POR QUE A CULPA E A DOR SÃO IMPORTANTES?

 

Fugimos da dor e da culpa sob quaisquer aspectos em que se apresentem, mas as generalizacões absolutas podem trazer, muitas vezes, o resultado contrário ao esperado. Fugir a qualquer dor pode nos levar a dores maiores.

Existem uma doença raríssima em que o individuo não sente nenhum tipo de dor. Neste caso, a expectativa de vida, raramente, passa dos trinta anos. Se temos, por exemplo, apendicite ou infarto do miocardio, sentimos dor e procuramos auxilio médico, neste caso podemos nos salvar. Se não sentíssemos dor morreríamos. Este exemplo demonstra que a dor nem sempre é ruim.

Quando cometemos algo ruim, sentimos culpa. Uma convicção e sentimento que muitos sentem ao cometer algo que não deveriam e que estava sob o seu domínio não cometer. Magoar, trair, ser ingrato, etc…podem levar a culpa. Se não sentíssemos culpa seria mais fácil fazer coisas erradas. Se sentíssemos prazer em fazer o que não devíamos, poderíamos nos viciar no erro. É o caso dos usuários de drogas ilicitas e não ilícitas. O caso dos sádicos e sociopatas são exemplos onde não temos o sentimento de culpa.

Não confundir culpa com depressão ou apego não produtivo e persistente à tristeza, mágoa ou desesperança que se prolonguem muito além do necessário. Neste caso não chamaria a isso de culpa, mas de resposta Inaadequada ou doença. Não adianta abolir a palavras culpa trocando-a pela palavra responsabilidade. Se não somos culpados por algo errado, tampouco somos responsáveis.

A culpa é algo mais profundo e diverso que a responsabilidade. O sentimento de culpa, quando bem conduzidado, coopera para a evolução Espiritual. Quando alguém não assume a culpa, é infantil, irresponsãvel ou algo semelhante. Muitos querem trocar o conceito de culpa por reparação. Dizem que não adianta sentir culpa, se errei, então reparo o erro. Muito louvável querer consertar, mas sem sentir-se culpado…. Será que não nos esqueceríamos?

Nem tudo que fazemos de errado podemos reparar. Se mato ou estupro, se sou ingrato, como reparar? Existe o verbo desmatar? Desestrupar? Desmagoar? A culpa serve para não nos sentirmos tranquilos após, consciente e deliberadamente, cometermos atrocidades ou algo Inaadequado. O contrário disso se chama irresponsabilidade ou o famosa jeitinho brasileiro de resolver tudo com palavras diferentes.

João Senna.

PERTO E DISTANTE

 

Quando me vires falar
Este falar inocente,
Este é o olhar simples
Do querer, não o olhar
De quem sente.

Quando estou a ouvir
O que a mim mesmo digo,
Estou distante de mim
Estou mais perto e contigo.

Nesta vida alheia a mim
É que me criei um tanto crente
Das coisas que se não vê
E infiel ao que sente.

Permita que a vida revele
A mim o que devo ser
Que estou a me perder
Neste viver diferente.

E, assim, cantando o amor que se
Sente, vivo a sonhar os amores
Que me faz diferente.
Guardo comigo doce esperança:
Quem ama vive de amar
Não de ser o que pensa.

ESPÍRITO: Fernando Pessoa.

MÈDIUM: João Senna.

AMOR PERMANENTE

 

 

Quero te dizer que amei
Não demais, que o amor
É sempre pouco para quem ama.
Não farei poesia, não farei drama,
Não reclama do meu amor
Que não é só seu
Que é também meu.

Deixo para você meu sonho predileto
Meu juramento secreto
Que nem o sei porque fiz,
Deixo do meu quintal
A flor de laranjeira
Caso você queira
Que tem o perfume gostoso
Desse amor tão caloroso
Que é o nosso amor.

Deixo pra ti o meu sorriso
Minha cotinha de esperança
Meu balanço de maré mansa
Que você não vai esquecer.

Agora sou o poeta do amor
Permanente, que chega de repente
E não nos deixa jamais.
Meu amor, minha linda, é bem disso capaz.

Quem não ama, não tem paz.
Estes meus versos, são os versos
Do poeta do Amor da vida inteira
És agora minha eterna companheira
Não te abandono jamais.

Venha ver do que eu sou capaz
Do poeta fortalecido, contente
E não tão diferente,
Vinicius de morais.

médium: João senna.

Espírito: Vinícius de Morais.

