POR QUE A CULPA E A DOR SÃO IMPORTANTES?

 

Fugimos da dor e da culpa sob quaisquer aspectos em que se apresentem, mas as generalizacões absolutas podem trazer, muitas vezes, o resultado contrário ao esperado. Fugir a qualquer dor pode nos levar a dores maiores.

Existem uma doença raríssima em que o individuo não sente nenhum tipo de dor. Neste caso, a expectativa de vida, raramente, passa dos trinta anos. Se temos, por exemplo, apendicite ou infarto do miocardio, sentimos dor e procuramos auxilio médico, neste caso podemos nos salvar. Se não sentíssemos dor morreríamos. Este exemplo demonstra que a dor nem sempre é ruim.

Quando cometemos algo ruim, sentimos culpa. Uma convicção e sentimento que muitos sentem ao cometer algo que não deveriam e que estava sob o seu domínio não cometer. Magoar, trair, ser ingrato, etc…podem levar a culpa. Se não sentíssemos culpa seria mais fácil fazer coisas erradas. Se sentíssemos prazer em fazer o que não devíamos, poderíamos nos viciar no erro. É o caso dos usuários de drogas ilicitas e não ilícitas. O caso dos sádicos e sociopatas são exemplos onde não temos o sentimento de culpa.

Não confundir culpa com depressão ou apego não produtivo e persistente à tristeza, mágoa ou desesperança que se prolonguem muito além do necessário. Neste caso não chamaria a isso de culpa, mas de resposta Inaadequada ou doença. Não adianta abolir a palavras culpa trocando-a pela palavra responsabilidade. Se não somos culpados por algo errado, tampouco somos responsáveis.

A culpa é algo mais profundo e diverso que a responsabilidade. O sentimento de culpa, quando bem conduzidado, coopera para a evolução Espiritual. Quando alguém não assume a culpa, é infantil, irresponsãvel ou algo semelhante. Muitos querem trocar o conceito de culpa por reparação. Dizem que não adianta sentir culpa, se errei, então reparo o erro. Muito louvável querer consertar, mas sem sentir-se culpado…. Será que não nos esqueceríamos?

Nem tudo que fazemos de errado podemos reparar. Se mato ou estupro, se sou ingrato, como reparar? Existe o verbo desmatar? Desestrupar? Desmagoar? A culpa serve para não nos sentirmos tranquilos após, consciente e deliberadamente, cometermos atrocidades ou algo Inaadequado. O contrário disso se chama irresponsabilidade ou o famosa jeitinho brasileiro de resolver tudo com palavras diferentes.

João Senna.

FINALIDADE DA DOR E DA CULPA

 

Fugimos da dor e da culpa sob quaisquer aspectos em que se apresentem, mas as generalizacões absolutas podem trazer, muitas vezes, o resultado contrário ao esperado. Fugir a qualquer dor pode nos levar a dores maiores.

Existem uma doença raríssima em que o individuo não sente nenhum tipo de dor. Neste caso, a expectativa de vida, raramente, passa dos trinta anos. Se temos, por exemplo, apendicite ou infarto do miocardio, sentimos dor e procuramos auxilio médico, neste caso podemos nos salvar. Se não sentíssemos dor morreríamos. Este exemplo demonstra que a dor nem sempre é ruim.

Quando cometemos algo ruim, sentimos culpa. Uma convicção e sentimento que muitos sentem ao cometer algo que não deveriam e que estava sob o seu domínio não cometer. Magoar, trair, ser ingrato, etc…podem levar a culpa. Se não sentíssemos culpa seria mais fácil fazer coisas erradas. Se sentíssemos prazer em fazer o que não devíamos, poderíamos nos viciar no erro. É o caso dos usuários de drogas ilicitas e não ilícitas. O caso dos sádicos e sociopatas são exemplos onde não temos o sentimento de culpa.

Não confundir culpa com depressão ou apego não produtivo e persistente à tristeza, mágoa ou desesperança que se prolonguem muito além do necessário. Neste caso não chamaria a isso de culpa, mas de resposta Inaadequada ou doença. Não adianta abolir a palavras culpa trocando-a pela palavra responsabilidade. Se não somos culpados por algo errado, tampouco somos responsáveis.

A culpa é algo mais profundo e diverso que a responsabilidade. O sentimento de culpa, quando bem conduzidado, coopera para a evolução Espiritual. Quando alguém não assume a culpa, é infantil, irresponsãvel ou algo semelhante. Muitos querem trocar o conceito de culpa por reparação. Dizem que não adianta sentir culpa, se errei, então reparo o erro. Muito louvável querer consertar, mas sem sentir-se culpado…. Será que não nos esqueceríamos?

Nem tudo que fazemos de errado podemos reparar. Se mato ou estupro, se sou ingrato, como reparar? Existe o verbo desmatar? Desestrupar? Desmagoar? A culpa serve para não nos sentirmos tranquilos após, consciente e deliberadamente, cometermos atrocidades ou algo Inaadequado. O contrário disso se chama irresponsabilidade ou o famosa jeitinho brasileiro de resolver tudo com palavras diferentes.

João Senna.

