AMOR PERMANENTE

 

 

Quero te dizer que amei
Não demais, que o amor
É sempre pouco para quem ama.
Não farei poesia, não farei drama,
Não reclama do meu amor
Que não é só seu
Que é também meu.

Deixo para você meu sonho predileto
Meu juramento secreto
Que nem o sei porque fiz,
Deixo do meu quintal
A flor de laranjeira
Caso você queira
Que tem o perfume gostoso
Desse amor tão caloroso
Que é o nosso amor.

Deixo pra ti o meu sorriso
Minha cotinha de esperança
Meu balanço de maré mansa
Que você não vai esquecer.

Agora sou o poeta do amor
Permanente, que chega de repente
E não nos deixa jamais.
Meu amor, minha linda, é bem disso capaz.

Quem não ama, não tem paz.
Estes meus versos, são os versos
Do poeta do Amor da vida inteira
És agora minha eterna companheira
Não te abandono jamais.

Venha ver do que eu sou capaz
Do poeta fortalecido, contente
E não tão diferente,
Vinicius de morais.

médium: João senna.

Espírito: Vinícius de Morais.

 

MAIS QUE TUDO: DEUS

A vida completa a vida
Nesta carruagem que
É o próprio homem.
Estranho a si mesmo,
Ser abstrato que dispara,
Ave rara e se consome.
Estranho, mais que estranho,
Igual a si mesmo, divergente
Permanente nas paisagens
Que se consomem, que se
Afastam comovidas e estranhas.

Viver de forma abrangente,
Consumir-se na luz da Esperança,
Molhar os pés e sorrir na maré mansa,
Embriagar-se de amor, de amplidão.
Duas rosas que caem no chão.

Voltar a olhar a criança
Que vive em nós, embrião
Que embala a ternura
Do mundo, em botão.

Mergulhar no azul profundo
Do céu que é mais que céu,
Mais que mundo, a solidão
De ser, mais que azul, mais
Que o mundo: o ser de Deus,
Mais que eu, mais que tudo:
O amor de Deus, o azul
Profundo.

Espírito: Cecília Meireles.
Médium: João Senna.

HOJE É LUZ CRISTALINA

Houve um tempo que eu não sorria
Em que a rosa em botão não se abria.
Houve um tempo em que a solidão
Era maior que o céu na amplidão mais profunda.
Houve um tempo, mas não há mais.

Hoje é a Luz cristalina
Que o azul do céu Beija.
Hoje é a Paz tão procurada
Como o sorriso da mulher amada,

Hoje são so rumores
Das coisas benfazejas,
A cortina que se abre
Por cima da neblina
Da desesperança.

É a voz não sufocada
O sorriso da meninada
A vela que não se apaga
A vida que não se rende
ao dinheiro.
O grito do mundo inteiro
Que busca a Esperança.

Agora é o tempo de amar
E de sempre ficar a cismar
É o espantar de amor
Na pétala da flor.

Agora vale sonhar
A vida é que vale agora.
Que a vida tem Hora
Marcada, sem demora
À presença do amor.

Não faz nenhum alarde
A vida que não demora.
Agora vale o amor e a flor
A coisa sonhada, a imaginada
E até a realizada…
Agora e só agora.

Espírito: F.G
Médium: João Senna.

ÂNSIA DE DEUS
(Cassimiro de Abreu, espírito)

Que saudades, que lamentos
Perdendo-me em pensamentos
Acordar a noite inteira
E dormir à luz do dia.

Quadras da minha infância,
Dos olhos de minha irmã.
Corria por arvoredos
Tremia dos próprios medos
Depois sorrir amanhã.

Qual criança ainda me sinto
Nestas paisagens astrais…
Do meu peito surge um grito
Lançado pro infinito
Chegando perto de Deus.

Terra das minhas lembranças
Terra dos amores meus
Todas as ânsias são ânsias
Que buscam o amor de Deus.

