CARTA A MINHA MÃE

 

Quando te foste, sem um sinal,
Sem um pequeno adeus…
Toda a vida se desfazia na
Mais suprema dor.

Parece que dormias,
Parece que fazias uma prece
Sentida. Mas morrias…
E uma dor tão funda
Abria-se em abundantes
Caudais e toda fé que havia,
Tornou-se a revolta
de uma triste via…

E Toda a esperança caia
Quando desfalecias…
E quis trocar a minha vida
Pela tua, mas não querias.
Tu que eras a minha estrela
Primeira, que me embalara
A vida…
Parecia estar vencida.

E sinto o frio nas mãos
Que me agasalharam,
Mãos de vida,
Tuas mãos tão queridas.
Agora não falas,
Quero dizer-te o último adeus
Nos versos meus, mas
Que são só teus…
Mas já te partes.
E a madrugada mais fria se torna
Porque tu partes, sem despedida.

E muitos anos se passam
E parto eu em direcão ao fim,
Mas de alegria me espanto
E me alegro de encontrar-me vivo!
E em teus braços me embalares
Para que nunca tenhas de me adeus.

Espírito: Miguel Torga.

Médium: João Senna.

A imagem acima pode ter direitos autorais.

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