DESCARTES E O ESPIRITISMO

 

Um dos maiores pensadores e matemáticos que a humanidade conhece é Rene Descartes. Formado em letras, estudou no colégio jesuíta de La Flèche. Resolve viajar pela Europa para estudar matemática, física e ciências naturais. Após dedicar-se de forma metódica aos estudos, percebe que seu saber era quase nada e que estava bem distante de ser algo certo. Descobre que mesmo os homens considerados sábios, possuíam uma noção incerta da vida, dos seres, da natureza. Enfim, não eram mistificadores ou charlatães apenas bem intencionados, embora, seu saber fosse incerto.
Por algum motivo misterioso, Descartes resolveu conhecer a natureza das coisas através de si mesmo e da razão. Mas sua alegria foi contrariada por um senso de justiça e responsabilidade intelectual raramente visto. Perguntou a si mesmo porque não falharia onde todos ou quase todos falharam? Excetuando as ciências exatas pouco sobrara do edifício de papel do saber humano.
Onde encontrar a chave para a angustiante busca da certeza? Primeiramente procurou um alicerce sólido de onde poderia se levantar para contemplar o conhecimento real que pudesse alcançar. Resolve tudo submeter à razão, pois, em princípio ela poderia nos enganar, mas de todos os candidatos, afinal, julgou que seria a mais confiável. Começaria a duvidar de si mesmo e aos poucos aceitaria o que sua razão aceitasse como verdadeiro de forma clara e evidente, seja lá o que isto quisesse dizer. Era antes de tudo um compromisso não só intelectual, mas moral.
Dividir toda questão em seus termos mais simples e esgotar as perguntas sobre tal problema, passar para a segunda etapa do problema apenas quando a parte anterior se apresentasse de forma clara e evidente ao seu espírito. Avançar do mais simples ao mais complexo e no final fazer uma crítica rigorosa de todo o problema, percebê-lo em suas partes e no quadro geral para não deixar passar contradições.
Acontece que Descartes ficou preocupado com uma questão-como saberei que o que faço não é fruto de minha imaginação? Como saber que não passa de um devaneio o meu próprio existir, em que se fundamenta a certeza da possibilidade do meu raciocínio. Não poderia ter um gênio maligno colocado em mim a crença de que sou algo, quando na verdade sou um conjunto incoerente de algo sem sentido? Não poderia ter a ilusão de que existo ou que saiba alguma coisa e, no final, ser um fragmento de algo existente que nem chegou a se formar? Após pensar por alguns minutos ( brincadeira) chegou à conclusão que mesmo um gênio maligno não poderia enganá-lo em uma questão: a certeza da sua própria existência, pois, até para duvidar ou se enganar ou ser enganado m haveria de existir. Então, se eu estou pensando, enquanto penso estou existindo. Poderia até imaginar que meu corpo não exista e mesmo existir sem um corpo, mas nunca poderia pensar se não existisse. Penso, logo existo.
Allan Kardec pergunta aos espíritos se o espírito era imaterial. Os espíritos respondem que imaterial não seria o melhor termo, mas incorpóreo. O espírito não é matéria, mas certamente é alguma coisa, embora, não saibamos que coisa seria essa. Declaram, os espíritos, que coisa alguma é o nada e que o nada não existe. Kardec insiste e pergunta-como poderíamos, então, conceber o espírito? E os próprios espíritos respondem-Pelo pensamento. A mesma conclusão a que chegou Descartes para fundamentar o conhecimento e a sua própria existência como condição necessária para se saber alguma coisa. É preciso existir para conhecer e para existir basta pensar.
João Senna 2/6/2015

ANÁLISE DAS CRÍTICAS AOS TEXTOS ESPÍRITAS

O Espiritismo é uma doutrina de livre exame. Não existem oráculos ou autoridades que nos digam como interpretar a codificação espírita e os livros espíritas. Não existem médiuns ou personalidades espíritas por mais notáveis, que possam determinar a melhor ou a correta interpretação de um texto, afirmação ou conceito. Somos livres para, após ler e refletir, tirarmos as consequências filosóficas, religiosas ou científicas do que lemos.

Se a interpretação é livre, se não existem especialistas em Espiritismo, como determinar qual a interpretação correta da codificação? Quem irá nos esclarecer sobre a veracidade de um romance ou afirmação de natureza espírita? Sendo livre a interpretação, o Espiritismo irá se tornar um conjunto de opiniões pessoais e ficará ao gosto da supremacia de instituições ou líderes carismáticos? Prevalecerá a opinião dominante, sem que isso diga nada a favor de sua veracidade?

Allan Kardec instituiu o Espiritismo através do controle universal do ensino dos espíritos superiores. Um conjunto de inúmeros espíritos esclarecidos sob o comando do Espírito de Verdade fizeram  afirmações racionais, em diferentes países por médiuns que não se conheciam. Se uma mesma afirmação é fornecida por espíritos superiores por vários médiuns, não há motivos para duvidarmos de tal afirmação. A verdade não pode ter pátria, geografia, cultura ou pertencer a indivíduos ou grupos. Este foi o critério usado na elaboração da codificação espirita, livre de todo personalismo e examinada com o crivo da mais fria razão e em concordância com a experiência oferecida pelo laboratório da mediunidade e fenomenologia espiritual.

