SINTO-ME INTEIRA

Ouves que a dor é solitária,
Que o viver é desfazer as ilusões
De tudo e que viver é isso.
Que sabe o homem sobre a dor?
Se a confunde com a revolta surda
Que mais produz o que ele chama dor?

Minha alma esta consumida neste
Constante viver que todos vivem.
Sinto-me repartida por todas as almas,
Eu as sinto como se fora tudo,
E isso traz em mim inquietação
E um quase dormir, um querer
Que se reparte em mil coisas,
Nas vastidões serenas da alma que sou.
Que me importa ser apenas a sombra
Afastada de mim? Toda flor busca o sol
E a calma, e tudo em mim respira o amor.

Na eternidade nada se faz tão presente
Que o amor não repartido, que o abraço
Esquecido e o correr dos anos…
A imensidão e a imortalidade são um afago de Deus
E nos perdemos em nós mesmos ao esquecer
Esse Infinito amor.
Que sabe o ser que dorme sobre o amor?
Se esquece tudo para de afogar na própria dor?
Minha alma esta repleta e consumida neste amor,
Nesta esperança, nesta outra vida
E tudo mais é só amor.

Espírito: Gabriela Mistral.
Médium: João Senna.

MÍSERA HISTÓRIA.

 

Talvez não fosse assim, tão singular
Qual pérfida miséria que em mim nutria.
A exaltação de ser o que não era.
De ser talvez mísero ser a procurar
Outros lugares onde pousar.

Viver assim sem métrica ou matéria
Afundar em nada e consumir-se
Na funda inquietação de uma quimera.

Quisera ser mais que um ponto
No infinito, a bradar por entre as eras.
Triste orquestração de um sonho apenas.
Desolação da dor suprema, manifestação
Do homem descrente e que se afunda
Na própria dor, apenas a assombração
Das aves mortas que voltam aos ninhos
E que em rebanhos de negras vestes
Consomem-se no pó das coisas mortas.

Mas, triste espanto da alma triste
Após a morte supusera o fim
Dos meus sonhos e tormentos.
E encontrei uma nova esfera
De luz e cor, de sons supremos.
Terrível desolação para a alma fraca
Ver a imensidade e não senti-la.

Por que em vida não se abrira
Para meus olhos uma réstia dessa luz
Que nos recebe nos céus supremos?
Por que a dor e a fantasia que se misturam
Em tristes ais em nossa vida?

Quisera crer e não pudera…
Esta nova vida após as dores,
Estes outros céus de esplendores
Para a alma aflita, para meus ais.
Mas é alegre de esperanças
Esse luar que me aquece,
Esta outra vida após a vida,
Esta nova luz depois das trevas.

Espírito: Augusto dos Anjos.
Médium:João Senna.
Salvador, 28/7/2015

QUAL O SIGNIFICADO DE SER IMORTAL?

Uma questão inquietante é a imortalidade. Muitos acreditam ser uma pressunção acreditar-se imortal, são os materialistas. Como não podem conceber um ser de infinita bondade e poder que decrete a morte dos seus filhos no final de cada existência, então, não podem ou não querem acreditar em Deus. Uma pergunta oportuna seria essa: se é pressunção acreditar-se imortal, não seria um menosprezo a si memo acreditar que com a morte tudo se acabe? Não é fazer pouco caso de si mesmo e do outro acreditar que o valor da vida não seja tão grande para merecer a imortalidade?

Não é algo sem sentido acreditar que a crença na imortalidade seja um ato de orgulho ou medo da nossa finitude. Poderíamos, hipoteticamente, afirmar que acreditar-se imortal revele um desejo de grandeza ou um medo em relação ao nada. Que é um desejo infantil ou uma fuga da realidade não aceitar que a morte seja mesmo o fim de qualquer pretensão. Os materialistas acreditam que a crença em Deus e na imortalidade seja um pensamento mágico ou uma mentira piedosa que contamos para nós mesmos e para os parentes daqueles que faleceram.

Existe outra visão em relação à imortalidade. Não seria a imortalidade um símbolo do grandioso significado da vida? Que a vida seja a experiência digna da imortalidade? Que o amor que sentimos é algo não só belo e grandioso, mas que se eternize com a nossa imortalidade? Que não se gaste ou se acabe com o tempo? Que não seja um objeto de valor relativo, mas um valor absoluto, algo que deva ser preservado para sempre?

