CONFISSÃO DE AMOR

 

Canto como quem faz uma confissão
Aos homens e as seres que se vão.
Ao amores que confesso que voltarão,
Aos amores de Paris e do sertão.

Amo como quem fere o desespero
Como a velhice que faz cair o cabelo
Ou torná- los lindos como a neve.
Para ser breve não mais vos falo,
Não é que me calo: que amor
não tem medo,
Tem segredo.
Uma bela hora de se alegrar é
isso que vos declaro.
Agora que fui mais que claro
E raro.

Rezo como quem faz poesia
E, assim, me faço e refaço
Ou é a poesia que me refaz?
Prendeu-me a vida num laço
Aquele elo que faço e
E que refaço
Na vida sempre nova.

Caminho como quem encontra
A mulher amada: primeira
Encantação que se encontra na vida
E o último amor que se dá guarida,
Mas não o último amor que se tem
Como asa partida.

O amor sempre vai, o amor sempre vem
E em tudo a vida procura o seu bem,
Na mulher amada, na criança mimada,
Na Lua ensolarada e na hora marcada
Pelo amor.
A vida vai, a vida vem, e ninguém é triste
Com o seu bem.
Ninguém é sozinho, quando dá carinho,
Ninguém é desocupado quando se faz amado.

Alguém que sorri, alguém que chora,
Um outro encontra o seu travesseiro
E eu encontrei o amor verdadeiro.
O amor que ama sem nada esperar
O amor que se desfaz no prazer que é amar

O amor vai, o amor vem,
Os dias passam e eu também.
Eu colho flores como quem reza
Um canção para todos nós,
Uma ave maria, um rogai por nós,
O sino que bate perto da padaria
O diário de amor que a moça lia e lia…
Um gesto de inocência, uma mágoa esquecida…
Tudo isso é vida, tudo isso é amor.

Espírito: Manuel Bandeira.
Médium: João Senna.

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