Se Kardec encontrou a melhor metodologia e o mais confiável critério para a elaboração da teoria espirita, o que nos fornecerá a chave para a sua adequada interpretação? Uma vez elaborado o Espiritismo, o que nos garantirá a sua melhor compreensão? Em quem confiaremos? Kardec responde: a razão de cada um e a experiência de incontáveis grupos. Declara no início de O Livro Dos Espíritos: “fé inabalável, somente o é, aquela que encara a razão face a face em todas as épocas da humanidade” equivale dizer que devemos ter fé naquilo que entendemos racionalmente e que não entra em contradição com o avanço do conhecimento científico e filosófico tanto no passado, nos dias de hoje e nos dias futuros. É realmente o critério de máxima exigência e confiança que se pode ter em uma doutrina.

Muito se tem escrito e falado a favor e contra o Espiritismo. As críticas desfavoráveis que se originam fora do meio espirita, são naturais e esperadas e nada mais fazem que divulgar o que julgam combater. As pessoas presas à sistemas e preconceitos continuarão a ser contrários às idéias espíritas, mas as que estão isentas de preconceitos e desejosas de conhecer a verdade ao estudarem de perto o espiritismo o aceitarão, porque nada é mais convincente que a verdade. O real problema surge quando as críticas contrárias partem do próprio movimento espirita, os espíritas combatendo outros espíritas ou sendo contrários à textos clássicos da literatura espírita e da própria codificação.

Como poderemos separar as críticas pertinentes das destituídas de sentido? Se parte do movimento espirita é favorável à determinada prática, enquanto outra parte é contrária. Se grupos espíritas são favoráveis à determinada produção mediúnica e outros grupos são frontalmente contrários, como sabermos onde se encontra o lado certo? Creio que o primeiro passo é reler a codificação espírita, pois, o ensino dos espíritos superiores é, seguramente, mais confiável que o de uma pessoa isolada ou mesmo instituições.

O segundo critério é avaliar as justificativas dos críticos aos postulados ou práticas espíritas. Suas colocações destinam-se a discutir idéias ou pessoas? No primeiro caso podemos nos dispor a refletir sobre elas, mas no segundo devemos descarta tais críticas, pois, o Espiritismo e o verdadeiro espirita não discutem pessoas e sim idéias e práticas dentro do movimento espirita. Quem faz a crítica elabora argumentos racionais ou especulativos apenas? Apela para o argumento da autoridade somente para nos impressionar? Descreve textualmente o parágrafo ou frase que julga estarem erradas ou, simplesmente, faz afirmações genéricas?

Li hoje críticas desfavoráveis à Léon Denis, considerado o continuador de Kardec no plano filosófico. Autor respeitado e, seguramente, um dos clássicos do Espiritismo. As críticas foram vagas e pessoais, a própria figura do autor é desprezada ou relativizada em sua importância e tido como uma pessoa que se afastou da codificação espírita. Seu próprio estilo literário é questionado. A maior fraqueza desta crítica é não especificar onde Léon Dênis se afastou da codificação. Todas as afirmações foram categóricas sem jamais se estabelecerem em um argumento racional.

Por que iríamos abandonar um espirita consagrado como continuador de Kardec, uma obra de raríssima beleza lírica e profundidade filosófica para nos aventurarmos a crer em colocações não racionais, repletas de adjetivos e generalizações vagas? Como não desconfiar da competência intelectual do autor do texto que tece suas críticas sem embasamento ? Deveremos acreditar pelo simples prazer de acreditar? Uma crítica bem fundamentada não pode ser um simples falar mal ou um desabafo anti-intelectual, raivoso e melodramático. Se alguém deseja ser levado a sério, deve ao menos despertar em quem lê ou ouve o beneplácito da dúvida. Palavras bonitas e abundância de adjetivos já não impressionam tanto.

João Senna
Salvador , 8/8/2016

DESCOBRINDO O QUE SOMOS

Uma frase famosa e muito repetidada é: “Ser ou não ser, eis a questão”. Acredito que nunca uma sentença foi tão repetida sem explicação. Seja um pouco chato e tente perguntar para alguém o que è a final: ser? Pergunte, sobretudo, para quem lhe falou esta frase. Outra análoga é esta: o importante é ser, não ter. E a mesma pessoa que assim fala, vive a procura de dinheiro e fica super feliz se o encontrar e tem tanta fé no dinheiro que joga na Mega Sena. Desconfiemos um pouco dessas simplificaçoes e analisemos com seriedade aquilo que nos propomos entender.

Iremos, primeiramente, definir uma coisa ou algo. Como definir algo? Bem, uma das formas é tornando esse algo reconhecível, dando a ele características que somente ele possui e que, além  disso, o fazem ser o que é. Por exemplo: a água é uma substância composta de átomos. Mas uma cadeira também é, e uma cadeira não é água. A cadeira tem cor, a água é incolor, não tem gosto ou cheiro( seu gosto e cheiro são dado pelos minerais e outros elementos que a ela se associam). É composta de dois átomos de hidrogenio e um de oxigênio). Assim definimos a água.

Como fazer em relação a nós mesmos o que fizemos com a água? Bem, aparentemente temos átomos em nossa constituição, mas quase tudo que conhecemos tem átomos. Uma montanha, uma vasilha ou uma banana tem átomos. Entretanto, você não é um banana ou uma banana. Procuremos outros elementos para nos diferenciar, para melhor nos individualizar. Nós pensamos, mas os animais também pensam e tem inteligência. Os animais, entretanto, tem uma inteligência não racional, é uma inteligência instintiva. É fruto da inteligência da espécie. Um cachorro só pode latir ou aprender alguns truques.

