PERTO E DISTANTE

 

Quando me vires falar
Este falar inocente,
Este é o olhar simples
Do querer, não o olhar
De quem sente.

Quando estou a ouvir
O que a mim mesmo digo,
Estou distante de mim
Estou mais perto e contigo.

Nesta vida alheia a mim
É que me criei um tanto crente
Das coisas que se não vê
E infiel ao que sente.

Permita que a vida revele
A mim o que devo ser
Que estou a me perder
Neste viver diferente.

E, assim, cantando o amor que se
Sente, vivo a sonhar os amores
Que me faz diferente.
Guardo comigo doce esperança:
Quem ama vive de amar
Não de ser o que pensa.

ESPÍRITO: Fernando Pessoa.

MÈDIUM: João Senna.

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