Se morrêssemos, tudo o que somos e temos se acabaria, inclusive, o amor. Também teriam o mesmo fim a vida nobre e a mesquinhez diária, que teriam o mesmo destino com a morte de seus representantes. O religioso não advoga a imortalidade como um passaporte gratuito para a felicidade. Ela envolve consequências diversas para quem amou ou não soube amar. O retorno ao mundo espiritual é garantido pela imortalidade, mas a situação boa ou ruim após a morte é garantida pela situação moral de quem retorna.

Imagine que hoje fosse o último dia da sua vida. O que você faria? Você poderia dizer para quem ama, o quanto essa pessoa é amada por você. Você poderia se vingar de quem detesta fazendo algo terrível. Poderia dizer muita coisa para seu chefe. Se a morte é o fim de tudo, inclusive de você mesmo, se você irá morrer hoje, então, qual o problema? Se não existe a imortalidade e qualquer consequência para seus atos, seja você uma ótima pessoa ou mereça receber o troféu de pior homem ou mulher do ano, qual a diferença entre o que você faria no último dia de sua vida?

Poderemos contradizer as linhas acima afirmando que fazemos o que é certo, por que é o certo e não por medo de consequências em um outro mundo, exista este mundo ou não. Sim, de fato, também  pensamos assim. O problema é que este argumento vale para os santos, não para pessoas comuns. Imagine se ninguém fosse para a cadeia ao matar ou roubar. Que fossem abolidas as multas de trânsito, as notas na escola, a fiscalização nas relações de trabalho.

Pense em uma sociedade onde não houvesse punições para nenhum delito. Você consegue acreditar que as pessoas comuns, não os santos, se comportariam de maneira honesta e cordial? Por quanto tempo os belgas e holandeses permaneceriam honestos se fossem abolidos o sistema judiciário em seus países? Se tudo ficasse nas mãos do senso comum de honestidade e bondade inata de seus moradores?

A crença em Deus e na imortalidade são indissociáveis e representam a maior garantia para a justiça na diversidade de consequências a depender da natureza daquilo que se fez. O bem gera o bem, o mal gera o mal. Não importa se você fez o bem sem esperar recompensa, aliás, o que é o ideal. Tampouco importará se você fez o mal na certeza de não responder à justiça dos homens, porque à justiça divina ninguém pode escapar.

A simples crença na imortalidade e suas consequências modifica totalmente a forma de ser no mundo. Os que realmente crêem na imortalidade e vivem essa crença, possuem diante de si uma responsabilidade imensa perante seus atos, mesmo que não existam leis humanas para puni-los ou incentivos para o bem. A imortalidade é amiga poderosa do bem. Muitos religiosos são acusados de hipocrisia, justamente, por viverem como se não acreditassem em Deus e na imortalidade.

Ninguém se espanta com o comportamento do ateu e do materialista, ninguém os acusa de nada e nada lhes cobra, porque suas crenças não envolvem qualquer significado moral, embora, não os impeça de terem valores morais, pois, queiram ou não são espíritos e vivem conforme a evolução espiritual que alcançaram.

Ninguém solicita da filosofia materialista a crença de que todos os homens são iguais ou que a solidariedade seja uma lei universal. Ninguém cobra isso do ateu, não porque ele não seja digno, mas porque o materialismo não favorece o bem. É simples assim e, intuitivamente, sabemos disso e nos escandalizamos muito mais com religiosos cometendo atos indignos e aceitamos ou entendemos com mais  facilidade o mesmo comportamento quando vindos dos materialistas.

QUE É UM ATO MORAL?

O espiritismo é uma filosofia de consequencias morais. Significa que tem como objetivo atuar na sociedade como elemento transformador de costumes e, para isso, parte do único fator que poderia promover essa transformação: a moralização do indivíduo. Na visão espírita, a sociedade é o reflexo dos indivíduos que a compõe, não o contrário. Não significa que a sociedade não exerça influência no indivíduo, não somos estátuas inflexíveis ao que se passa ao redor, mas apenas afirmando que o indivíduo é o ator e o diretor no palco de sua existência.