Nós, os seres humanos, somos diferentes dos animais. Temos uma inteligência pessoal, não apenas da espécie. Cometemos erros, teimamos e mentinos e podemos impor a nós mesmos deveres que vão muito além dos desejos ou obrigacões que nos são impostos ou agradáveis à sociedade. Temos o livre arbitrio, essa faculdade que nos permite fazer ou deixar de fazer.

Em O Livro dos Espiritos, aprendemos que somos seres espirituais. Somos um espírito, não temos um espirito. Temos um corpo. Os espíritos são os seres criados por Deus e que povoam o universo ilimitado. Qual a natureza íntima do espírito? Os espíritos superiores não sabem e muito menos nós. Sabemos, entretanto, que não somos matéria ou energia. Somos algo, certamente, mas não temos ainda recursos de percepção e inteligencia aptos para comprender a nossa própria natureza íntima.

Esse desconhecimento da nossa  natureza estrutural básica, não implica que não saibamos o que somos. Somos seres espirituais, temos a mesma natureza intima, mas somos diferentes uns dos outros. Alguns são bons outros são maus, alguns sábios, outros não. Aquilo de que somos construidos não define o que somos, apenas determinam nossas possibilidades e finalidades. Um sapo, por exemplo, por ser feito do que é  um feito um sapo, jamais sairá voando. Não existe nenhum argumento lógico que obrigue a um ser, ser feito sempre de matéria ou energia para existir. A existencia de algo não obriga a que esse algo seja material ou únicamente matéria.

Não basta saber o que somos, é indispensável saber a nossa finalidade no universo. Para que fomos criados? Devemos amar o próximo ou o amor é uma opção na existencia? Devemos adquirir conhecimentos sempre mais amplos ou podemos nos contentar com o conhecimento adquirido em sociedade e viver de acordo com tais preceitos e hábitos? O que é amar a Deus acima de todas as coisas? E por que este é o maior mandamento? Porque não basta acreditar e aceitar Deus? Essas perguntas somente fazem  sentido para um ser Espiritual. Se você acredita, como os materialistas, que essencialmente somos bananas pensantes, então, essas perguntas não são para você e você esta ” teoricamente livre” para ser o que quiser, inclusive, pode até querer não ser nada, como muitos, sem sucesso, já quiseram.

Aqueles que acreditam terem se originado do acaso biológico, certamente, não foram criados para serem de determinada maneira ou buscarem coisas especificas que poderiam ser chamadas de certas ou erradas. Se não tem função definida, podem definir para si mesmos o que desejarem apenas tendo na força bruta e na oportunidade os limites do seu desejo. Não tem como função serem bons ou maus, aliás, estão no universo como obra do acaso, são dessa forma estranhos a a si mesmos e soltos em um universo alheia a suas próprias existencias, desejos e finalidades.

O HOMEM QUE SE MATOU.

Não sei se ainda é o tempo do homem que se mata. Tinha um amigo que adorava dizer: no fim é o nada. Coisa estranha esse meu amigo. Nunca vi tamanha alegria em se acabar com a morte. E vivia assim de fazer propaganda dessa estranha certeza e ai daqueles que lhe contrariassem tal grave certeza tentando lhe dar um pouco de esperança. Algumas vezes lhe falava que por certo Deus não iria nos criar para nos matar e que mal não faria quem há viveu tanto, viver para sempre. Meu amigo me falava: mas que valor terá isso? Não vês que a finitude dá beleza à vida e que só tem valor o que se pode perder? Meu amigo era difícil de entender, e mais difícil era querer que encontrássemos alegria em suas palavras. Nos velórios nunca quis falar e ninguém o pediu.

Que dizer desta morbidez que ataca o mundo? Esse viver agoniado como se tudo fosse acabar? Nos pede a razão que esperemos que morram e vejam que não morreram, mas isso parece desforra. Viver como se fosse morrer é o mesmo que estar morto em vida. Tira a graça e o prazer, e quanto mais a vida for bela e digna, mais deveríamos lamentá-la, porque no final haveria o fim de tudo. Achar que morte tudo mata é a forma perfeita de dar sentido ao que é ruim e desmerecer o que foi bom e deu trabalho.

Assim era esse meu amigo e mesmo depois de morto não se conforma de estar errado e diz ter suas dúvidas se viverá para sempre, porque acha que um dia tudo pode acabar. O que percebo é que não vive feliz, esse meu amigo. Não tenho condições, mesmo depois de morto, de entender certas questões da alma. Somente sei que meu amigo é o homem que se matou em vida e continua morto agora.

médium: João Senna.

espirito: não identificado.

COMO ESTAR SEMPRE CERTO?

Não venha dizer que não existe o certo e o errado. Se você disser isso, eu direi que você esta errado, você dirá que eu é que estou errado e, no fim, o certo e o errado voltarão a existir, embora, possamos não saber onde ele se encontre. Quando digo que existe certo e errado, não estou dizendo o que você deve fazer, porque isso é problema seu. Também não significa que eu esteja certo e você errado, pode se dar que ocorra justamente o contrario e aquilo que chamo de certo, esteja errado e o que acho errado, , seja o certo.

