A EVOLUÇÃO ESPIRITUAL É LENTA, NA TERRA.

Um dos aspectos que mais causam  estranheza é o fato de o comportamento dos religiosos não serem diferentes dos que não tem religião. Vários estudos de psicólogos sugerem isso e, se uma evidencia científica não constitui prova decisiva, ao menos é infinitamente melhor que palpites e opiniões. Estaria o problema restrito à religião ou outros fatores estariam contribuindo desfavoravelmente para a ineficiência das religiões em alcançarem seus objetivos?

Por que achamos desanimador que o comportamento de religiosos não se diferencie substancialmente dos não religiosos e ateus? Tal ocorre porque é função da religião tornar o homem melhor.Temos, portanto, duas opções: ou a religião não faz diferença ou as instituições religiosas não estão exercendo adequadamente seu papel. Resta-nos, entretanto, a opção pouco simpática de não terem os homens mais capacitados alcançado os cargos de maior relevancia na hierarquia das instituicões religiosas.

Provavelmente, o que ocorre nos estudos realizados por psicólogos, sociólogos, antropólogos e outros estudiosos do comportamento, seja uma escolha inadequada de representantes que participam de suas pesquisas. Não seria melhor que se escolhessem os melhores representantes do ateísmo e da religiosidade para que fossem comparados o nível de solidariedade? Que fossem realizados estudos prospectivos de longo prazo para se estudar o comportamento de religiosos e ateus frente a situações limites como morte de familiares, guerras, catástrofes naturais ou crises sociais?

Ao estudarem o comportamento de religiosos e não religiosos, a ciência apenas revela que a evolução espiritual dos seres que habitam nosso mundo é muito semelhante. Esses estudos não revelam a importância da prática religiosa e do ateísmo ou uma desvinculação com um senso de transcendência. Muitos materialistas, na prática, raciocinam como se Deus existisse. A maioria dos estudos envolvendo a religião são realizados por pessoas não particularmente religiosas. Não teríamos nesse aspecto a possível contaminação da metodologia dos estudos ou, pelo menos, da interpretação de seus resultados?

É sabido que os humildes são, entre todos os homens, os que menos interresse tem em se tornarem líderes e que somente em caráter excepcional alcançam postos de destaque e influenciam as religiões a que se filiam. Francisco de Assis, Irmã Dulce, Chico Xavier e outros religiosos admimiráveis jamais ocuparam cargos relevantes dentro da instituição religiosa a que se filiaram.

Se analisarmos com mais atenção veremos que os ateus e não religiosos não se notabilizaram por construir instituições beneficentes. Depois dos governos que representam o Estado, com seus impostos e contribuintes, são as instituições religiosas as maiores responsáveis pela rede de proteção social. No Brasil, cerca de um terço do serviço de assistencia social é realizado por grupos espíritas, cerca de dois terços são de responsabilidade dos governos. Aparentemente, se a religião não consegue transformar religiosos em santos, pelo menos é capaz de mobilizar o que existe de melhor em cada pessoa.

Se o número de espíritas corresponde a 2% dos brasileiros e são responsáveis por um terço da assitencia social no país, o que aconteceria se representassem, digamos, 25%? O que diferencia os espíritas dos demais religiosos? Serão naturalmente mais caridosos? Por que isso deveria acontecer? Não parece existir qualquer motivo para pensarmos assim, mas não pode ser uma coincidência que a caridade que os espíritas praticam seja trinta vezes maior que a de todos os outros religiosos reunidos.

Diferentemente de outras religiões, o critério de salvação no espiritismo é a caridade, não a fé. Claro que sem fé não podemos exercer a caridade em grande extensão ou mesmo como prioridade. A função da fé é tornar o homem um ser caridoso, ou seja, espiritualmente melhor. O fato é que a evolução espiritual de cada um é que determinará o seu comportamento, não sua religião. A religião influência a transformação moral e comportamental do religioso, mas cabe a este deixar transformar-se. Se a religião fosse uma fábrica de fanáticos como muitos pensam, milhares ou milhões já se comportariam como Francisco de Assis e Chico Xavier.

A religião, todavia, tem a função de impulsionar o homem para que este se torne melhor. O problema surge quando as religiões não valorizam a caridade, tornando-a uma virtude dos Santos, não do homem comum. O espiritismo se diferencia das demais religiões neste aspecto fundamental. A caridade é simples obrigação de todo ser espiritual, religioso ou não. O problema é que o processo evolutivo é lento para espíritos pouco propensos ao bem, como é o caso dos espíritos encarnados em nosso mundo.

As religiões  desempenharão o seu papel quando ensinarem ao homem a amar a Deus, não somente acreditar em Deus. Quando tornarem o céu o resultado da caridade que exercemos nesse mundo, e não o resultado da crucificação de Jesus. Tornarão o homem melhor quando ensinarem que acreditar em Deus é importante, mas que mesmo o assassino frio e egoista acredita em Deus, mas não o ama. Quando, finalmente, se lembrarem que aquele que aborrece seu irmão e diz adorar a Deus, está mentindo, pois, se não ama a seu irmão que vê, como amará a Deus que nunca viu? São palavras do apóstolo Paulo, esquecidas ou não incentivadas por grande parte das instituições religiosas, mas condizentes com a verdadeira religião.

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