 

FINALIDADE DA DOR E DA CULPA

 

Fugimos da dor e da culpa sob quaisquer aspectos em que se apresentem, mas as generalizacões absolutas podem trazer, muitas vezes, o resultado contrário ao esperado. Fugir a qualquer dor pode nos levar a dores maiores.

Existem uma doença raríssima em que o individuo não sente nenhum tipo de dor. Neste caso, a expectativa de vida, raramente, passa dos trinta anos. Se temos, por exemplo, apendicite ou infarto do miocardio, sentimos dor e procuramos auxilio médico, neste caso podemos nos salvar. Se não sentíssemos dor morreríamos. Este exemplo demonstra que a dor nem sempre é ruim.

Quando cometemos algo ruim, sentimos culpa. Uma convicção e sentimento que muitos sentem ao cometer algo que não deveriam e que estava sob o seu domínio não cometer. Magoar, trair, ser ingrato, etc…podem levar a culpa. Se não sentíssemos culpa seria mais fácil fazer coisas erradas. Se sentíssemos prazer em fazer o que não devíamos, poderíamos nos viciar no erro. É o caso dos usuários de drogas ilicitas e não ilícitas. O caso dos sádicos e sociopatas são exemplos onde não temos o sentimento de culpa.

Não confundir culpa com depressão ou apego não produtivo e persistente à tristeza, mágoa ou desesperança que se prolonguem muito além do necessário. Neste caso não chamaria a isso de culpa, mas de resposta Inaadequada ou doença. Não adianta abolir a palavras culpa trocando-a pela palavra responsabilidade. Se não somos culpados por algo errado, tampouco somos responsáveis.

A culpa é algo mais profundo e diverso que a responsabilidade. O sentimento de culpa, quando bem conduzidado, coopera para a evolução Espiritual. Quando alguém não assume a culpa, é infantil, irresponsãvel ou algo semelhante. Muitos querem trocar o conceito de culpa por reparação. Dizem que não adianta sentir culpa, se errei, então reparo o erro. Muito louvável querer consertar, mas sem sentir-se culpado…. Será que não nos esqueceríamos?

Nem tudo que fazemos de errado podemos reparar. Se mato ou estupro, se sou ingrato, como reparar? Existe o verbo desmatar? Desestrupar? Desmagoar? A culpa serve para não nos sentirmos tranquilos após, consciente e deliberadamente, cometermos atrocidades ou algo Inaadequado. O contrário disso se chama irresponsabilidade ou o famosa jeitinho brasileiro de resolver tudo com palavras diferentes.

João Senna.

MAIS QUE TUDO: DEUS

A vida completa a vida
Nesta carruagem que
É o próprio homem.
Estranho a si mesmo,
Ser abstrato que dispara,
Ave rara e se consome.
Estranho, mais que estranho,
Igual a si mesmo, divergente
Permanente nas paisagens
Que se consomem, que se
Afastam comovidas e estranhas.

Viver de forma abrangente,
Consumir-se na luz da Esperança,
Molhar os pés e sorrir na maré mansa,
Embriagar-se de amor, de amplidão.
Duas rosas que caem no chão.

Voltar a olhar a criança
Que vive em nós, embrião
Que embala a ternura
Do mundo, em botão.

Mergulhar no azul profundo
Do céu que é mais que céu,
Mais que mundo, a solidão
De ser, mais que azul, mais
Que o mundo: o ser de Deus,
Mais que eu, mais que tudo:
O amor de Deus, o azul
Profundo.

Espírito: Cecília Meireles.
Médium: João Senna.

HOJE É LUZ CRISTALINA

Houve um tempo que eu não sorria
Em que a rosa em botão não se abria.
Houve um tempo em que a solidão
Era maior que o céu na amplidão mais profunda.
Houve um tempo, mas não há mais.

Hoje é a Luz cristalina
Que o azul do céu Beija.
Hoje é a Paz tão procurada
Como o sorriso da mulher amada,

Hoje são so rumores
Das coisas benfazejas,
A cortina que se abre
Por cima da neblina
Da desesperança.

É a voz não sufocada
O sorriso da meninada
A vela que não se apaga
A vida que não se rende
ao dinheiro.
O grito do mundo inteiro
Que busca a Esperança.

Agora é o tempo de amar
E de sempre ficar a cismar
É o espantar de amor
Na pétala da flor.

Agora vale sonhar
A vida é que vale agora.
Que a vida tem Hora
Marcada, sem demora
À presença do amor.

Não faz nenhum alarde
A vida que não demora.
Agora vale o amor e a flor
A coisa sonhada, a imaginada
E até a realizada…
Agora e só agora.