Se eu disser que não existe certo e errado, nessa hora sou a pessoa mais radical do mundo, menos democrática. Posso, agora, defender o nazismo e a democracia, porque nada è certo ou errado. Nessa altura, como digo sempre: tudo vale a pena, quando a alma é pequena. Se você não acredita em certo e errado, se você imagina que a verdade é sempre um ponto de vista, tão instável como opinião de político após vencer a eleicão. Se você acredita em tudo isso, então você não acredita em coisas verdadeiras e certas e passou a ser a pessoa mais radical do mundo: aquela que pode defender qualquer coisa.

Um problema surge para os que não acreditam em comportamentos  corretos: manter a fé em suas próprias idéias, ser convincente não para os outros, mas para si mesmos.Ter aquela vida ideal da modernidade, aquela forma de viver sem traumas, sem remorso e sem culpa alguma, nem uma hipótese de culpa ou arrependimento. Ideal, aliás, defendido pelos sofistas na Grécia e que agora resurge com alguma respeitabilidade no chamado relativismo cultural. É verdade que nem tudo precisa ser certo ou errado. Não é errado gostar de pocolé de jiló, só é incomum. O gosto de cada um nem sempre se adequa a categoria de certo ou errado. Claro que parece ser errado gostar de ver crianças sofrendo, mas esse é um caso especial.

Qual a consequência de não existir o certo e o errado? É o fato de você estar sempre certo. Na verdade, quem afirma tal coisa, quer sempre estar certo no que faz, sente e deseja. Não basta ser livre para fazer o que quiser, coisa que muitos já fazem. Eles querem abolir o conceito de certo e errado, o verdadeiro e o falso. De qualquer forma temos alguma regras para você estar sempre certo, pois, é isso o que ocorre quando você afirma não existir o certo e o errado.

1-nunca estude profundamente um assumto. Se voce fizer isso, perceberá que muito daquilo que eu digo e o que você diz nem sentido tem.

2- Fique o máximo possível distante de matemáticos e físicos. Essas pessoas são contra-indicadas para quem sempre quer estar certo. Eles falam de teorias bem fundamentadas e o que é pior: comprovadas experimentalmente.

3- de todas as pessoas inimigas do lema “não existe o certo e o errado” temos os matemáticos. Eles tem o péssimo hábito de defender contas exatas. Por exemplo: 2+2=4.  A soma dos ângulos internos de um triângulo é sempre 180 graus seja na Paraíba ou em Paris. Afaste-se também dos físicos, pois, defendem que a luz viaja sempre na mesma velocidade em todo universo! Como podemos observar, dizem coisas terríveis para os relatitistas. Claro que os físicos não são terríveis como os matemáticos, mas são bem aborrecidos.

4- permaneça distantes dos médicos. Eles vão te dizer que fumar é errado, que emagrecer não é uma questão estética, mas de saúde. Tem também a mania insuportável de mandar você parar te tomar tanta cerveja. Ora, que cuidem de suas vidas! É verdade que os médicos não pediram para você ir ao consultório ou ao pronto socorro, mas não é desculpa para se intrometerem na sua vida, falando coisas desagradáveis como, por exemplo: existem comportamentos errados.

5- Leia apenas o que lhe agrada. Se você é espírita, afaste-se de obras clássicas. Emmanuel e André Luis não são bons para os que não acreditam na verdada ou, pelo menos, na sua busca. São espíritos contrários à muitos comportamentos, embora, sejam favoráveis à todas as pessoas promovendo o bem de todos. O problema é que eles acreditam na existência de coisas certas e erradas. Prefira os livros de espíritos mais condizentes com o seu pensamento. Que adoram alegorias, coisas fantásticas e sem racionalidade. Aliás, não seja simpático à razão, porque a razão não se intimida com autoridades, opiniões e muito menos vai se importar com suas ideias, opiniões e desejos.

6- procure conversar apenas com pessoas que concordem com você. Afaste-se de grupos de estudos, pois, esses grupos sempre buscam a verdade. Se assim não fosse, para que estudariam? Aproxime-se apenas das pessoas que pensam como você, gostem dos livros que você goste. Não lêem nada contrário ao que acreditam. Não ouvem os que discordam. Para que se aborrecer, se não existe o certo e o errado? O verdadeiro e o falso?

KANT E O LIVRE ARBÍTRIO: visão espírita dessa questão

Aprendemos em O Livro dos Espíritos que os espíritos são criados simples e ignorantes. Significa dizer que não somos criados inteligentes, mas com a capacidade de nos tornar, assim como não temos livre arbítrio em nosso início como espíritos, pois, que este se desenvolve com a razão e a experiência. Inicialmente, nos primórdios da evolução do espírito, o mesmo é influenciado por outros espíritos e são estes que o arrastam para determinada situação ou atitude. Nos primórdios da evolução espiritual, Deus supre o espírito dessa falta de experiência e de livre arbítrio.

Gradativamente, com o desenvolvimento da razão e o aprendizado da experiência, o ser começa a realizar suas escolhas e o faz cada vez mais influenciado por si mesmo, por seus raciocínios e experiências. É o desenvolvimento do livre arbítrio. Temos desejos, sensações corporais, ou seja, em alguma medida somos comandamos pelos sentidos, somos seres sencientes. Não posso determinar se sentirei sede ou não, pois, é uma necessidade fisiológica ingerir água. Não sou totalmente livre, sou senciente.

