos dizer como o apóstolo Paulo “onde está oh! Morte a tua vitória? Onde está o teu galardão?

 

CONHECENDO SI MESMO ATRAVÉS DAS PALAVRAS

O mais poderoso recurso que temos para o nosso progresso moral é conhecer a nós mesmos. Podemos ter fé, mas se não sabemos o que precisamos fazer, acreditaremos que isso nos bastará, esquecendo que a fé é o impulso para a caridade, não o fim do nosso trabalho. Como poderemos saber o que somos? Um recurso de fácil acesso é analisar o que falamos. Daremos alguns exemplos.

Quando digo: essa pessoa é chata. Significa que preciso ter mais paciência.

Quando digo: não posso viver sem você. Significa que preciso encontrar um popósito para a minha existência.

Quando afirmo: ninguém presta. Significa que não consigo reconhecer o valor das pessoas.

Quando acredito que ninguém me entende. Significa que devo me expressar melhor ou mudar meu comportamento.

Quando afirmo que a ciência resolverá todos os problemas. Significa que estou vendo somente parte da vida.

Quando declaro: as pessoas devem me aceitar como sou. Significa que tenho mais orgulho que vontade de melhorar.

Quando afirmo que a religião divide as pessoas. Significa que desconheço o ser humano e não precebi o quanto ele pode estragar as coisas, inclusive, as boas coisas.

Quando afirmo que as raças dividem as pessoas. Significa que desconheço as desculpas que as pessoas inventam para humilhar ou dominar as outras pessoas.

Quando você afirma que deve aceitar as pessoas como elas são. Significa que você é tolerante e está de parabéns e que também percebeu que nem tudo o que não lhe agrada é errado ou feio.

Quando afirmo que Deus não existe. Significa que desconheço a minha própria origem.

Quando afirmo que morrerei um dia e tudo o que sou se acabará. Significa que vainda não sei o que realmente sou.

Quando afirmo que dinheiro é a coisa mais importante e resolve tudo. Significa que eu não sei o que é o dinheiro e nem para que serve.

Quando afirmo que ninguém sabe nada sobre o espírito, nada sobre a vida, nada sobre Deus. Significa que eu penso que sou ainda um bebê e que as pessoas também são.

 

 

 

 

 

O HOMEM PERANTE DEUS

Se Deus não existir, o homem não passa de uma absoluta falta de sentido e a vida é a mais trágica de todas as coisas sem sentido. Poderíamos acrescentar o fato de, caso Deus não existisse, seria preciso inventá-lo para que a ausência de significado em nossa existência  não nos perseguisse, tornando a vida algo insuportável, exceto, na possibilidade de sua extinção.

Entre os espíritas percebemos uma diversidade de opiniões a respeito de Deus e do nosso relacionamento com o mesmo. Alguns chegam a negar que possamos nos relacionar com Deus. É possível que, se estudássemos a codificacão kardecista e tivéssemos a consideração que a mesma merece, teríamos bem menos divergências a respeito de Deus e suas características, possivelmente teríamos um relacionamento melhor, não somente com Deus, mas com aquilo que somos.

Alguns afirmam, felizmente poucos, que nada sabemos sobre Deus. Ao afirmarem isso revelam mais sobre si mesmos que sobre Deus. É improvável que alguém possa estabelecer o que os outros não sabem através daquilo que ele mesmo não sabe. É possível que, do ponto de vista lógico, muitos saibam algo sobre Deus. Em O Livro dos Espíritos, os espíritos superiores afirmam que não sabemos tudo a respeito de Deus, mas não podemos deixar de saber aquilo que Deus não pode deixar de ser.

Se você não sabe algo sobre alguém ou sobre alguma coisa, o que você faz? Certamente, uma opção seria perguntar para quem saiba. Esse foi o procedimento de Allan Kardec: Perguntou aos espíritos superiores o que Deus era e os espíritos responderam: a causa primária de todas as cousas e a inteligência suprema do universo.

Deus sendo a causa primária de tudo e a inteligência suprema, deverá necessariamente participar de algumas das características esperadas para um ser com essas características. Listaremos abaixo algumas dessas características e nenhuma delas está em desacordo com a razão porque foi pela razão que foram descobertas.