A idéia de que é o indivíduo que faz a sociedade e não o contrário, é repudiada por sociólogos e antropólogos. Provavelmente isso reflita um hábito adquirido na faculdade ou apenas revele um desejo imenso de valorizar a própria atividade profissional elevando a sociedade ou a cultura como seu produto, como causa e solução de todas as coisas. É uma visão adequada e mesmo previsível para aqueles que desconhecem a realidade do ser espiritual como entidade real e autônoma. Compreendemos isto, embora, não aceitemos.

A ética é a parte da filosofia que estuda os valores morais, que nos informa o que é certo ou errado, bom ou mal, verdadeiro e falso, honesto ou mentiroso. Não é objetivo da ética dizer ou determinar como você vai viver, mas como você deve viver. E faz difetença? Sim, faz toda diferença. Dizer o que você e eu deveríamos fazer é esclarecer, é acreditar em valores que, provavelmente, você já acredita. Dizer o que você vai fazer ou impor o que você deve acreditar, desejar e fazer é ter poder sobre o outro e isso é imoral.

Na medida em que refletimos sobre a natureza de nossos sentimentos e atitudes, melhor podemos decidir por nós mesmos o que fazer, como fazer, quando fazer e para quem fazer. Muitas vezes nos arrependemos do que fazemos, simplesmente, porque percebemos que não foi o melhor que deveríamos ou mesmo  poderíamos ter feito. A filosofia espírita permite que todos possam melhor compreender a natureza de si mesmos, de suas atitudes e das consequências de seus atos. Por esse motivo tem consequências morais.

Quando afirmamos que o indivíduo é mero reflexo de forças sociais irresistíveis, estamos desvalorizando esse indivíduo e transformando-o em um boneco de carne. Estamos também admitindo que ninguém deva ser responsabilizado por seus atos, tornando crimes, contravenções e qualquer coisa que desaprovemos em algo indesejável, mas não passível de penalidade. Se o indivíduo é produto do meio, como poderemos responsabilizá-lo? Como iremos colocar o assassino ou o estuprador ou o corrupto na prisão ou impor a eles qualquer desestímulo para que não cometam o mesmo erro? Não deveríamos, antes, pedir desculpas a eles e responsabilizar apenas a sociedade?

Afinal, que é um ato moral? Entendemos, como Kant e o espiritismo, que é todo ato que tem por base uma lei imposta pelo próprio indivíduo a si mesmo. Esse ato moral não se fundamenta em consequencias ou meios, mas é um fim em si mesmo. Tratar pessoas e instituições como fins e nunca como meios é praticar um ato moral. O Espiritismo revela que as leis de Deus estão na consciência de cada um ( não que o indivíduo faça essas leis ou julgue a si mesmo). Kant declara que a razão confrontada com a prática diária seria capaz de determinar leis morais, independente, dos indivíduos.

Embora fosse religioso, Kant não considerou Deus Indispensável para fundamentar leis morais. Possivelmente, não desejou alegar fatores teológicos ou metafísicos para determinar o certo e o errado a se fazer. Não significa que Deus não possa ser a origem e sustentação das leis morais, o ser que lhes dá legitimidade e não somente coerência lógica. É um tema complexo que foge à minha competência ou objetivos teste blog.

Um exemplo nos fará comprender melhor o que é um ato moral. Se, digamos, faço o bem para ir para o céu, tal intenção é racional. Quem não desejaria ir para o céu? Até o ateu deseja, apenas não acredita que o céu exista. Seria, entretanto, um ato moral? Certamente que não. Devemos fazer o bem mesmo que fossemos para o inferno. Qual a mãe que não trocaria de lugar com o filho que se encontra no umbral? Percebemos que fazer o que é correto, é mais importante que a felicidade. É algo extranho de se dizer, mesmo para o espírita. Afinal, o espiritismo é uma proposta grandiosa, que nos valoriza muito mais do que nós próprios nos valorizamos.

É errado querer ir para o céu ou Nosso Lar? É errado desejar acumular bônus hora para ter um quartinho no mundo espíritual? Claro que não! Você quer ir para o umbral? Fazer o que lá? Turismo? Novas amizades? O errado é ajudar o próximo apenas pensando em se “dar bem” Não podemos fazer do próximo uma moeda de troca. Não podemos fazer do próximo ou da caridade um meio para atingirmos nossos objetivos. O próximo, a humanidade, a Caridade e a fé não são objetos para serem usados, são fins em si mesmos.