A questão é que não são apenas desejos ou sensações ( a dor por exemplo) que nos comandam, somos também seres racionais. Essa é a proposta de KANT e do espiritismo. A razão é capaz de superar o desejo e os sentidos, em querer além daquilo que  “quer” a fisiologia, o corpo. O espiritismo ensina que, enquanto, estamos encarnados não somos verdadeiramente livres, ou seja, totalmente livres. Ainda assim a razão determinará nossas ações morais. Nesse aspecto Kant e o espiritismo estão de acordo. Talvez seja este o motivo da enigmática frase de Jesus: “a alma está preparada, mas a carne é fraca” Razão e instintos ( necessidades fisiológicas) habitam no mesmo ser que somos, pelo menos, enquanto encarnados.

O que é ser livre? Geralmente, a liberdade é considerada como a faculdade de escolher, de seguir caminhos diferentes. Kant afirma algo diferente. Ser livre é agir de acordo consigo mesmo, não de acordo com o desejo ou leis físicas ou fisiológicas. Se, por exemplo, bebo cerveja porque gosto de cerveja e apenas por essa causa, então, não exerço a minha liberdade, porque gostar de cerveja não foi uma escolha. Não dá para gostar ou não gostar de cerveja apenas raciocinando e dizendo a mim mesmo: vou gostar, não vou gostar. Entretanto, sou livre ao decidir não ingerir cerveja ou qualquer coisa ou situação que não dependam de minha plena autonomia, pois, nesse caso não fui escravo do vício ou do desejo a depender de cada caso.

Kant afirma que a razão não é escrava do desejo, das necessidades fisiológicas. Na medida em que consegue vencer os condicionamentos do automatismo fisiológico e psíquico, o livre arbítrio se desenvolve e somos verdadeiramente livres. Para os filósofos empiristas e materialistas, a razão serve apenas para identificar o desejo, as necessidades do corpo e atendê-las. É uma razão instrumental. Kant e o espiritismo discordam, pois, se fosse assim, muito melhor seria ser puro instinto como muitos animais e não ter uma razão escrava do corpo.

Para que serviria a racionalidade se não pudesse fazer nada senão obedecer a leis físicas e fisiológicas? Não estaria na superação pela razão das injunções do corpo um motivo para a Reencarnação? Em O Livro dos espíritos, aprendemos que quando encarnados somos mais nós mesmo. Significa que o corpo força o ser a intensificar seus objetivos, seus nobres ideias ou sucumbir as forças materiais quando não dispõe de uma vontade orientada para os sublimes propósitos da existência.

Somos verdadeiramente livres ao atender a uma lei que impomos a nós mesmos, uma lei de natureza moral que nos diz o que fazer, independente, das consequências e dos nossos próprios desejos. Jesus sintetiza, na cruz, essa realidade ao falar: “Pai, afasta de mim esse cálice ( sofrimento), mas seja feito a tua vontade, não a minha”

À medida que evoluímos, aprendemos a identificar as leis de Deus e submeter nossos desejos a esta lei. Gradativamente, as leis de Deus e as leis que impomos a nós mesmos passam a ser a mesma coisa. É o que chamamos de evolução espiritual. Assim como existem as leis da física que governam o mundo físico, assim também existem as leis morais que também são leis naturais e que governam o mundo moral ou do espírito.

Kant não reivindica a existência de Deus como fundamento da lei moral como o faz o Espiritismo, mas afirma que a lei moral é determinada por um tipo de razão: a razão prática. Por exemplo, se todos mentissem, a mentira cairia em total descrédito, por que ninguém acreditaria em ninguém e mentir não teria uma função. A mentira só tem razão de ser, enquanto, acreditamos nela. É o que Kant chama de razão prática.

Acredita, nosso filósofo, que a razão determina as leis morais e que estas são universais, porque a razão, embora, varie de indivíduo para indivíduo, não chega a ser uma questão pessoal. Racionalmente, todos chegam à conclusão que ser honesto é a única opção viável, assim como ter fé ou exercer a caridade. Isso se torna mais verdadeiro com a reencarnacão, realidade essa não considerada por Kant. Permanece a verdade do fato de que a razão não depende de pessoas ou cultura ou geografia.

Em O Evangelho Segundo O Espiritismo lemos sobre O Dever:”o dever é a lei de Deus. Quem ama o dever, ama a Deus acima das criaturas e as criaturas acima de si mesmo. É ao mesmo tempo juiz e escravo de si mesmo. O dever é a lei moral. Falamos do dever moral e não daqueles que as profissões impõem” Percebemos que para cumprir o dever não basta o princípio da razão como queria Kant. A razão nos faz identificar e comprender o dever moral, mas somente o amor nos faz realizar esse dever. O amor é a ponte que nos une ao próximo e a Deus.

 

 

 

NOSSO PAPEL NO CENTRO ESPÍRITA

O centro espírita é o local onde alma se aperfeiçoa sob a orientação do evangelho de Jesus. Não é o local onde podemos fazer o que, provavelmente, o mundo nos ensina fazer. É um local onde você não aprenderá a ser você mesmo, mas a ser melhor. Onde aprenderemos a desejar não apenas o melhor para nós, mas o melhor de nós e o melhor para todos.

Não é o local onde conseguiremos impor condições ou nos destacar, substituindo, a nossa falta de sucesso no mundo por um local onde possamos brilhar. É outra a perspectiva quando se adentra na casa espírita porque nela aprendemos a arte de servir, não a de ser servido, de admirar o verdadeiro e o correto, não o local para sermos admirados. Tudo isso, porque precisamos mais da aprovação de Deus que da aprovação dos homens.

