A HUMANIDADE E A REVELAÇÃO ESPIRITUAL

As revelações das grandes religiões não diferem em seus aspectos fundamentais, embora, a interpretacão das successive gerações tenham desfigurado profundamente os seus ensinos originais tornando-os, frequentemente, o oposto do que eram em sua feição original. Assim é com o cristianismo primitivo que aceitava a rencarnação e a comunicação mediúnica, denominados respectivamente ressureição e dons espirituais ou carismas.

Alguns espiritas, sobretudo, os que se interessam pelo aspecto científico do espiritismo, acreditam que o mesmo somente será aceito quando demonstrados pelas melhores universidades. Respeitamos tais consideracões e percebemos um certo otimismo nessas propostas, talvez, um otimismo exagerado e mesmo desnecessário.

O espiritismo é uma ciência completa, significa dizer que não necessita que o comprovem, mas que o aceitem. A experimentação científica no laboratório da mediunidade  realizada por Kardec e outros sábios e cientistas,  como o criteria de universalidade do ensino dos espíritos utilizada para construir a codificação espírita nunca foi aceitacono algo sério pelas universidades. A raridade de trabalhos acadêmicos evolvendo a temática Espírita deveria ser mais que suficiente para demonstrar que as universidades e seus doutores e mestres, percebem o espírito e a imortalidade como crenças infantis na melhor das hipóteses ou inequívoca demonstração de distúrbio mental.

O objetivo do espiritismo é a humanidade, não os cientistas ou as universidades. As glórias e aplausos em nada o atraem, embora, possam atrair muitas homens e alguns espíritas, como não poderia deixar de ser. É ao ser imortal que o espiritismo se dirige, não ao bicho da terra que, muitas vezes, denominamos: o homem. Sua proposta é tão avançada que poucos espíritas o comprendem em toda sua grandiosidade e beleza. Muitos desses espíritas estacionam na beira do caminho aguardando que a ciência materialista venha comprovar o que ela abomina para, somente então, aceitarem realmente o espiritismo.

Muitos desses irmãos distraídos chegam afirmar que a imortalidade não foi ainda comprovada. Acreditam, esses exigentes cultores da ciência, que toda experimentação mediúnica estudada por grandes cientistas do passado, foram apenas ensaios para uma futura e definitiva demonstração. Não percebem que o espiritismo já foi demonstrado e eles próprios é que ainda não o aceitaram. O povo, todavia, em sua simplicidade e percepção não contaminada por preconceitos de natureza científica e filosófica já o aceita ou combate, demonstração que  percebeu sua força e verdade.

Kardec declara que a aceitação do espiritismo não se dá por um fator intelectual ou cultural. Grandes intelectuais não o aceitam ou compreendem, quando adolescentes mal saidos da infância percebem seus delicados nuances. Afirma, o codificador, que a parte de qualquer aspecto científico ou filosófico, o espiritismo para ser aceito depende da maturidade do senso moral. Esta é uma carcterística essencial do espírito encarnado, característica essa que não esta ligada a fatores culturais ou intelectuais adquiridos.

Compreendemos que a aceitação das grandes verdades espirituais necessita de um homem igualmente espiritualizado. Existe uma necessidade intransponível de amadurecimento do senso de justiça. Parte significativa da humanidade acredita que a vida pode ter sentido mesmo que se acabe no cemitèrio. Defendem essa idéia pessimista e desoladora como se representasse uma concepção que traria grandes benefícios à humanidade. Torçem para que o homem se extinga a fim de que se viva da forma que se desejar, não tendo que se preocupar com a responsabilidade de seus atos caso houvesse uma vida depois dessa vida. Creem, muitos com sinceridade, que a vida não possui um significado anterior ao homem, cabendo a este e à cultura inventá-lo.

Certamente, tal estado de coisas perduraria eternamente caso não fosse iniciado o processo de rencarnação em massa de espíritos mais espiritualizados e aptos a aceitarem que ninguém pode desfrutar o céu tendo grandes defeitos e nada tendo realizado para usufruir tal condição. Que a cada um deva ser dado de acordo com sua obra, que a crucificação de um homem não pode se transformar em passporte para as bem-aventuranças. Que o sentido da existencia, para ser legítimo, deve existir a despeito de qualquer cultura, opinião e desejo. Não há como transferir esses conceitos e sentimentos para os que ainda não os conseguiram por esforço pessoal e intransferível.