ESPÍRITO: Cassimiro de Abreu
Médium: João. Senna:

Enviado do meu iPhone

MINHA ALDEIA

As mais Belas paisagens, sinto afinal
Talvez, seja a minha pequena vila
Nascida em Portugal.
Quantas lembranças tenho,
Não me levem a mal
Depois de tanto tempo
São lágrinas de Portugal !

Canta-se assim a lira
Que a poesia consome
Que a ninguém mais fira
Pois todo o mundo é o homem.

As terras em que nascemos
São também nascidas em nós
E quanto mais as esquecemos
Mais nos perseguem, afinal.

Quem canta a imortalidade
Parece chegar tarde
A sua própria existencia.
Ou se sente e não se sabe
Ou não se sabe e sente.

Cantando essas novas paisagens,
Perdendo-me nessas imagens
Esquecido dos poetas que se foram
E dos lugares que ficaram.

Todas as lágrimas do mundo
Tem um sabor tão profundo
Que nos fazem despertar.
Chorar é abrir-se a alma.
É ter a imagem tão calma
Da vida que nos embala.
Quem tem vida, não tem fala.
Amigos, não me levem a mal,
Todas as lágrimas
São lágrimas de Portugal!

TENHO SAUDADES DE MIM

Por que tenho saudades de mim,
Nem me despeço, nunca de mim me despeço.
Peça-me qualquer coisa
Que pedir se possa.
A posse da partida
É como faca que fere e fica
Como uma ferida que não fecha.
Ou uma água distante e esquecida
Talvez água de banho que se
Tomou na infância, mas só a tua água
Que eu não tenho infância.
Não sou de partidas, aqui estou
Como um presente que não passa
Ou algo de imaterial que não se gaste.

Tenho silêncios que desconheço,
Que surgem como algo intransponível que de tão insuportável finge que parte na sua imóvel certeza.

Um talvez, quem sabe, me define mais que todas as coisas que poderia eu mesmo dizer do que fui, mas não por que “fui” é também partir e não parto.

Repeti a mim mesmo nessa angústia que a monotonia carrega, que o SER carrega porque é ser que de si jamais se distancia.
Quanto mais me defino, mas me sinto ausente. Nada peças de mim, por que dar é também partir.

ESPÍRITO: Fernando Pessoa.
médium: João Senna.

SOMENTE EU

 

Em tudo um pouco de mim,
Um pouco de mim pus em tudo
E cabe a mim despertar
Estou aqui, e não mudo.

Quisera crer que quisera
A Esperanca sempre esquecida
Mas muito mais deu-me a vida
Que a esta alma consumida.

Que outros tenham, não sei
Essa doença que canto.
Que outros vivam em espanto
E só eu viva em mim.

Que outros cantem o que são.
Só eu Viva em segredo
Cantando como quem canta
A solidão de um degredo.

Só eu sou o que não era.
Só eu que vivo em luto.
Sendo o que sou, eu não sou,
Mas quando fui, já não era.

ESPÍRITO: Fernando Pessoa.
MÉDIUM: João Senna.

APRENDIZ DE GRILOS.

Contrui o Infinito com coisas pequenas. Não deu trabalho porque tinha muitas coisas pequenas para guardar.

Meu amigo disse: tive muitos INFINITOS, um maior que o outro. Hoje tenho lembranças. É custoso pegar em grandes. Sei de pequenos. Na casa de minha vó não tinha teto para aparar o sol, por isso acordava cedo. Os olhos ardiam de fazer dó. Minha avó era assim mesmo. Muito aparelhada e Formosa de varas de marmelo para deixar criança esperta. Eu era o mais esperto. Tenho orgulho disso e agradeço a minha avó feita de varas de marmelo e sabedoria antiga e certeira.

Menino que quer demais vira sapo da lagoa e sapo não tem cama, leite e regalia. Que triste. Por que a lua é branca enfeita a noite escuridão? Claro que não. Dizia meu avó Romualdo: é por pura inveja. Na lagoa o sapo canteja a escuridão e manda recados para a lua. Sapo é cupido e cúmplice da escuridão. Só canta de Noite.