Nesta casa começaremos a substituir nossas idéias, desejos e comportamentos pelos ideais de nobreza sob a perspectiva da ciência espírita, da filosofia espírita e da religião espírita. Você não precisará concordar com aquilo que não acredita ou entendeu, mas será convidado a justificar suas colocações sob a ótica da razão e não do desejo ou da opinião.

Iremos aprender a não ter raiva, ressentimento ou prevenção contra os que não pensam e se comportam como nós, porque ninguém é obrigado a pensar com o nosso cérebro ou ver com os nossos olhos, mas você não irá modificar idéias ou comportamentos para agradar ou para ser aceito. Aprenderemos a abandonar a hipocrisia para sermos verdadeiros, sem sermos rudes ou licenciosos.

Comprenderemos que existem pessoas mais esclarecidos que nós mesmos e que, se quisermos, também poderemos aprender com elas, mas que elas não são nossos professores e nós não somos seus alunos. Entenderá que não existem líderes, gurus, mestres ou fãs na casa espírita, onde não substituimos a adoração aos santos pela adoração às pessoas.

Perceberemos que palestrantes, amigos ou dirigentes nem sempre acertam e que para admirá-los, quando se fazem dignos de admiraçào e respeito, não precisaremos concordar sempre com aquilo que dizem ou fazem. Respeitaremos todas as convicões sinceras, mas acolheremos o que estiver de acordo com o ensino dos bons espíritos, que nada ensinam que não possa ser justificado pela razão e pela experiência.

Aprenderemos que não podemos impor nossa forma de pensar ou fazer aos outros grupos espíritas, tentando padronizar comportamentos ou ensinos para que se adequem ao nosso entendimento. Que não existe hierarquia, rituais ou padronização de coisa alguma no espiritismo, por que não somos encarregados de moldar comportamentos ou atitudes alheias. O Espiritismo mostra o melhor caminho a todos, nós apenas somos espíritas, não o próprio espiritismo.

Que cada pessoa é um mundo em si mesmo e que caberá acima de tudo respeitar e acolher, embora, nem sempre possamos entender. Esse acolhimento não significa transformar o grupo espírita em mero reflexo do nosso comportamento e gostos, porque somos orientador pela codificacão espírita e não por aquilo que é aceito na sociedade.

Compreenderemos que nem tudo o que é legal é legítimo, que nem tudo que é praticado é saúdavel, que acima da justiça humana, existe a justiça de Deus. Que importa fazer o bem, mas que este bem também exista em nós. Aprenderemos que nem tudo o que penso devo falar e nem tudo que falo, deveria sequer ter pensado.

Comprenderemos que, se o grupo que frequentamos não atende os nossos objetivos, poderemos mudar de grupo. Que se não temos oportunidades de desenvolver todo o nosso potencial, poderemos Encontrar melhor oportunidade em outro local, sem que isso signifique deserção à obra do bem. Que se não lhe dão oportunidades de servir mais amplamente, segundo sua capacidade, é possível que seus talentos sejam necessários ou melhor aproveitados em um local onde você ainda não se encontra. Não podemos desperdiçar a nós mesmos.

Aprenderemos que todos somos convidados a dar o melhor de nós, sem impor condições, exceto, as que se encontram em nossas consciências. Que para estarmos certos, o outro não precisa, necessariamente, estar errado. Que muito mais difícil que falar é saber ouvir. Que teremos mais indisposições e contrariedades, quanto mais formos leais à verdade, mas que a gentileza abranda os obstáculos.

Que a caridade se manifesta de infinitas formas e que a orientação espiritual é a maior de todas as formas de caridade, porque liberta o ser de si mesmo para que ele se descubra filho de Deus, não obra do acaso ou criado para satisfazer o próprio desejo. Que estudamos o espiritismo, não para nos tornarmos mais cultos ou inteligentes, mas para nos tornarmos melhores como pessoa através da nossa transformação moral.

 

FORMAÇÃO DE GRUPOS ESPÍRITAS

A formação de um grupo espírita, que se inicia com o desejo de fazê-lo e se concretiza com o início de seu funcionamento, é uma atividade eminentemente espiritual. Significa que um centro espírita não é uma casa comercial onde são calculados os lucros e prejuízos, onde o cliente tem sempre razão. Não é um emprendimento político, não é a realização de um sonho, não é um negócio de família ou um acordo entre amigos. Não se pode deixá-lo como herança ou doá-lo para parentes ou conhecidos.

O centro espírita é um compromisso espíritual cujo início, quase sempre, se inicia antes da nossa reencarnação e onde seus desdobramentos nos acompanham além do túmulo. Encontra-se sob o amparo de forças espirituais que estão acima do nosso pleno conhecimento e compreensão. Sofre a agressão de adversários entre os homens encarnados e desencarnamos.

O maior patrimônio de um grupo espírita é o valor moral de seus dirigentes e frequentadores. Esta é a real garantia de seu bom funcionamento, não o seu recurso financeiro ou o número de seus frequentadores. Seu principal compromisso é o esclarecimento espiritual, pois que este leva à transformação moral. Não a moral que se baseia em costumes, convenções sociais, diversidade cultural ou no politicamente correto da moda, mas que é fundamentado nos valores universais  do evangelho de Jesus.