Se Deus é uma inteligência, então, deve ser consciente. Se é consciente, você pode comunicar-se com Ele. Se você pode comunicarar-se, Ele pode te responder. E por que ele poderia nos responder? Simplesmente porque sendo inteligente, nada o impede de fazê-lo. Como determinamos se algo é inteligente, senão, quando esse algo demonstra sua inteligência através de seus atos e idéias? Aprendemos de Jesus que podemos conversar com Deus, caso contrário seria loucura dizer: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o vosso nome. Certamente ao orar o Pai Nosso ensinado por Jesus, não estamos falando sozinhos ou conosco e sim com um ser que possa nos ouvir e atender.

É comum no meio espírita confundir-se dois conceitos distintos: humanização e antropomorfismo. Ao conversar com Deus e atribuir ao mesmo qualidades humanas, não estamos fazendo antropomorfismo e sim reconhecendo que Deus tem vontade e consciência. Vontade e consciência não são atributos da matéria, mas uma qualidade de natureza espiritual.

Não é racional dar ao homem a exclusividade da inteligência, da vontade, do desejo. Se somos semelhantes a Deus, Deus também é semelhante a nós, não totalmente semelhante e certamente Deus não é igual ao homem. Não existe possibilidade de Deus nos criar sem características que o revelem. A obra revela muito do artista. Somente um ser inteligente poderia criar seres inteligentes. Um ser sem vontade jamais criaria seres com livre arbítrio, aliás, não criaria nada. Para se fazer algo é necessário querer e ser livre para fazê-lo.

Como saber se Deus atenderá os nossos pedidos? É muito simples: Jesus afirmou que Deus é nosso Pai. Como um Pai amoroso e de suprema inteligência não atenderia os pedidos de seus filhos, desde que esses pedidos sejam válidos para esse Pai? Quando falamos na possibilidade de que nossos pedidos sejam atendidos por Deus, não queremos dizer que mandamos em Deus ou que Deus seja obrigado a atender pedidos, mas a indiferença de um Pai em relação às necessidades de seus filhos não nos parece uma qualidade atribuível a uma inteligência superior. Muitas coisas podemos fazer por nosso esforço, outras coisas Deus deverá fazer por nós. Caso isso não fosse verdade, Deus seria dispensável e já teria se aposentado por idade.

Por que Deus é onipresente? Bem, caso não estivesse presente em todos os lugares, jamais poderia ser causa primária de todas as coisas, poderia ser a causa secundária, nunca primária. Quem causa o sofrimento ao homem, por exemplo, é o próprio homem, uma causa secundaria. Deus é a causa do homem e o homem é a causa( secundária) do sofrimento. O espiritismo compreende que o sofrimento humano é um recurso para possibilitar a evolução do ser, mas não é uma necessidade inevitável. Aprendemos com a dor, mas poderíamos ter aprendido com a reflexão e com o amor. Nos animais a dor é um recurso valioso para o desenvolvimento do psiquismo, mas este não é o caso dos homens que possuem outros recursos alternativos.

Deus é uma mente, pois, é consciente, tem livre arbítrio, inteligência. Se não fosse uma mente, jamais poderia ser Deus. Claro que não compreendemos a totalidade dessa mente e nenhuma utilidade teria comprendê-la, mas já compreendemos algumas vontades e características  dessa mente. A mente divina não pode querer o mal de seus filhos, não pode enviá-los a um local de tormentos  eternos. Qual a utilidade da tortura?  Torturar não é um ato inteligente, muito menos  de uma inteligência suprema.

Muitos, sobretudo, os espíritas, não compreendem que Deus possa agir pessoalmente. Admitem que somente o faça através de leis. Ao mesmo tempo que assim pensam, também admitem que Deus seja bondoso. Ora, não pode ser bondoso aquele que nunca pratica a bondade. Criar leis sábias é ser sábio, não é ser bondoso. Não se tem amor apenas criando leis favoráveis ao amor ou enviando pessoas que o substituam no ato de amar. O que chamamos leis de Deus, na verdade é o próprio Deus agindo no mundo. Uma mente onipresente, onisciente e bondosa é capaz de tudo isso.