COMO IDENTIFICAR OS ESPÍRITOS?

 

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Uma dificuldade na atividade espírita é a identificação dos espíritos. O que é identificar alguém? Os espíritos nada mais são que as almas dos  homens e mulheres que, vivendo na Terra, deixaram este nosso mundo para continuar vivendo. A diferença é que nem todos os vêem ou percebem, apenas os médiuns. São, portanto, pessoas como todos nós e mantém suas características. A morte não os transforma em anjos ou demônios, sábios ou heróis.

O mesmo critério utilizado para caracterizar as pessoas com quem conversamos será o que utilizaremos na identificação dos espíritos. Em, O Livro dos Médiuns, Kardec descreve como será realizada esta identificação. Se observarmos bem veremos que tudo se pauta pelo bom senso, naturalidade é um uso criterioso da razão.

Em nossas conversas percebemos se alguém é educado através de seus modos, se é gentil através de sua disposição para ajudar e como executa essa ajuda. Identificamos uma pessoa culta pelo seu vocabulário bem empregado, pela vastidão de seus conhecimentos. Compreendemos a sabedoria de alguém pela beleza de seus ensinos, pela justiça em suas colocações. Assim devemos fazer com os espíritos.

Se alguém convive com pessoas desonestas e o faz com prazer, se adquire seus vícios com satisfação, poderemos acreditar que pessoas honestas queiram conviver com tal pessoa e elaborar atividades úteis por grande período de tempo? Se dispõe de pessoas honestas e de boa vontade para se vincularem ao trabalho do bem, por que escolheria as menos dispostas para junto a esta pessoa realizar o trabalho da caridade e do esclarecimento espiritual junto à sociedade? Assim, os espíritos bondosos também se vinculam às pessoas bondosas, honestas e dispostas ao sacrificio de seus interesses imediatos para servirem a uma causa maior.

Devemos observar o comportamento moral do médium como um dos critérios para acreditarmos na veracidade de suas comunicações. Não significa que os espíritos bondosos sejam preconceituosos, tal fato revela apenas que não podem pedir algo para alguém que não tem esse algo para oferecer. Simples questão de lógica e respeito ao grau evolutivo de cada um.

Poderá um espírito muito evoluído utilizar um médium pouco moralizado, pois, todos podem participar no trabalho do bem, mas não é possível fazê-lo por longo período ou utilizar esse médium em detrimento de um médium com melhores disposições morais. Os motivos já foram expostos acima.

Outra forma de identificação dos espíritos é a sua linguagem. Não é possível que espíritos zombeteiros e maldosos se utilizem de uma linguagem com alto conteúdo  moral. Podem, evidentemente, tentar imitar algumas frases de efeito, mas o conteúdo geral da mensagem revela a superficialidade ou a maldade de que são imbuídos. Em uma mensagem ou outra acabarão se revelando. Um espírito que se diz filósofo não poderá falar obviedades ou tratar de assuntos pueris e de forma a fugir de uma lógica básica. Da mesma forma um espírito que se identifica como físico não poderá cometer erros grosseiros de física em contradição com o que revela a mais básica ciência. O mesmo se aplica aos poetas e espíritos pintores. Se o grupo que irá analisar a mensagem não possui os recursos culturais e intelectuais para tal análise, procure em outros grupos ou pessoas a orientação necessária. É importante que grupos e médiuns não se isolem, pois, podem estar sob o jugo de um processo de fascinação coletiva por parte de espíritos obsessores.

Se a mensagem tem um caráter familiar, se é endereçada a um membro específico da família? Neste caso a análise é mais rigorosa, sobretudo, se trata de mudanças de conduta ou conselhos aos familiares. Deverá o espírito oferecer provas de que é realmente ele que escreve ou fala. Estas provas serão mais específicas na medida em que a mensagem assume um comprometimento maior da parte de quem a recebe. Não pode ser genérica, mas precisa conter fatos e informações que somente o espírito e o familiar poderiam saber. Na mensagem de filhos ou filhas desencarnadas o médium deverá oferecer nomes de familiares que desconhece, datas, pormenores impossíveis de o médium saber. Em respeito à própria respeitabilidade do espiritismo, deve ser assim. Se assim não for, irão se multiplicar falsos médiuns na busca de aplausos, pois, a fraude ou  manifestação de animismo poderá ter muitos motivos além do financeiro. O médium, sobretudo, o médium espírita não poderá cobrar, mas o fato de não cobrar em dinheiro, não faz que sua mensagem seja automaticamente autêntica.