Espírito: F.G
Médium: João Senna.

ÂNSIA DE DEUS
(Cassimiro de Abreu, espírito)

Que saudades, que lamentos
Perdendo-me em pensamentos
Acordar a noite inteira
E dormir à luz do dia.

Quadras da minha infância,
Dos olhos de minha irmã.
Corria por arvoredos
Tremia dos próprios medos
Depois sorrir amanhã.

Qual criança ainda me sinto
Nestas paisagens astrais…
Do meu peito surge um grito
Lançado pro infinito
Chegando perto de Deus.

Terra das minhas lembranças
Terra dos amores meus
Todas as ânsias são ânsias
Que buscam o amor de Deus.

ESPÍRITO: Cassimiro de Abreu
Médium: João. Senna:

Enviado do meu iPhone

MINHA ALDEIA

As mais Belas paisagens, sinto afinal
Talvez, seja a minha pequena vila
Nascida em Portugal.
Quantas lembranças tenho,
Não me levem a mal
Depois de tanto tempo
São lágrinas de Portugal !

Canta-se assim a lira
Que a poesia consome
Que a ninguém mais fira
Pois todo o mundo é o homem.

As terras em que nascemos
São também nascidas em nós
E quanto mais as esquecemos
Mais nos perseguem, afinal.

Quem canta a imortalidade
Parece chegar tarde
A sua própria existencia.
Ou se sente e não se sabe
Ou não se sabe e sente.

Cantando essas novas paisagens,
Perdendo-me nessas imagens
Esquecido dos poetas que se foram
E dos lugares que ficaram.

Todas as lágrimas do mundo
Tem um sabor tão profundo
Que nos fazem despertar.
Chorar é abrir-se a alma.
É ter a imagem tão calma
Da vida que nos embala.
Quem tem vida, não tem fala.
Amigos, não me levem a mal,
Todas as lágrimas
São lágrimas de Portugal!

TENHO SAUDADES DE MIM

Por que tenho saudades de mim,
Nem me despeço, nunca de mim me despeço.
Peça-me qualquer coisa
Que pedir se possa.
A posse da partida
É como faca que fere e fica
Como uma ferida que não fecha.
Ou uma água distante e esquecida
Talvez água de banho que se
Tomou na infância, mas só a tua água
Que eu não tenho infância.
Não sou de partidas, aqui estou
Como um presente que não passa
Ou algo de imaterial que não se gaste.

Tenho silêncios que desconheço,
Que surgem como algo intransponível que de tão insuportável finge que parte na sua imóvel certeza.

Um talvez, quem sabe, me define mais que todas as coisas que poderia eu mesmo dizer do que fui, mas não por que “fui” é também partir e não parto.

Repeti a mim mesmo nessa angústia que a monotonia carrega, que o SER carrega porque é ser que de si jamais se distancia.
Quanto mais me defino, mas me sinto ausente. Nada peças de mim, por que dar é também partir.

ESPÍRITO: Fernando Pessoa.
médium: João Senna.

ALVIN PLANTINGA E A FORMAÇÃO DA CRENÇA

 

Alvim Plantinga é, um dos mais destacados filósofos mais da atualidade em relação ao estudo da religião. Ele nos traz uma perspectiva lúcida e revolucionária para os fundamentos da crença. Muitos filósofos e especialistas em diversas áreas entendem que a concepção de Plantinga seja uma das maiores contribuições para a teoria do conhecimento e, particularmente, no entendimento para os motivos da fé.

Advoga nosso filósofo que existem dois tipos de crenças : crenças básicas e crenças não básicas. Entre as primeiras temos, por exemplo: creio que estou digitando um texto agora, que tenho um tablet em minhas mãos, que tomei café da manhã hoje. São crenças que não precisam de uma justificação racional. E sei, por exemplo, que existem outras mentes além da minha, mas não tenho como provar isso racionalmente. Não existe possibilidade de demonstrar cientificamente, que tudo o que penso não passa de imaginação. Um experimento científico poderia ser fruto da minha imaginação e esta imaginação poderia ter para mim um caráter de pura realidade. Parece estranho questionar tais coisas porque estamos habituados a elas. Algo semelhante acontece quando acordamos de um sonho que parecia ser real.