Muitos podem acreditar ser pressunção querer entender Deus, mas se queremos um relacionamento pessoal e proveitoso com Deus, devemos saber ao menos algumas de suas características. Muitos poderão dizer que não precisam disso, mas acreditamos que muitas mentes que trabalham com a razão precisem. O espírita não pode acreditar por acreditar, o espiritismo representa uma nova etapa da fé, a fé racional.

Muitos não se sentem bem com um relacionamento pessoal com Deus e não somos nós que iremos determinar como alguém deva se relacionar com Deus. Poderemos questionar: quem somos nós diante de  Deus? Não é o criador algo tão grandioso que se torna impossível o nosso relacionamento com ele? Não é o senhor do universo a realidade absoluta e a verdade que escapa ao nosso entendimento? Eu poderia responder: sim, tudo isso é verdade. Mas, meus amigos, em que isso atrapalha a nossa amizade com Deus? Desde quando o filho recém nascido nãopode amar a sua mãe devendo distanciar-se dela apenas por não comprender a inteligência de sua mãe, a sua complexidade e todas as coisas que ela faz?

Não é o amor que possibilita que mãe e filho se aproximem e se amem? Não é esse amor maior que todo entendimento? E não é a falta de amor para com Deus o que nos afasta dele? Não é a dureza de nossos corações ? Não são os puros de coração que verão a Deus? Que mais precisamos em relação a Deus, senão amá-lo, procurá-lo como a criança procura sua mãe em busca de abrigo e alegria? Deveríamos ter o pleno entendimento de Deus ou saber todas as suas características para estar em comunhão com Ele?

 

CONSERVADORISMO E LIBERALISMO NO ESPIRITISMO

Recentemente estive lendo que os grupos espíritas evitam temas polêmicos e mais atuais. Advogava-se uma postura mais clara e direta de temas que estão em pauta na sociedade, temas que seriam, na visão de quem escreveu, muito importantes para não serem abordados. O autor do texto incentiva a discussão de temas políticos e comportamentais. E, no final, dizia ter o desejo de ver tais assuntos inadiáveis, segundo seu parecer, serem abordados nas casas espíritas. Acusou  de conservadores aqueles que discordam de tal perspectiva.

É um tema polêmico falar de conservadorismo ou liberalismo no Espiritismo. Sabemos que a nossa doutrina não pode ser subvertida através de títulos ou rótulos, sabemos também que as discussões não devem ser resolvidas através de afirmações como conservadorismo ou liberalismo. Aprendemos que as sociedades modificam seus costumes e que não cabe ao espiritismo acompanhar os novos costumes e gostos apenas para se atualizar, afinal, o espiritismo nunca se encontrou a procura de votos, não sendo sua missão agradar a todos, embora, não deva e nunca quis desagradar ninguém.

O Espiritismo é uma proposta dos espíritos superiores para que venhamos a ser o homem do futuro, não uma proposta de homens para  homens com desejo de serem atuais ou parecer modernos. Em verdade, o Espiritismo é tão futurista, que posturas consideradas contemporâneas não passam de anacronismos de quem se apega ao egoísmo. Muito daquilo que consideramos retrógrado é aceito com satisfação e naturalidade nos mundos superiores e posturas que podem nos causar espanto podem ser vistas com simpatia nesses mundos. O espiritismo é o futuro que começa a ser construído  no presente, não importando se esse futuro possa ser igual ao passado em muito de seus aspectos.

A doutrina expírita não resolve problemas através de adjetivos, não se impressiona com rótulos como conservador ou liberal. Usamos a razão e a experiência que surgem dos fatos, não de especulações ou desejos. Acredita, o espiritismo, que devemos falar daquilo que entendemos e, sobretudo, vivemos. Se um palestrante ou frequentador não se sente apto ou confortável para abordar temas polêmicos, por que deveria fazê-lo? Seria justo supor que várias pessoas com pouco entendimento de determinado assunto irão resolver o que uma sozinha não foi capaz?