Análise racional de tudo o que for recebido. Não importa se o médium é famoso nacional e mesmo internacionalmente. O médium, mesmo que tenha um trabalho de caridade imenso, ainda assim sua mensagem mediúnica deverá passar pelo crivo da razão. Não estamos analisando o médium, mas a mensagem transmitida através do mesmo. Não importa se você se sente bem junto a este médium, se ele o faz feliz. Não podemos transformar a atividade espírita em uma questão pessoal, de disputa e prestígio de grupos ou pessoas. A atividade espírita é uma questão de amor e racionalidade livre de personalismos. A identificação dos espíritos se utiliza da moralidade e da biografia do médium, mas não termina nesse ponto. Este é apenas um dos aspectos da análise de um texto espírita.

Existem questões em que a fidelidade do médium, sua capacidade mediúnica e sua caridade são essenciais para acreditarmos em suas mensagens. Muitas informações do mundo espiritual não são passíveis de serem demonstradas racionalmente. A existência de automóveis no mundo espiritual é, de certa forma racional, pois, nem todos os espíritos tem capacidade de volitacão como aprendemos em O Livro dos Espíritos. A existência de ministérios ou funções desconhecidas por nós, devem ser analisadas dentro de um contexto maior. A moralidade do médium, sua capacidade de filtrar com grande neutralidade a mensagem, sem componentes anímicos intensos. A linguagem do espírito, a lógica interna do livro. Um exemplo é o livro Nosso Lar. Neste livro percebemos grande coerência lógica e com linguagem adequada ao que propõe decrever. Enfim, exige estudo, bom senso, moralidade, humildade  e análise crítica a identificação dos espíritos. Não é algo sempre fácil, mas está longe de ser impossível.

João  Senna.

salvador, 29/08/2016

 

 

 

FENÔMENO ESPÍRITA OU ESPIRITUAL?

Os fenômenos de natureza espiritual são parte da natureza. Kardec estudou os fenômenos mediúnicos com a mesma naturalidade que se estuda os fenômenos da meteorologia, pois, ambos fazem parte dos fenômenos naturais. Tais fenômenos acompanham a humanidade em todas as suas etapas do seu desenvolvimento, sendo comuns para o homem das cavernas da mesma forma que o são hoje. Pode-se dizer que em ternos de uma lógica rigorosa, não existem fenômenos espíritas e sim, fenômenos espirituais. Os espíritas e o Espiritismo não são proprietários de tais fenômenos, embora, os expliquem de forma racional e baseados na própria fenomenologia com que se apresentam.

Se os cientistas tivessem se debruçado sobre os fenômenos espirituais sem isenção de ânimo, sem preconceitos, teriam chegado às mesmas conclusões à que chegou a codificação espírita. Infelizmente, a ciência e seus representantes deixaram-se encantar por uma visão materialista e, portanto, incompleta da realidade. O Espiritismo explica os fenômenos mediúnicos, não os criou ou subordinou a uma visão preconcebida dos mesmos. Kardec reformula opiniões e conceitos ao longo de seus estudos e pesquisas, de forma que o Espiritismo surge deste amadurecimento e da orientação dos espíritos superiores.

Afirma-se no movimento espirita que a época da fenomenologia espiritual já passou, pois, tais fenômenos já não se fazem necessários. Teríamos alcançado um nível de esclarecimento suficiente para deles não precisarmos. Mas pergunto: nós, quem? Será que os fenômenos espirituais foram feitos somente para os espíritas? Se juntarmos todos os espíritas do mundo teremos não mais que dez milhões de almas. Será este número suficiente para o esclarecimento da humanidade? Certamente que não. No máximo podemos dizer que nós, os espíritas, não precisamos mais deles para nos convencer da realidade espiritual e nunca que o mundo deles também não precise. Mas o fenômeno espiritual não tem somente o objetivo de demonstrar a realidade do espírito, tem inúmeras outras finalidades como a orientação espiritual e a consolação.

