DO OUTRO LADO

Aqui estou amigo!
Um ser que vive e chora
E sente que o tremular do sino
É quem avisa a sua hora.

Tristes versos meus,
Mais triste que o adeus,
Mais solitário que o canário
Preso na gaiola. Versos mais
Tristes que a própria dor
Que chora.

Minha alma é um desalento só,
Capaz de encher o mundo todo,
Vive de mendigar, vive do lodo!
Um ser que chora às portas da tristeza.
Um lamento sem fim da natureza,
Uma rude orquestração.
Uma coisa presa, que morre a
Míngua às portas da igreja!!

Mais eis que ao sair do túmulo,
Última esperança dos desgraçados,
Meu ser que achava consumido e degredado
Se ergue e chora e delira em risos,
Abrindo os braços para a nova vida!

Amigos que não me lembrara
De outras vidas e outras dores,
Me estendam as mãos com flores
E dizem: Tu não és alma vencida…
Abre-se-me os olhos para a nova vida!
Médium: João senna
Espírito: Augusto dos Anjos.

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