Aprendemos que a honestidade é um valor inquestionável, valor que não pode ser vendido ou relativizado. Aliás, vender a honestidade é a maior contradição possível. Seria necessário dizer que a desonestidade e a corrupção também são ruins quando originados no meio político? Aprendendo os valores universais da ética, precisamos ainda falar o que as pessoas devem fazer?

Falamos de amor e respeito, tolerância e compreensão para aqueles que acreditamos estar em erro, mas não vigiamos o comportamento alheio e não ensinamos como votar e em quem votar. Tampouco, incentivamos que você sempre vote, quando a consciência lhe diz que, nenhum candidato que você conhece ainda se fez digno de receber o seu voto. Sabemos que o voto é livre e, muitas vezes mal orientado, mas não parece ser a função das casas espíritas decidir como e em quem devemos votar. Não nos parece justo fazer insinuações ou indiretas em relação a partidos políticos, comportamentos, instituições ou pessoas.

A ética espírita é a ética cristã, cabe a quem é espírita seguir essa postura, independente, das mudanças no comportamento social ou da nação em que viva. Ninguém nos obrigou a ser espírita. Conservador e liberal não são construções  permanentes fundamentadas nas leis de Deus, mas formas de manifestar tendências sociais modificáveis no tempo e que variam de nação para nação.

Nunca é demais lembrar que no plano espiritual onde impera o bem, não há eleições ou voto, que os seres espirituais desencarnadas não tem sexo, embora, o encarnado tenha sexo. Sabemos que em Nosso Lar não existem vereadores ou deputados ou eleições, mas sabemos também que o nosso lar é ainda  na Terra e por muito tempo iremos necessitar de bons deputados e vereadores. O Espiritismo apoia tudo o que favorece a vida, tudo o que promove o bem e a compreensão, mas o espírita e os grupos espíritas não são obrigados a se envolver em tudo.

 

CONDIÇÕES DA VERDADE

Ainda que não pudéssemos alcançar a verdade em sua plenitude, ainda assim seria inevitável  buscar a verdade. Gradativamente, alcançamos uma idéia mais clara, justa e rigorosa de nossos conceitos, suposições e teorias. Parece ser inevitável que busquemos nos sentir o melhor possível, seja tendo o controle sobre a natureza ou sobre nós mesmos. Seria melhor, talvez, falar em harmonia com a natureza e não controle. O fato é que o amor, a fé,  a sabedoria e a inteligência somente existem por que a verdade existe.

Essa busca da verdade é a história da ciência, da filosofia e da  religião. É também a nossa história. Jesus nos assegurou que, se conhecêssemos a verdade, a verdade nos libertaria. De fato, a ignorância sobre o mundo e sobre nossa própria realidade, é a forma mais efetiva de prisão. Isto ocorre por ser uma prisão onde nos colocamos voluntariamente, na suposição de estar realizando uma coisa útil. Há um ditado popular que nos fala “o pior cego é aquele que não quer ver”

Cada espírito é capaz de comprender e sentir uma parte da verdade, sob uma certa extensão e profundidade. À medida que evoluímos espiritualmente, mais a verdade se revela para nós e em nós. Podemos falar de amor, mas só o entenderemos completamente quando amarmos. Podemos falar sobre as virtudes da fé, mas se nos momentos dificeis não tivermos essa fé, nunca saberemos como é válida e grandiosa uma fé esclarececida, profunda e verdadeira.

Existem muitas condições para a verdade. A primeira delas é que a verdade se sinta confortável dentro de nós. Que a verdade seja um compromisso para com a realidade, não um encontro marcado com a vaidade e o desejo de dominação. Se não tivermos a disposição de tudo abandonar  para nos entregar à verdade, a verdade nunca se entregará a nós. É indispensável ser honesto para com a verdade, a fim de que ao encontrá-la, não façamos como Pilatos ao questionar Jesus: mas o que é a verdade?  Tendo como resposta o silêncio, a única resposta aos que não se interessam pela verdade.

Devemos conhecer a nós mesmos para descobrir a parte da verdade que nos cabe. Se nos acreditamos infalíveis e com um intelecto insuperável, estaremos seguramente nos preparando para algo chamado ego e fantasia. Estaremos sempre atrás de novidades espirituais, de formas infalíveis de realizar curas espirituais, de manter contato com mentes de outras galáxia, quando não conseguimos manter contato com as mentes que moram em nosso lar e a quem chamamos de familiares.