O intercâmbio com os espíritos é algo natural, não objetiva apenas a demonstração da realidade da imortalidade da alma. Os espíritos superiores poderiam se materializar com frequência se estivéssemos aptos para aproveitar seus ensinos. Conversar com parentes e amigos falecidos é antes fonte de consolação, não um espetáculo para os descrentes. Acredito que no futuro, quando a sociedade for constituída em sua maioria por espíritos moralmente adiantados e intelectualmente dispostos a aproveitar os ensinos de natureza superior, nesta etapa da evolução humana, será muito mais frequente o intercâmbio ostensivo com os espíritos superiores. É inútil um espírito superior se materializar para ensinar para aqueles que não estão dispostos a aproveitar seus ensinos.

É necessário a sublimação dos sentimentos e uma reformulação do comportamento social a fim de que a fenomenologia espiritual possa se ampliar de forma ostensiva na sociedade. Futuramente teremos aparelhos capazes de materializar os espíritos, de permitir a comunicação visual e sonora com os mesmos. Atualmente, se tais aparelhos existissem, seriam utilizados para o intercâmbio com espíritos inferiores que melhor retratam os anseios de expressiva parcela da humanidade.

A época dos fenômenos espirituais não passou, apenas nós é que não fomos capazes de merecer o intercâmbio mais ostensivo com os bons espíritos. É indispensável reavaliar à nós mesmos para não nos colocarmos como porteiros do intercâmbio entre os dois mundos. Emmanuel revela que, na etapa em que a humanidade se encontra, somente dois fatores justificam a materialização dos espíritos: a pesquisa científica e o trabalho de cura espiritual. Observemos que Emmanuel é prudente e revela: na etapa atual da humanidade e isto significa que, o que impede a abundância de fenomenologia “espírita” é a dureza de nossos corações.

Conversar com os espíritos, evocar os espíritos, materializar os espíritos. Nada disso é coisa do outro mundo. Nenhum desses fenômenos é propriedade dos espíritas. Se Allan Kardec conseguia comunicar-se com grandes personalidades da história universal, tal se deve, não à abundância ou preparo dos médiuns europeus, mas à seriedade e o amor que dedicou à codificação espirita. Se tivéssemos tal seriedade ou preparo intelectual, se a sociedade estivesse realmente interessada em se preparar para a vida que sucede a vida, se tivéssemos a fé do tamanho de um grão de mostarda, então, teríamos uma abundância de fenômenos espirituais e nada nos seria impossível, como nos ensinou Jesus.

João Senna
Salvador, 31/072016

TRANSE MEDIÚNICO: CONTROLE DO ESPIRITO OU DO MÉDIUM?

 

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Foto: rede amigo espírita

O Transe Mediúnico é um estado alterado da consciência onde a mente de um espírito desencarnado entra em contato mais acentuado com a mente do escarnado (médium). A despeito da interação mental entre espíritos ser algo constante, pois, a mente pode ser comparada a uma estação receptora e transmissora de pensamentos, chamaremos o transe a um aprofundamento desta interação. Este fenômeno é conhecido como incorporação ou psicofonia.

Ao conjunto de fatores que estabelecem a ligação entre médium e espírito comunicante denominamos sintonia mediúnica. Não se trata apenas de uma capacidade orgânica de assimilação de fluidos espirituais que permitam a interação. Apesar do processo ser orgânico, suas causas são inteiramente espirituais. Sintonizamos com os espíritos que se assemelham com nosso forma de sentir, pensar e agir. Se gostamos de filosofar atraímos espíritos de filósofos ou mais filosóficos, se preferimos temas místicos,  teremos a companhia de místicos. Muitos preferem ter a bebida alcoólica como companhia e atrairão, naturalmente, espíritos vinculados ao álcool. Ao praticar a caridade, atrairemos espíritos vinculados ao bem, se preferimos a maledicência e outros vícios, estaremos em companhias que se afinam a tais tipos de comportamento. Nas reuniões mediúnicas, os mentores do trabalho direcionam os espíritos para determinado médium na dependência dos recursos que este médium ofereça às necessidades do espírito que irá manifestar-se.