Existem fatores que contribuem para o bom funcionamento de um grupo expírita e outros que podem determinar o seu desvirtuamento. Entre os fatores que contribuem para o enfraquecimento do grupo e o desvirtuamento das suas reais finalidades se encontra o orgulho e o desconhecimento da codificação espírita. Pode parecer contraditório, mas é muito mais fácil fundar um grupo espírita que mantê-lo. O mais difícil, todavia, é que o centro espírita seja realmente espírita e não o conjunto de opiniões daqueles que lhe dirigem.

Quando não se estuda e se reflete a codificação, fatalmente, idéias as mais contraditórias e nocivas brotarão e irão se desenvolver. É muito mais fácil manter contato com espíritos zombeteiros e mistificadores que sintonizar com os bons espíritos. Evidentemente, que essa dificuldade não tem relação alguma com a mediunidade, mas diz respeito a fatores morais e emocionais de dirigentes e médiuns.

Ao não possuir um conhecimento básico e correto do espiritismo, passamos a aceitar os maiores embustes e absurdos, quer venham deste mundo ou do mundo espiritual. Verdadeira proliferação de romances e livros de natureza doutrinária fazem enorme sucesso entre os espíritas e simpatizantes e que não passam de atentados à razão e verdadeira desfiguração do espiritismo. Não é necessário ser intelectual para se compreender o espiritismo, mas é preciso estudá-lo onde ele se encontra completo e de forma verdadeira e clara: a codificação.

Existem romances espíritas psicografados ou não e livros doutrinários espíritas de valor inestimável. Não são complementares à codificacão espírita, como se a esta faltasse um pedaço, mas facilitam o nosso entendimento ao detalhar muitos aspectos da vida espiritual e do intercâmbio espiritual. Estes livros, todavia, nada dizem que não esteja implícito na codificação, mas facilitam nosso entendimento e nos estimulam a nos tornar pessoas melhores.

Qual a essência  de um grupo espírita? Qual é o fator ou elemento que não lhe pode faltar? É fácil responder isso: é a caridade. A caridade tem como função atender o próximo, não a nós mesmos. Dessa forma, o grupo espírita fornece alimento, remédio, palestras espíritas, passe magnético- espiritual, reuniões mediúnicas, grupos de estudo, água fluidificada, orações e amizade. Tudo isso são formas de caridade.

Onde podemos instalar um grupo espírita? Bem, não há lugares sagrados ou especiais no espiritismo. Qualquer local adequado serve. O que é um local adequado? É um local onde existam vibrações favoráveis e o mínimo de conforto para seus frequentadores. A vibração é o resultado dos sentimentos e pensamentos das pessoas presentes e dos espíritos protetores vinculados à casa espírita.

Dessa forma, podemos fundar um grupo espírita em nosso próprio lar, desde que haja um ambiente favorável para isso. Esse ambiente favorável dependerá da harmonia entre os membros da família. Inúmeros lares atendem a esta condição. Podemos fundar um grupo espírita em um prédio com sede própria, ar condicionado, banheiros com mármore, tecnologia de última geração. Não são, entretanto, fatores arquitetônicos ou jurídicos que determinarão o bom funcionamento da casa espírita.

Conhecemos grupos espíritas com palestras para mil ou mil e quinhentas pessoas onde existe de tudo um pouco, mas que reserva um diminuto espaço para o espiritismo. Também conhecemos locais simples, sem conforto e com platéia pequena onde se realiza o verdadeiro espiritismo. O contrário também é verdade. Existem grandes fundações espíritas, grupos  e institutos espíritas de considerável porte onde se desenvolve o verdadeiro espiritismo, onde florescem as flores da esperança, da caridade e da sabedoria espiritual.

O maior aliado do bom funcionamento das casas espíritas é o conhecimento doutrinário autêntico, a fé esclarecida orientada pela razão, o senso de justiça e fidelidade doutrinária de seus dirigentes. Devemos valorizar a amizade, mas não podemos submeter o grupo espírita a comportamentos inadequados sob pretexto de amizade e tolerância. Um grupo espírita não deve ter vergonha de ser um centro espírita, mesmo que isso lhe custe a desaprovação da maioria da sociedade e lhe falte recursos materiais e financeiros disponíveis para outras religiões ou instituições de natureza diversa.

A obra não é pessoal e a decisão de dirigentes e auxiliares diretos não pode se moldar à conivência ou patrocínio de comportamentos inadequados de médiuns ou mesmo dirigentes. Não é moralismo, é ser fiel ao espiritismo e às condições mínimas para o bom funcionamento do grupo. Como podemos ver, não é fácil manter um centro espírita em bom funcionamento.

Somos tentados a relevar absurdos doutrinários ou idéias aparentemente inocentes que, muitas vezes, podem colocar tudo a perder. Oração e vigilância são indispensáveis à fim de não transformar a tolerância sempre necessária e bem vinda, em conivência com o erro. Ser fiel à codificação espírita não é difícil ou complicado, mas dá muito trabalho.

O espiritismo é questão de fundo e não de forma. Esclarece para não ser necessário proibir. Patrocina o bem, não o mal. Valoriza o certo, respeita quem erra, não o erro. É o inimigo mortal do materialismo como nos afirma Kardec, mas é o maior amigo do materialista. Não é contra quem erra, mas contra o erro, pois, não pode ser indiferente ou favor do erro. É o fundamento da casa espírita, é preciso estudá-lo e, sobretudo, amar a doutrina espírita codificada por Allan Kardec.