Não estando aptos a descobrir doenças graves que podem estar se desenvolvendo na intimidade de nossas células, queremos descobrir, por meios não familiares, o que se passa no corpo de outras pessoas. Procuramos técnicas e fórmulas, ciências e filosofias  que só o futuro desvelará aos homens, mas que acreditamos já ter a posse definitiva. Acreditando-nos acima de questões menores, recusamos estudar o passado, afastamo-nos de livros consagrados, de pessoas mais experientes e mergulhamos com os recursos das nossas próprias luzes, em informações que o futura revelará, frequentemente, nunca terem sido verdades.

A verdade nunca entra em contradição com a experiência comum. Não podemos ser o aluno mais inteligente e esforçado da escola quando nossas notas revelam o contrário. Não podemos ser a pessoa mais agradável quando poucos se sentem bem com a nossa convivência. Não podemos determinar quem será salvo, quando nós mesmos ainda não estamos salvos.

A verdade é amiga inseparável  da humildade. Ela não se sente bem ao lado dos presunçosos, foge dos que procram primeiro a aprovação dos homens, incentivando suas vaidades e desejo de dominação. A verdade habita as grandes almas, desconhecidas geralmente dos homens, mas muito amadas por Deus. Quem está com a verdade é astuto como as raposas e manso como as pombas. É ao mesmo tempo escravo de si e do dever.

A verdade nunca usa expressões agressivas, embora possa agir com energia algumas vezes. Jamais deprecia situações e pessoas para divulgar o que sabe. A verdade que existe em nós não espera a aprovação dos homens para se expressar e dar bons frutos. Nunca fere para defender ideais e sonhos. Sempre está disposta a submeter-se à razão e aos fatos, não se empalidece diante de autoridades, sejam santos, heróis ou homens do povo. Respeita todas as convicões sinceras, mas não se submete aos caprichos de ninguém.

Alegra-se ao mudar de opinião e comportamento ao se descobrir em erro. E acima de tudo, é revelada aos simples e pequeninos, mas se oculta dos grandes e poderosos, grandes em orgulho e poderosos pelo medo que inspiram. Se encontrares a verdade, siga seus passos, mesmo que teus pés sangrem, os homens não te compreendam e todos te acusem de louco e infiel. A verdade preenche todas as vidas da graça de Deus, mas necessita da coragem dos que a seguem e do amor que tenhamos por ela.

 

VAMOS CONSERTAR IDÉIAS?

As nossas boas intenções possuem a força de incentivar a nossa melhora moral. É verdade que nem sempre fazemos o que prometemos, mesmo sem necessidade de ter prometido. Uma coisa, porém, é certa: se não estivermos dispostos a acertar, se não estivermos dispostos a fazer o que é certo, nunca faremos nada útil.

Apesar de ser uma verdade que geralmente queiramos o bem, nem sempre vestimos de forma correta aquilo que pensamos ou sentimos. Aqueles que nos conhecem sabem que não pensamos desse jeito. Acontece que, muitas vezes falamos algo, defendemos pontos de vista que são exatamente aqueles que discordamos. E por que ocorre isso? Por um motivo simples: idéias erradas que se juntaram a boas intenções.

Alguns exemplos de idéias erradas com boa intenção.

1- Agora só vou agradar a Deus. De hoje em diante só vou amar a Deus.

Quem escreveu isso, certamente, tinha a intenção de afirmar que daria mais valor a Deus que aos homens. O problema é que não foi isso o que a pessoa disse. Existe na frase a afirmação de que não se deve agradar a mãe, ao pai, aos amigos. Quando alguém declara que só amará a Deus, tambem declara que não amará o próximo.

2-Ninguém presta.

Ao afirmar que ninguém presta, estou afirmando que eu não presto também. Posso acreditar no que você diz, se você não presta? Se ninguém presta, qual o problema de não prestar? Se eu não te empresto uma caneta (tendo várias canetas) para a prova que será feita agora, posso eu reclamar quando você também não me emprestar? O que admito em mim, não admito em outra pessoa?