Chico Xavier atingiu a essencia do que Kant denomina de imperativo categórico e o espiritismo denomina o Dever moral. Deixou-nos a sentença que resume esse texto: “não ame pela beleza, porque a beleza acaba. Não ame por admiração, porque você pode de decepcionar, não ame pelo poder, porque as situações mudam. Ame, simplesmente, por amar. Ninguém pode destruir um amor sem motivo.

 

 

A IMPORTÂNCIA DE GRUPOS DE ESTUDOS NAS CASAS ESPÍRITAS

Diferentes das demais religiões, o espiritismo não é apenas uma religião, mas uma ciência e uma filosofia. Somente este aspecto já demonstra estar na vanguarda do conhecimento. Se, ao mesmo tempo possibilida uma mais  fidedigna compreensão da complexidade da existencia, ao mesmo tempo essa abrangencia de conhecimentos exige de cada pessoa, um esforço intelectual maior. Esse é o papel da implantação de grupos de estudos nas casas espíritas.

Muitos poderiam questionar que já existem palestras semanais onde se discute a doutrina espírita. Embora, seja verdade que existam palestras e palestrantes que procuram oferecer o melhor de seus esforços, ainda assim isso esta muito longe de ser o suficiente. Gostariamos de afirmar que todos os palestrantes são fiéis representantes da doutrina espírita, mas não o podemos fazer.

Seria muito grato afirmar que todos os formadores de opinião, entre os quais se incluem dirigentes, palestrantes e mesmo frequentadores, estudam a codificação espírita para melhor transmitirem os conceitos e ideais do espiritismo, mas não estaríamos retratando a realidade. Infelizmente, a proposta expírita ainda pesa nos ombros de muitos companheiros. Somente, lentamente, abandonam hábitos, conceitos e objetivos que trazem de encarnações passadas, tendencias essas muitas vezes contrárias ao que nos propõe o espiritismo.

Um palestrante espírita é apenas um entusiasta desinibido da doutrina, não um mestre em espiritismo. Um dirigente é aquele com maior cota de obrigações e responsabilidades, não um guru iluminado onde podemos depositar todas as esperanças. Não falamos em tom de crítica, mas apenas para justificar a real necessidade dos grupos de estudo.

É constrangedor que, frequentemente, ao fazer colocações absolutamente condizentes com a doutrina espírita, sejamos tachados de radicais ou alienados. Nos olham com espanto ou piedade, como se falássemos em nome de nós mesmos e não estivéssemos retransmitidindo os ensinos mais básicos da doutrina a quem acreditamos servir.

Infelizmente, o sistema de ensino no Brasil esta entre os piores do mundo.  Esta colocado entre a posição 68 a 7o, na dependencia do ano em que a pesquisa é realizada. Significa que existem cerca de setenta paises onde a educação é melhor que a nossa. É um pais onde se lê muito pouco, onde existem mais campos de futebol que livrarias. Em Paris, existem mais livrarias que em todo Brasil, onde as bibliotecas fecham à noite e nos finais de semana.

Percebe-se a dificuldade que nosso povo apresenta em refletir sobre assuntos de natureza espiritual, conceitos contrários ao que se aprende nas escolas e no próprio lar. O espiritismo é toda uma filosofia, é todo uma religião no sentido filosófico e a ciência do infinito como assevera Kardec. Indispensável que, pelo menos os médiuns, doutrinadores e dirigentes o estudem e possuam pessoas mais experientes ou acostumadas ao raciocínio filosófico para facilitar seu entendimento.

Claro que todos os frequentadores dos centros espíritas devem participar desses grupos de estudos na dependência de seu interesse e disponibilidade. Os trabalhadores das casas espíritas, porém, devem se qualificar para que o espiritismo praticado e divulgado em seus grupos representem, realmente, o espiritismo e não opiniões de palestrantes, dirigentes ou líderes carismáticos. No espiritismo não existem professores ou alunos, mas isso não significa que, juntos, não possamos aprender melhor.

POR QUE O ESPÍRITO NÃO É ENERGIA OU MATÉRIA?

Em o Livro dos Espiritos, o espírito é definido como “os seres inteligentes da criação que povoam o universo ilimitado”. Uma definição clara e que jamais deveria deixar margens para dúvidas e confusões. No mesmo livro também é declarado que não sabemos a natureza íntima do espírito, mas que espírito e matéria são nitidamente distintos e assim se apresentam à observação.