Queria ser maior que uma Asa de mosquito, mas me faltou vocação. Sou azoado de piraça de uma professora de infância. Tinha mania de ensinamentos de palavras e o meu trabalho maior era desaprender palavras. Cansei demais e acabei aprendendo a desaprender, coisa dificil de desaber. Era avoado como devem ser os poetas que não poemam.

A poesia é que me encontrou nas palavras desaprendidas. Poesia gosta de ensinar o sabor das palavras estranhas que fazem barulho em nossos silencios. É coisa de atrevimento. Nunca foi para mim: um conquistador de desaprendizes, um matuto das paisagens escombros e dos grilos esquecidos. Sapos são melhores e comem grilos. É triste, mas é verdade: meus mestres foram as noites esquecidas, os grilos e a Casa sem teto da minha avó.

médium: João Senna.

Espírito: manuel de Barros.

FIM DO LUTO

 

Andando assim entre instintos,
Convidado da vida, inesperado
Ser, que o nada olha e que se espanta
De uma vida falha.
Viajante cansado, quase morto.
Fim das forças vivas que se apagam
Ou do funeral da célula cativa.
Alma sem amor, alma aflita.

Augusto! Ouvia me bradar a vida.
Que fazes aí, alma perdida?!
Que fazes no teu corpo, cova vil com que esconde
Estes teus restos de carne podre e sangue…

Gritei à vida em desespero:
Tua palavra é qual pesadelo
Que queres de mim, vida verdadeira?
Que queres que faça, que trapaça vil,
Em que buracos me esconder de tudo,
Em lamentos desgraçar a vida!?
Em qual concavidade do universo,
Em qual porão imundo devo esconder-me
De mim mesmo e aconchegar-me em teu conselho?

Mas a vida me disse em tristes acentos:
Quero que vivas Augusto e aprenda
Que a vida não é a sepultura de osso
Que em teus lamentos cantava na Terra.
Que saias livres da mortal argila
Que suba aos céus, que vivas mais ainda
Em que liberto dos teus pesadelos,
mesmo que caíam tuas células e teus cabelos,
que amordaçado tremas e se afunde
Em fatais problemas: tristes cismas de teus próprios ais.
Que vivas e ames, que tudo na vida vive
Do palácio à choupana, do esterco aos astros siderais.
Que após a vida de sinistras grades,
Um novo ser surja de ti, que não se apagues,
Mesmo que moras na mais vil das dores.
Que te amaldiçoem todas as pessoas,
Tu viverás Augusto, filho bendito.
E assim morri, parti da vida.
Alma consumida de ilusão e mil quimeras.
Voltei à casa do Pai, das rutilantes esferas
E vivo a vida verdadeira.

Espírito:Augusto dos anjos.
Médium: João Senna.
Salvador, 6/8/2015

VESTAIS

 

Formas vagas, formas cristalinas
Que aos olhos se diluem em diafaneidades
Sublimes visões da orfandade
Que nos contemplam nas visões sublimes…

Sois a esperança dos pálidos poetas!
Dos Reis e príncipes esquecidos
E que se rendem aos seus pés divinos…
E quais correntes que se partem e rangem
Libertai os tristes, pálidos cativos
Ante a glória imortal da luz do Cristo.

Sois as eleitas, santas visões
Dos celestes ninhos
Que se debruçam nas estranhas chagas
Dos que se prostram aos pés da cruz!

Almas de puríssimas essências,
Gemas de ouro da sagrada arca
Da aliança dos filhos teus…
Vozes que clamam, que chegam aos céus…
E reverentes se emudecem aos pés da cruz.
Quais áureos sóis que explodem em luz…!
E que a brisa beija em estranho sonho
Em luz, em risos, em hinos…
Almas do amor, almas divinas..

Espirito: Cruz e Sousa.
Médium: João Senna.
Feira de Santana, 31/7/2015