3- Todos somos corruptos.

Esta é uma frase retórica, quer apenas realçar um comportamento frequente na sociedade, não que todos sejamos corruptos. A pessoa que disse que todos são corruptos não deve ser totalmente corrupta, afinal, declarou uma verdade. Talvez ela seja a única corrupta e queira se desculpar perante a si mesma e perante os outros ao afirmar que aquilo que ela faz, todo mundo faz.

3-Religião não melhora ninguém.

Quem disse isso, provavelmente, não tem religião. Tudo bem. Mas será verdade que a religião não melhora ninguém? É possível que a própria pessoa que escreveu isso não tenha em nada se melhorado com sua religião, ou não tenha religião. Quem sabe não percebeu nos religiosos pessoas melhores? Será que acredita que o ateísmo melhora as pessoas?

Talvez, quem escreveu a frase acima acredite, no fundo,  que nada melhore alguém, quando esse alguém não tem a intenção de se melhorar. A medicina não faz bons médicos, saber escrever não faz bons escritores e nem as mãos determinam que ajudemos quem precisa, mas sem medicina não haveriam médicos, sem a escrita não haveriam bons escritores e sem as mãos seria mais difícil ajudar a quem caiu se erguer.

4-O importante não é sua religião, mas o que você faz.

A frase como está escrita desmerece a todos os que têm religião. Torna o religioso católico, espírita, evangélico , etc.. pessoas que perdem tempo dedicando-se a algo que não tem importância no final de tudo.  Afirma que todas essas pessoas se dedicam a uma coisa inútil chamada religião.

Será que o que fazemos não tem relação alguma com aquilo que acreditamos? Será que quanfo sua religião afirma que você deve amar os outros, em nada contribui para que você ame o próximo? Que ao afirmar não matarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho, em verdade, a tua religião nada está dizendo e em nada irá melhorar você? Será que se acreditarmos naquilo pregado pelo Cristianismo (uma religião, afinal) em nada nos tornaremos melhor?

Acredito que a pessoa que escreveu a frase acima queria dizer o seguinte: Não adianta ter religião, se você não pratica o que a tua religião recomenda. Creio que a frase ficou melhor.

5- Todas as religiões são boas.

Ao afirmar isso, estamos criando um fato histórico inusitado. Seria a primeira vez na história que o ser humano conseguiria fazer tudo perfeito. Nem todas as escolas são boas, nem todos os hospitais são bons, nem todos os salões de beleza são bons. Existe uma coisa, criada pelo homem, que é sempre boa: a religião.

Uma opcão melhor seria dizer que nem todas as religiões são boas, que nem todos os religiosos são bons. Que é melhor observar, refletir e escolher uma boa religião. Existem muitas religiões que conseguem melhorar as pessoas, quando as pessoas se permitem melhorar.

Se muitas vezes boas religiões não conseguem nos melhorar, simplesmente, porque não deixamos….  imagine se escolhermos uma religião ruim. Não podemos desprezar a religião colocando todas as religiões num local comum. Religião não é como água potável que, independente de onde tenha vindo, sempre hidrata e consegue acabar com a sede.

6- O importante não é acreditar em Deus, mas ser bom.

Quem escreveu essa frase acredita que aceitar a existência de Deus não traz conseqüências na vida de ninguém. Acredita ser Deus uma crença inócua e, talvez, perniciosa em algumas situações. Que ser bom não depende de você acreditar ou não em Deus. Que iremos ser maximamente bons acreditando ou não em Deus. Será que ser bom para o homem é o mesmo que ser bom para Deus? Devemos ser bons segundo a nossa vontade ou segundo a vontade de Deus?

Sabemos que a corrida fortalece as pernas, favorece o aparelho circulatório, auxilia na diminuição da glicemia e do colesterol. Será que qualquer corrida faz isso? Ou será preciso correr no mínimo algumas vezes por semana, por determinado período e em uma velocidade razoável? Se aprendemos a diferenciar as nuances que podem existir na atividade física, por que não sabemos diferenciar as nuances que cada forma de acreditar e servir a Deus apresenta?

