É FÁCIL SER ESPÍRITA?

Uma expressão comum que se ouve nos centros espíritas é que não é fácil ser espírita ou que ser espírita não é para qualquer um. Certamente, como todas as iniciativas de valor, ser espírita envolve algumas condicões que devem ser preenchidas a fim de que alguém ou uma instituição possa se dizer espírita. Seria extranho que não houvessem exigências ou condições mínimas para a existência de algo que se acredita importante.

Quando dizemos que ser espírita não é para qualquer um, estamos sem querer sugerindo que os espíritas são melhores que as demais pessoas. Que você só poderá ser espírita caso ” não seja qualquer um” Muitos chegam a alegar que “o espírita não é mais um religioso qualquer”, frase que ofende católicos, muçulmanos, evangélicos e ofende, sobretudo, o espírita ao caracterizá-lo como preconceituoso. Ofende também a maioria dos espíritas que, como eu, consideram que o espiritismo seja também uma religião no sentido profundo, no sentido filosófico do real significado da religião.

Permanece, entretanto, a resposta à pergunta : é fácil ser espírita? E a resposta não poderia ser outra: sim, é fácil. Como haveria de ser difícil ser bom? Que lei do universo colocaria dificuldades ao exercício do amor? Que gênio maligno criaria dificuldades para a harmonia universal, rivalizando em poder contra o próprio Deus? Em um mundo criado por uma inteligência suprema, jamais existirão dificuldades para que nos convertamos ao bem, porque é isso que significa ser espírita.

E por que nos parece ser tão difícil ser espírita? Primeiramente, decorre de uma pequena confusão de conceitos: ser espírita não significa ter atingido a angelitude, a perfeição. Kardec assevera que o verdadeiro espírita é reconhecido pela sua transformação moral e pelos esforços que faz em melhorar-se. Observemos que o verdadeiro espírita não é aquele que atingiu a perfeição, mas aquele que se esforça para ser hoje melhor do que ontem e amanhã, melhor do que hoje.

Percebe-se no espírita sincero uma transformação moral. Seus pensamentos e sentimentos se unem para resultar em uma pessoa com novos hábitos. A cada ano percebemos algo melhor, ou poderá ser percebido se tivermos a capacidade e o interesse para tal. E isso ocorre porque ele agora acredita em coisas que antes não acreditava, sente de forma diversa do que antes sentia, porque ele decidiu ser diferente. Decidiu ser melhor que a si mesmo. Ele é agora “senhor do seu destino” porque agora ele se considera um filho de Deus criado para amar.

E por que muitos afirmam ser difícil tornar-se espírita? Certamente os que assim acreditam confundem o próprio desejo com dificuldades. O difícil é a nossa vontade de deixar de ser aquilo que somos, para nos tornar aquilo que deveremos ser. O difícil é deixar os vícios que nos dão grata satisfação para sentir o prazer de uma conversa com amigos tomando refrigerante ou suco de frutas. O difícil é querer deixar o costume tão corriqueiro de falar mal dos outros e discutir o que não entendemos ou que não nos dizem respeito.

O difícil é nos curvar ante a evidência da racionalidade dos espíritos superiores para abandonarmos as idéias pueris e nocivas que cultivamos como se fossem grandes pensamentos. Esta é nossa dificuldade, que nasce do capricho do eu, não da nossa incapacidade ou inadequação. Somos filhos de Deus plenamente adequados para servir ao amor e abandonar a maldade que mergulhada se encontra em nossos pensamentos e formas de sentir.

É muito fácil ser espírita. Muito difícil é sentir inveja, mas podemos sentir. Muito inoportuno a impaciência, mas a cultivamos diariamente. Extremamente desanimadora a preguiça, mas não amamos o trabalho. É constrangedora a ignorância, mas lemos muito pouco. É aborrecido ter idéias banais, mas gostamos muito delas. Valorizamos muito mais a riqueza suspeita e desprezamos a pobreza honesta.

Devemos nos conhecer mais intimamente para não transferirmos ao espiritismo as dificuldades que, prazerosamente, inventamos e abraçamos. Deixemos de dar desculpas para nossos erros, vícios e preguiça mental e moral. O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO nos revela: ” o homem só permanece vicioso quando não dispõe de uma vontade firme, mas todo aquele que quer, pode se melhorar” , “sede severos para com vossos erros e indulgêntes para com o erro do vosso irmão” Não é preciso dizer mais nada.

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