Existem crenças não básicas como o fato de meu carro ter sido fabricado pela Ford. Existe uma forma de verificar isso, embora, eu acredite nisso, tal crença não é básica. Você, por exemplo, acredita que não é um filho adotado, mas essa não é uma crença básica. Existem meios de constatar isso, como um exame de dna, testemunhas, etc…

O problema maior é definir quais crenças são básicas e quais não são básicas. Quais seriam os critérios para tal distinção? Acredito ter diante de mim um tablet e de estar sentado no sofá, essa crença é justificada, é auto- evidente. Acreditar nelas não exige uso da razão, pois, fundamentam-se na experiência, não exigem outras crenças.

Existem filósofos que acreditam que só podemos crer naquilo que for racional, devemos apenas crer naquilo que nos pareça lógico e isto exige evidências favoráveis a nossas crenças. Creio por ter razões para isso e ter razões significa ter evidências que estão além do meu desejo, que não dependem de mim. O problema é que se eu não acredito em algo por não ter evidências, então, para deixar de crer nesse algo devo acreditar também que tais crenças não justificadas não mereçam crédito. Ora, isso eu não tenho. Não tenho evidências para acreditar que crenças sem evidências sejam crenças falsas. Ainda assim, poderiam ou podem ser verdadeiras. Ao não crer em algo sem evidências, acabo por descrer sem ter evidências. Essa concepção em crer somente naquilo que existem evidências é uma forma de crença sem evidências.

No livro O Evangelho Segundo O Espiritismo está escrito: “acostumai-vos a não descrer naquilo que não compreendeis” É interessante que 150 anos antes de Plantinga, os espíritos já defendiam um concepção considerada revolucionária para os dias de hoje. Os fundamentos últimos da crença são de natureza metafísica. A própria ciência materialista tem fundamentos metafísicos que não estão submetidos a uma concepção materialista da existência, concepção que em que se fundamenta a ciência contemporânea. A existência de uma ordem universal é pré-requisito para se fazer ciência, mas uma ordem universal é elemento estranho a um universo material, o único mundo admitido pela ciência.

Plantinga defende que a crença em Deus é uma crença básica. Não exigiria evidências externas para termos essa crença como justificada e racional. Cremos em Deus por percebermos intuitivamente, congenitamente, que o universo tem uma ordem. Que ter gratidão, sentir culpa, ter a noção de certo e errado, que existem coisas belas. Tudo isso é de apreensão imediata. São crenças básicas assim como a crença em Deus. Crer em Deus ou na beleza ou sentir gratidão são elementos que formam o nosso entendimento da vida, são pré-requisitos onde encontramos significado no mundo e em nós mesmos. Todas as outras crenças são derivadas destas crenças básicas, onde a crença em Deus seria a mais básica de todas.

Allan Kardec pergunta aos espíritos: o que se deve pensar ou que conclusões devemos tirar sobre a crença em Deus, crença que observamos em todas as culturas? Os espíritos simplesmente respondem: que Deus existe.
Kardec prossegue: mas estas crenças não poderiam ser fruto da cultura, do aprendizado? E os espíritos respondem: E os vossos selvagens, de onde tiraram a crença em Deus? Aliás, sobre tais assuntos, os selvagens pensam muito melhor que muitos homens ditos civilizados.

O Espiritismo advoga uma fé baseada na razão, mas não declara que o fundamento da fé seja a razão. Tem como lema”Fé inabalável somente o é aquela que pode encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade” Tal, porém, não significa que uma fé não racional não seja verdadeira ou que não seja oportuna e útil. Simplesmente, diz que é mais conveniente aceitarmos nossas crenças baseados também (não exclusivamente) na razão.

Se aceito algo que, no fundo, é irracional, então, amanhã tal crença poderá se revelar falsa, daí ser abalada. Podemos ter fé em certas idéias porque no fundo, no nosso inconsciente, nas nossas vidas anteriores, já aprendemos que tal crença é verdadeira, mesmo que no momento não tenhamos argumentos racionais para se crer. Evidentemente, é um risco não saber se algo é realmente verdadeiro ou falso, mas é um certo risco que se corre pelo fato de se estar vivo. Não podemos submeter todas as nossas crenças ao uso da razão sob pena de vermos paralisada a própria vida. Tudo o que fazemos é baseado em crenças.

O Espiritismo advoga uma fé racional por possuir argumentos racionais e experimentais para tal declaração. Nunca disse que outros crentes estavam errados em crer sem fazer uso da razão, apenas declara que uma fé não racional poderá e será abalada em alguns aspectos, embora, essencialmente, esteja ou possa estar correta em inúmeros outros aspectos. Declara que a religião que não melhora o crente é falsa ou foi falseada em seus princípios. Talvez seja este o melhor critério para identificarmos uma crença verdadeira.

João Senna.
Salvador, 7/04/2016