A matéria se origina da individualização do princípio material e o espírito da individualização do princípio espiritual. Outra afirmação de O Livro dos espíritos. Perceba-se que, tendo origem distintas, espírito e matéria jamais poderiam ser a mesma coisa. Por mais que o conhecimento científico evolua, por mais que se modifique o conceito de matéria até torná-la uma quase abstração ou mesmo uma idéia, isso jamais será suficiente para transformar matéria em espírito e espírito em matéria.

Por que essa distinção se faz tão necessária? Não poderíamos apenas comprender o espírito como uma forma distinta de matéria? Certamente que poderíamos, mas aí não estaríamos falando de matéria. O elemento material não possui as características indispensáveis para se caracterizar algo como sendo um ser espiritual. A matéria, por exemplo, não pode originar a consciência, sem a consciência não é possível o livre arbítrio e sem este não existe evolução espiritual.

É interressante como os espíritos relatam possuir uma dificuldade imensa ao tentar nos explicar a natureza do ser espiritual. Tal dificuldade não surge por um desconhecimento dos espíritos superiores, mas por limitações de vocabulário e falta de sentidos ao ser encarnado para compreender uma realidade que não seja material. Nossa razao funciona por analogia, é um sistema que poderíamos chamar digital, trabalha por categorias, hierarquias, etc… Essa forma de entendimento não é adequada a plena comprensão do espírito.

Algumas vezes os espíritos falam: podereis, se  quiserdes, chamar o espírito de ” matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós”. Outras vezes escrevem “certo que o espírito é alguma coisa, não pode ser feito de idéias, a natureza íntima do espirito ( material? Energia?), todavia, nós é desconhecida. Para nós ele é alguma coisa, para vós ( os encarnados) ele nada seria”. Percebemos que nem os Espiritos superiores sabem qual seria a natureza íntima do espírito. Como nós, encarnados, poderíamos saber?

Os espíritos superiores definem o espírito através de suas qualidades, não através de sua natureza estrutural. Tal atitude revela a sabedoria e a inteligência dos espíritos que revelaram a codificacão espírita. É adequado definir o espírito atribuindo-lhe uma natureza moral,  distinguindo-o dos demais seres e objetos do universo. Somente os espíritos possuem inteligência racional, sendo moral e povoam  o universo ilimitado.

Sua natureza, a do ser espiritual, encontra-se distribuída em todo universo, pois, não é o resultado de elementos materiais ou obra do acaso para estarem restritos a um local específico. E por que se distribuem no universo infinito? Simplesmente por serem criação de Deus e fazerem parte do universo criado por esse mesmo Deus, possuem finalidade e função universal. Os espíritos fazem tanto parte do universo como os átomos fazem.

Assim como os átomos são regidos por leis da matéria, os espíritos são regidos por leis morais eternas, imutáveis e universais. As leis de Deus, sejam quais forem, fazem parte das leis naturais. Esta é uma concepção genuinamente espírita e não aceita por outras ciências como a física quântica, a física clássica, medicina, psicologia e outras ciências de cunho materialista. Este foi o motivo que levou Kardec no livro O Que é o Espiritismo a dizer: o espiritismo não é da alçada da ciência. Esta afirmação pode confundir os espíritas por que o mesmo Kardec define o espiritismo como uma ciência. Exatamente, uma ciência autônoma, não dependente das ciências convencionais ou ditas ciências acadêmicas.

Matéria e energia são aspectos distintos da mesma realidade. Aprendemos isso na Teoria da Relatividade quando afirma  E= mc2 . São, pois, energia e matéria a mesma realidade submetida a distintas velocidades. Se a matéria não pensa, o mesmo ocorre com a energia. A matéria ou a energia não tem espontaneidade. Em O Livro dos Espíritos, Kardec questiona os espíritos ao declarar se a matéria não  poderia explicar a ordem universal, ou seja, não poderia explicar a matéria e o próprio espírito. Os espíritos respondem: não, falta-lhe para isso espontaneidade. De fato, a matéria não é um ser consciente para agir, para dar ordem ao universo. Este é o motivo para que o espírito e Deus não possam ser matéria ou energia.