O momento do transe mediúnico é aquele em que o intercâmbio espirito-médium se dá da forma mais intensa. Podemos dizer que o espírito comunicante, por momentos, passa a vivenciar a vida de encarnado. O mergulho nos fluidos do médium pode se apresentar como recurso terapêutico favorável à estruturação do perispírito e das emoções daquele que se comunica. Poderá ainda favorecer que o espírito possa visualizar outros espíritos que o queiram ajudar. O restabelecimento de seu equilíbrio emocional pela atuação terapêutica dos fluidos do médium amplia, automaticamente, o seu campo perceptivo e assim poderá visualizar amigos e parentes no plano espiritual. Esse expediente apresenta-se de inestimável valor no seu reequilíbrio espiritual.

Até que ponto médium deverá  “entregar-se” à comunicação mediúnica? Certamente até o ponto em que isto for favorável ao processo que se realiza. A função da comunicação mediúnica não é permitir que o espírito faça o que desejar, mas que seja feito o que for favorável ao seu equilíbrio. O médium tem, portanto, o papel de controlar o processo, afinal, é ele que deve estar em equilíbrio emocional, não o espírito que irá ser auxiliado. Poderá o doente submetido a um procedimento cirúrgico ter o controle sobre o cirurgião, sobre a equipe cirúrgica e o sobre a própria cirurgia?  O médium, como o cirurgião, deve ter o controle do processo. O espírito deve expor sua emoção, mas o médium não precisa assimilar a emoção desequilibrada do espírito como se fosse o seu desequilíbrio, porque se o fizer passará ele mesmo ser outro espírito em desequilíbrio. Muito menos o médium fará parceria com o espírito que se comunica passando ambos a viverem em identidade de propósitos. O médico não necessita ficar doente para cuidar do doente e o mesmo se aplica ao médium. Linguagem vulgar, reações motoras intempestivas ou gestos obscenos deveram ser impedidos pelo médium que, afinal, deve ter um equilíbrio emocional melhor do que o do espírito que se comunica, da mesma forma que o cirurgião deve estar em melhor situação que o paciente que vai operar, sobretudo, quando o paciente se encontra em grave estado.

O médium não necessita mimetizar nos mínimos detalhes os sentimento, as palavras  e o modo de ser do espírito comunicante. Não se trata de uma peça teatral onde o melhor ator é o que melhor representa o personagem. Não é a comunicação de auxílio aos espíritos sofredores   um expediente para a identificação de espíritos ou para se provar a imortalidade através das características exatas do espírito que se comunica. Não é uma competição o ato mediúnico, mas um ato de amor. O amor exige disciplina acima de tudo. Deverá o médium ajudar o doutrinador, não fazer uma parceria com o espírito comunicante. Aumentar a força de um espírito perturbado intelectualmente e doente emocionalmente nada mais é que concordar e fortalecer seu desequilíbrio.

Em relação à comunicação dos mentores do médium e da equipe espiritual que coordena o trabalho, a comunicação poderá se processar de forma diversa. Idealmente, o médium deverá permitir que tais espíritos se expressem com a máxima desenvoltura a fim de que a comunicação se dê com máxima fidelidade. Quanto melhor o espírito se comunique, quanto mais livre for para expressar pensamentos, gestos e linguagem, tanto mais bela e proveitosa será a comunicação. É a situação diametralmente oposta à comunicação de espíritos necessitados de orientação e amor, porque no caso dos bons espíritos que se comunicam, é a emoção do médium e seus fluidos que serão equilibrados e não os do espírito comunicante que já se encontra plenamente harmonizado.

Perceba-se que sempre o médium deverá ter o controle da comunicação. No caso dos bons espíritos permitindo que nos auxiliem e favoreçam a harmonia do médium e do ambiente e no caso dos espíritos necessitados, permitindo que uma comunicação controlada favoreça que o equilíbrio espiritual desses espíritos seja restabelecido. Devemos usar o bom senso e a racionalidade em todas as situações. O Livro dos Médiuns deverá ser estudado e refletido por todos os médiuns que queiram fazer da comunicação mediúnica um elemento de amor e aprimoramento espiritual. Nele encontraremos a diretriz segura para nossa conduta diante da complexidade do fenômeno mediúnico, complexidade esta que não poderá ficar totalmente à mercê da experiência pessoal de médiuns, dirigentes, opiniões ou divagações de toda espécie, em que pese o respeito e consideração que devamos ter por pessoas e instituições.