EM BUSCA DE ESPIRITUALIDADE

O espírito Emmanuel assevera que precisamos de espiritismo, de espiritualismo, mas precisamos acima de tudo de espiritualidade. Todas as religiões, quando bem conduzidadas, assim como as filosofias que objetivam promover a dignidade humana, buscam a espiritualidade. É a lei de adoração tão bem explicada em O Livro dos Espíritos. E tão pouco entendida por todos. É a busca de transcendencia que nos move para uma situação melhor.

Mesmo o ateismo, embora, não promova ou busque a espiritualidade, não consegue de forma coerente promover a dignidade e o respeito mútuo, por não apresentar qualquer tipo de fundamento para uma espiritualidade legítima. Não significa que o ateu e o materialista não possam ou queiram defender o amor e a justiça. Sim, a maioria deseja, mas suas próprias crenças sabotam suas melhores intenções. Sem um senso de espiritualidade o homem não consegue libertar-se de si mesmo, mantendo-se preso ao chão da terra, embora, sonhe com as estrelas.

O que é espiritualidade? Como podemos alcançá-la? A espiritualidade é um senso de estar ligado ao universo e sob o comando de algo superior que sustenta e dá sentido a tudo. Algo que mantem mundo e seres fazendo parte de um ideal comum, de forma que o homem não se torne estranho a si mesmo e a tudo que o rodeia. Os ensinamentos cristãos são a fonte maior dessa busca, exemplificada em Jesus quando nos fala: eu e o Pai somos um.

John Stuart Mill (1806-1973) acreditava que devíamos agir tendo como principio promover o máximo de felicidade e o mínimo de dor. A ação correta seria sempre a que promovesse maior bem estar com o menor desconforto. Defendia a tese de que podíamos fazer o que bem desejássemos, contanto que não prejudicássemos o próximo. Mill acreditava que fazer a coisa certa é fazer aquela que desse o melhor resultado.

O problema com o pensamento de Mill é que nem tudo o que oferece o melhor resultado é o melhor a se fazer, levando-se em consideração fatores morais. Por exemplo, se todos fossemos testemunhas de Jeová, não haveria problemas para hemotransfusão, ou seja, não seria necessário bancos de sangue. Seriam economizados bilhões de euros todos os anos. O dinheiro economizado poderia ser empregado na educação e no próprio sistema público de saúde. Existe, porém, uma questão: morreriam pessoas devido a não transfusão de sangue. Poderíamos supor que um adulto pode se responsabilizar por suas crenças, mas e os filhos pequenos e recém nascidos de pais testemunhas de Jeová?

Percebemos, intuitivamente, que um sentido de justiça e correção guia o sentimento moral. Não conseguimos reduzir tudo a cálculos de lucro e prejuizo. A existencia não pode submeter-se nem mesmo ao que pareça ser racional. Não achamos justo matar um homem para salvar dez homens, sobretudo, se este homem não tiver culpa em relação aos homens que serão mortos. Esse sentimento de não podermos submeter a vida e a existencia de outros seres a fatores racionais e, aparentemente, justificáveis tem um nome: espiritualidade.

A Pena de morte tem lógica se imaginarmos que um assassino que foi morte como sentença, não irá matar novamente, mas não parece justo que o estado mate pessoas para mostrar que matar é errado. Muitos defendem o aborto sob a alegação de que a mulher é dona do próprio corpo, que será ela que terá de sustentar e amar uma criança que não deseja, mas não parece certo que uma pessoa possa ter outra pessoa como propriedade.

Se a mulher pode abortar até o quinto mês como admitem alguns paises, por que não pode fazê-lo no sexto ou sétimo mês? Se o corpo pertence a mulher, por que não pode engravidar para vender o seu filho? Percebam que mesmo uma sociedade estruturada em profundo materialismo e ignorância da realidade espiritual, não consegue viver sem um mínimo de espiritualidade.

Atualmente, esta se tornando comum falar que a única religião que precisamos é o amor. Os religiosos são acusados de hipocrisia e que muitos religiosos não são em nada melhores que os ateus. Concluem, portanto, que a religião é desnecessária ou mesmo nociva. Por que motivo os ateus não são acusados de hipócrisia? Por que os não religiosos não são acusados de fanáticos da não religião ou de não amarem o seu próximo como a si mesmos? Não seria porque nada esperamos de bom do ateismo, do materialismo e daqueles que são contrários ou indiferentes à religião? Os cristãos são acusados de egoistas, mas os ateus nunca são acusados.

Podemos buscar a espiritualidade na religião ou fora dela, na ciência bem comprendida e na filosofia racional, mas sempre será necessário crer em algo que esteja fora do próprio homem, algo que legitima a sua busca e o seu valor, que se estenda acima da cultura e dos modismos, que se eleve acima da opinião e da incredulidade. Esse algo é Deus, mas não basta nele acreditar, é indispensável trazê-lo para a própria vida, que possa habitar a consciência e não ser sufocado pelo orgulho e egoismo. Não podemos fazer isso se não o amamos. A única forma de se conquistar a espiritualidade plena é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

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