 

CONHECENDO SI MESMO ATRAVÉS DAS PALAVRAS

O mais poderoso recurso que temos para o nosso progresso moral é conhecer a nós mesmos. Podemos ter fé, mas se não sabemos o que precisamos fazer, acreditaremos que isso nos bastará, esquecendo que a fé é o impulso para a caridade, não o fim do nosso trabalho. Como poderemos saber o que somos? Um recurso de fácil acesso é analisar o que falamos. Daremos alguns exemplos.

Quando digo: essa pessoa é chata. Significa que preciso ter mais paciência.

Quando digo: não posso viver sem você. Significa que preciso encontrar um popósito para a minha existência.

Quando afirmo: ninguém presta. Significa que não consigo reconhecer o valor das pessoas.

Quando acredito que ninguém me entende. Significa que devo me expressar melhor ou mudar meu comportamento.

Quando afirmo que a ciência resolverá todos os problemas. Significa que estou vendo somente parte da vida.

Quando declaro: as pessoas devem me aceitar como sou. Significa que tenho mais orgulho que vontade de melhorar.

Quando afirmo que a religião divide as pessoas. Significa que desconheço o ser humano e não precebi o quanto ele pode estragar as coisas, inclusive, as boas coisas.

Quando afirmo que as raças dividem as pessoas. Significa que desconheço as desculpas que as pessoas inventam para humilhar ou dominar as outras pessoas.

Quando você afirma que deve aceitar as pessoas como elas são. Significa que você é tolerante e está de parabéns e que também percebeu que nem tudo o que não lhe agrada é errado ou feio.

Quando afirmo que Deus não existe. Significa que desconheço a minha própria origem.

Quando afirmo que morrerei um dia e tudo o que sou se acabará. Significa que vainda não sei o que realmente sou.

Quando afirmo que dinheiro é a coisa mais importante e resolve tudo. Significa que eu não sei o que é o dinheiro e nem para que serve.

Quando afirmo que ninguém sabe nada sobre o espírito, nada sobre a vida, nada sobre Deus. Significa que eu penso que sou ainda um bebê e que as pessoas também são.

 

 

 

 

 

O ESPIRITISMO E OS LIMITES DA CIÊNCIA

No livro, O Que É O Espiritismo, Kardec declara que “o espiritismo é a nova ciência que estuda o espírito, sua origem e destinação, assim como sua relação com o mundo corpóreo” e também declara que ” o espiritismo é a ciência do infinito”. São palavras mais fáceis de ler que entender. Existe uma aparente simplicidade nessas palavras, simplicidade essa que pode nos levar a uma interpretação apressada e superficial do seu real significado.

Percebe-se que a definição dada por Kardec em relação à ciência não se enquadra perfeitamente no conceito comum que temos sobre a ciência. Se acreditarmos que a ciência como a conhecemos irá demonstrar a veracidade dos postulados espíritas, não estaremos completamento certos. A primeira dificuldade é a ciência oficial aceitar a existência do espírito. Não parece fácil que nossas academias possam concordar com a tese de que exista um ser a quem chamamos espírito, ser este com uma peculiaridade estranha: ser imortal.

Podem as academias estudar a reencarnacão, mas como demonstrar que sua finalidade é a evolução do ser? Quem daria esta finalidade ao mesmo? Quais as estruturas cerebrais ou fora deste ser que trariam evidências de que seu papel na existência é evoluir em direção à perfeição? O Espirismo não veio revelar ao mundo a existência da reencarnacão, a Índia já sabe disto há milenios, assim como outros povos. O que o mundo não sabia é a real finalidade da mesma e isso o espiritismo veio esclarecer.

Poderá a tecnologia revelar a existência de outros mundos habitados, mas isso não significa a aceitação de que foi Deus que criou os mundos e os seres que nele habitam. Como demonstrar que os infinitos mundos do universo são solidários entre si? Que foram criados tendo em vista o mesmo fim? A evolução dos espíritos?

Certamente que os postulados espíritas são verdadeiros e que, por isso, cedo ou tarde serão novamente revelados, desta vez pelas academias do mundo. A questão é que o espiritismo não é apenas uma ciência, mas uma proposta de modificação da estrutura social e do próprio homem.  Ê também uma filosofia de consequências morsis é uma religião no sentido filosófico, como declara Kardec na Revista Espírita. É uma forma diferente de ver e sentir o universo. Esse é o motivo de o Espiritismo ser uma revelação dos espíritos superiores sob a direção de Jesus.