É certo que cada um deve servir e acreditar em Deus da forma que lhe pareça melhor, mesmo porque não podemos acreditar em Deus segundo a forma que nosso vizinho acredita, exceto, quando acreditamos da mesma forma. Mas devem existir consequencias diferentes em decorrência dessas  diferenças formas de servir e acreditar em Deus.

Você acredita que irmã Dulce, Ghandi, Chico Xavier e Martin Luter King seriam as pessoas que foram mesmo que não acreditassem em Deus? Que essas pessoas retiraram apenas de si mesmas a força moral necessária para ser o que foram, fazer o que fizeram, sentir o que sentiram, simplesmente, sem Deus? Devemos lembrar, todavia, que o mandamento maior do cristianismo não é acreditar em Deus, mas é amar a Deus. Não basta acreditar em Deus como se fala e se escreve comumente. Obviamente, se você não acreditar na existência de Deus, como conseguirá amá-lo?

7- Deus vai me curar.

Essa é uma frase muito comum e revela confiança em Deus. O problema é que, da forma que é escrita e pensada, nos dá a impressão de mandarmos em Deus. Não nos parece lógico e nem educado dar ordens aos outros, sobretudo, se este outro for Deus. Iremos consertar essa idéia. Vamos escrever o seguinte: Deus pode me curar, mas só se for o melhor para mim. Talvez a doença me impeça de fazer algo que não deva, possa me aproximar mais de Deus e ter mais gratidão por aqueles que me ajudam.

Por fim, você poderá perguntar: Somos agora ou sou agora consertador  de idéias alheias? Não, meu amigo, em verdade não podemos consertar idéias, quem conserta idéias é a razão. Tampouco estamos consertando pessoas, as pessoas é que devem consertar a si mesmas. Chamamos a essa atitude de compreensão e tolerância para aqueles que discordam de nossas idéias e formas de existir. Não existe mal algum, no entanto, em querer ajudar.

E SE ISSO EXISTISSE ?

Muitas vezes gostaríamos de ter feito algo de forma diferente. Gostaríamos não ter dito aquela frase que machocou tanto. Desejaríamos sentir o que o outro sente para que pudéssemos agir da forma que o outro precisa. Seria tão bom que todo encontro não representasse uma despedida no futuro.

Não seria maravilhoso que a experiência que temos hoje, fosse também a experiência que tínhamos na juventude? Teríamos evitado tantos erros. Teríamos nos afastado de tantas dores e o mais importante: teríamos sido melhor.

Já imaginou se pudéssemos ter sido um melhor namorado? Um melhor filho? Se tivéssemos a oportunidade de criar nossos filhos com mais experiência e sabedoria, fazendo-os cidadãos de bem e não adultos mimados e infantis?

E se pudéssemos abraçar mais, amar mais? Ser mais pontes e menos obstáculos? Se pudéssemos multiplicar sorrisos? Reclamar menos e agradecer mais? Ser um multiplicador de esperanças, um refúgio para muitas dores? Não seria bom que tudo isso fosse possível.

E se todo mal ou ofensa que te fiz, você pudesse perdoar? E se você, mais que perdoar, pudesse esquecer? Sim, porque mesmo perdoando, é impossível que certas mágoas sejam apagadas completamente. É impossível que eu não o faça sofrer após ter feito você sofrer. É impossível e mesmo desleal que não sinta remorso ou uma espécie de vergonha diante de mim mesmo após ter feito certas coisas que fiz.

É inútil dizer que você deve perdoar a você mesmo, porque o perdão não é uma mágica que nos faz esquecer tudo o que voluntariamente fizemos. Eu já me perdoei de muitas coisas, mas nem por isso não me sinto culpado. Somos seres humanos, não objetos programados sobre a pressão de palavras, conselhos e opiniões.

Ficamos a pensar em tudo isso e imaginar se haveria oportunidade de continuarmos a ser o que somos, mas de uma forma melhor. Uma revisão de nós mesmos, um final feliz devido ao nosso próprio esforço e querer. Será possível tal benção de Deus a todos os que  são os autores de tudo o que acontece na Terra e os autores de suas próprias vidas? Ouvi dizer outro dia que existe. Disseram que se chama reencarnacão, e que é a maior graça de Deus a seus filhos.