Somente espíritos que já vivem um futuro que somente será alcancado por nós em tempo muito distante poderiam trazer certas informações. A certeza de que existe uma ordem universal que revela a inteligência de um ser supremo, a imortalidade da alma e seu real objetivo existencial não podem ser demonstrados pela ciência como esta ciência existe na atualidade. Kardec afirma que o Espiritismo não é uma questão de forma, mas de fundo.

Afirma o codificador que a aceitação dos princípios espíritas não se estabelecem em provas científicas ou especulações filosóficas, mas dependem de algo que poderíamos chamar de maturidade do senso moral, maturidade essa que não tem relação com a inteligencia e a cultura, mas com a realidade espiritual de cada um.

MAIS FÉ, POR FAVOR.

Todos temos muita fé, tanto o espírita, o materialista ou mesmo a pessoa mais contrária ao bem e a si mesma estão plenos de fé. Comumente acredita-se que a fé é a virtude ou a insanidade das pessoas religiosas. É uma crença um tanto ingenua que acomete, sobretudo, cientistas ou as admiradores da ciência, mas pode estar presente nos religiosos também. Ninguém pode viver sem fé, mas nem toda fé é construtiva.

O assaltante de banco não tem dados objetivos e inquestionáveis que o assalto ao banco dará certo e nem quanto dinheiro existe no banco, mas ele tem fé que o assalto dará certo. O corretor não sabe se venderá ou não o imóvel, mas se ele não se mostrar empolgado, confiante e cheio de fé ao valorizar o que vende, dificilmente venderá. O professor não sabe se o aluno aprenderá e nem se tem condições intelectuais de absorver o que lhe está ensinando, mas acredita que terá bom êxito e acredita-se bom professor. Uma questão em que esforço, competência, entusiasmo e fé se misturam.

O cientista fundamenta suas pesquisas em leis que revelam uma ordem universal, ordem essa jamais provada por experimentos científicos. Utiliza a razão, que apesar de dar certo, jamais foi validada por métodos científicos. Também não está demonstrado cientificamente que a metodologia científica utilizada pela ciência atual é apropriada para demonstrar o que a própria ciência pretende. O cientista e todas as instituições científicas acreditam e põe muita fé que o caminho que seguem sempre dará bons resultados e que a metodologia científica é a melhor que poderiam almejar. Se não fosse verdade essa afirmação, certamente, já teriam mudado a forma de se fazer ciência.

Ao estudarmos o Espiritismo, se não tivermos fé, iremos querer adaptar os conceitos e afirmações da codificacão espírita aos nossos pontos de vista. Muitos já trocaram a codificacão espírita por romantes, conversas de amigos e palestras. Certamente que ler romances espíritas é muito saudável. Eu mesmo li mais de cento e cinquenta romances e a maioria  são maravilhosos, não todos, é claro. Já assisti cerca de quinhentas palestras espíritas e a maioria, penso eu, terem sido ótimas em parte ou totalmente, segundo meu gosto e análise.

A questão é substituir os fundamentos da doutrina espírita por gostos pessoais. Passar a aceitar apenas o que se acredita e gosta, sem o esforço de tentar ao menos ler e comprender o ensino dos espíritos superiores. É muito comum a este comportamento ser o leitor de um médium apenas, ser fã incondicional de pessoas, espíritos, palestrantes e instituições. Abandonamos os santos católicos, muito mais veneráveis pelo exemplo de vida que ofereceram ao mundo, e os substituímos por outros ídolos menos consistentes. Admirar e seguir bons exemplos é muito diferente de idolatrar ou se tornar fã. A fé espirita é racional, não um desejo ou uma torcida.

É inquestionável o papel de uma fé sincera, profunda e racional nesses momentos de liberdade e informação vertiginosa que o mundo da internet com o you tube, google, facebook nos oferecem.  Mas antes de ser racional e sincera, a fé precisa existir. É fácil se perder dentro e si mesmo quando se deposita mais fé em si mesmo e menos fé em Deus, na razão, nos espíritos superiores e na própria verdade. Substituindo todos eles por desejos, modismos e opiniões, muitas vezes admiráveis, verdadeiros e sinceros, mas muitas vezes falsos, insanos e dispensáveis. Mais fé, por favor.